Ah! Se mais prefeitos fossem assim...

Prefeito obriga funcionários a ler - O Estado de São Paulo - 03/02/2006


Os cerca de 140 funcionários municipais que têm cargos em comissão em Cachoeira
do Sul, cidade de 90 mil habitantes a 200 quilômetros de Porto Alegre, estão
obrigados a ler pelo menos um livro por mês. A exigência é feita desde julho do
ano passado pelo prefeito Marlon Santos (PFL).

Ele explica que, como cidadão, anda cansado de pagar salário para ter em cargos
políticos "gente sem competência e que nunca leu sequer um gibi". E adverte que
seu ato não tem nada de folclórico. "Não é lulesco e nem severiniano", alfineta.

Nas entrevistas de admissão, Santos já pergunta se o candidato ao cargo está
disposto a incorporar o hábito de ler. "Esse é um dos critérios para a admissão
e também para a demissão", avisa o prefeito, vangloriando-se de ter mandado para
a rua uma pessoa que debochou da iniciativa.

Os espertalhões também têm pouca chance. Cada ficha de leitura deve ser entregue
à Secretaria de Administração, onde será analisada por um funcionário
encarregado de verificar se não houve cola de colegas ou da internet.

Seis meses depois do início da experiência, Santos afirma que sua percepção de
que a leitura amplia a capacidade dos funcionários está se comprovando. "A
comparação das primeiras fichas com as atuais demonstra crescimento", comenta.
"Além disso, as pessoas se tornaram mais amáveis e demonstram maior capacidade
de reflexão e poder de decisão."

Os funcionários admitem que, no início, estranharam a exigência, mas confirmam
que evoluíram desde que se adaptaram à regra. A assessora do gabinete, Renata
Lima Tollens, ensino médio completo, não se limita mais a conferir as colunas
sociais e já gosta de ler os jornais inteiros.

Patrícia vai começar a ler O Código Da Vinci, de Dan Brown. "Vamos montar um
central de empréstimos para ampliar o acesso aos livros", promete.

A auxiliar administrativa Karina Fraga Savegnago, formanda em Biologia, passou
dos livros relativos a sua área para os de auto-ajuda, como Pílulas Para Viver
Melhor, do cardiologista Fernando Luchese. "São boas dicas para a convivência e
para aumentar a auto-estima", afirma.

Aos 30 anos, o prefeito diz que costuma ler de 20 a 30 livros ao mesmo tempo. O
hábito começou na infância, primeiro com revistas em quadrinhos, e depois
evoluiu para obras como a autobiografia de Benjamim Franklin e A Ética, de
Espinosa, livros que recomenda a todas as pessoas.

Ao exigir leitura dos funcionários, ele espera evolução semelhante. "Eles
começam com romances simples e depois partem para obras mais complexas",
observa, satisfeito com os resultados que já conseguiu até agora.

 <disponível em: www.cbl.org.br. acesso em: 07 fev. 2006>



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