*JC e-mail 2959, de 16 de Fevereiro de 2006. ***
*SOS biblioteca, editorial da “Folha de SP”*
“Continua sem previsão, contudo, a modernização do acervo e das
condições para consulta e empréstimo de livros. É urgente que o poder
público e setores da iniciativa privada canalizem investimentos nesse
setor, sob pena de condenar ao sucateamento uma das principais
referências em pesquisa na cidade”
Editorial publicado nesta quinta-feira:
Num de seus livros de memórias, o escritor Pedro Nava (1903-1984)
imagina, na porta das bibliotecas brasileiras, alto-falantes a anunciar:
"Entrem para ler". Caricatura da falta de estímulo à leitura no Brasil,
o raciocínio de Nava remete à situação da Biblioteca Mário de Andrade,
em São Paulo.
Entre livros, jornais, postais, revistas e moedas, a instituição detém
um acervo de mais de 3 milhões de itens -o segundo maior do país, atrás
apenas da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Mas seu estado de
conservação requer cuidado urgente.
Como mostrou reportagem publicada anteontem nesta Folha, na biblioteca,
que tem servido de abrigo a sem-teto do centro da cidade, apenas 20% do
acervo se encontra catalogado eletronicamente -o restante consta ainda
de fichas escritas à mão. E o corpo de bibliotecários, que em 1992 era
de 66 profissionais, foi reduzido para 25.
No segundo semestre, o prédio da biblioteca deve passar por uma reforma.
Cerca de R$ 12 milhões serão investidos no conserto de infiltrações, na
derrubada das grades em torno da edificação, na reorganização espacial
dos livros e periódicos.
Continua sem previsão, contudo, a modernização do acervo e das condições
para consulta e empréstimo de livros. É urgente que o poder público e
setores da iniciativa privada canalizem investimentos nesse setor, sob
pena de condenar ao sucateamento uma das principais referências em
pesquisa na cidade.
Uma idéia interessante seria determinar que todos os livros editados em
São Paulo tivessem ao menos um exemplar depositado na biblioteca.
Outro, mais básico, seria a criação de um setor de doações que pudesse
receber e selecionar obras de acervos particulares. Isso sem mencionar a
catalogação eletrônica dos livros e a ampliação do corpo técnico.
São medidas pouco dispendiosas, que dependem mais de iniciativa e de uma
política cultural focada que de investimentos de vulto.
(Folha de SP, 16/2)
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