*Editoras e autores brasileiros criticam Google Book*

 Sexta-feira, 17 fevereiro de 2006 - 11:29  Daniela Moreira, repórter do IDG
Now!

 Os escritores e editores brasileiros criticaram a proposta apresentada pelo
Google para a implementação, no Brasil, do serviço Google Books, que permite
aos internautas fazer pesquisas por livros, inclusive os protegidos com
direitos autorais.

Em visita ao Brasil em fevereiro deste ano para apresentar o produto, o
italiano Marco Marinucci, responsável pelo Google Books, pode até ter tido
uma recepção calorosa - como ele próprio relata -, porém as opiniões sobre a
possível implementação do serviço no País são igualmente controversas.

"Trata-se de um grande risco para nós escritores", defende Paulo Oliver,
advogado especializado em direito autoral, presidente da União Brasileira
dos Escritores (UBE) e autor de mais de nove livros. "Quando uma obra cai na
internet, o risco de alguém acessar e plagiar - especialmente para autores
menos conhecidos - é enorme", argumenta.

Embora a proposta do Google Book Search não seja exibir o conteúdo integral
das obras na web, a ferramenta trabalha com o conceito de resultados
contextualizados, mostrando ao usuário que efetua uma consulta a página do
livro em que se encontra o termo buscado, as duas páginas anteriores e as
duas posteriores.

"Em um livro de poesias, por exemplo, cinco páginas são uma obra completa",
acredita Oliver - que além de escrever livros técnicos na área de direito, é
poeta. "Além disso, em caso de obras literárias, principalmente se o trecho
for mal selecionado, a leitura de um mero fragmento pode prejudicar a
percepção do leitor", acrescenta.

 Já no caso de obras de referência, defende Eduardo Blücher, coordenador do
grupo de estudos de novas tecnologias da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e
diretor executivo da Editora Edgard Blücher, o risco é de que o usuário
esgote suas pesquisas dentro das próprias buscas na web, e nem mesmo chegue
a comprar o livro. "As editoras técnicas, jurídicas e didáticas não estão
nem um pouco animadas com o projeto", sentencia.

A polêmica sobre o Google Search é internacional.  As classes de escritores
e editoras - representadas, respectivamente, e pela Authors Guild e pela
Association of American Publishers -, já moveram processos nos Estados
Unidos contra a ferramenta, que, no entanto, continua disponível em beta em
cinco línguas (inglês, italiano, francês, alemão e espanhol) e já funciona
em todos os países latino-americanos de língua hispânica.

*Google explica
*O Google Book Search, apresentado ao mercado no final de 2004, causou
alvoroço entre os editores de livros e autores, que vêm na ferramenta uma
potencial ameaça aos direitos autorais.

Para Marinucci, que antes de assumir a gerência de desenvolvimento de
negócios do Google Book Search, era um editor de livros na Itália, toda a
polêmica em torno do projeto se deve à falta de compreensão dos atores do
mercado sobre a real função e sobre a mecânica do serviço.

"O valor do serviço está na capacidade da nossa ferramenta de mostrar onde o
usuário pode encontrar a informação que é mais relevante para ele. Isso não
quer dizer que vamos exibir essa informação na tela dele, mas sim indicar a
loja ou a biblioteca mais próxima onde ele pode obtê-la fisicamente",
explica.

Segundo o executivo do Google, o objetivo do serviço é digitalizar os livros
apenas para indexar as informações e possibilitar a busca, e não oferecê-los
integralmente ao internauta para impressão, cópia ou leitura - as duas
primeiras funções limitadas pelos recursos do sistema e a última pela sua
interface, que não favorece a visualização amigável na tela.

O Google Book Search, que ainda está em fase beta, terá duas fontes
diferentes para busca de conteúdo: as bibliotecas e as próprias editoras e
autores. Para viabilizar a primeira alternativa, o Google firmou acordo com
cinco importantes bibliotecas (a Biblioteca Pública de Nova York e as
bibliotecas das Universidades de Stanford, Harvard, Michigan e Oxford) para
digitalizar seus acervos.

 Para este projeto, que é financiado pelo próprio Google, a idéia é linkar
os resultados com fontes públicas de informações, cruzando os dados com
informações geográficas - fornecidas pelo serviço Google Local -, assim o
usuário poderá saber qual é a biblioteca mais próxima à sua casa ou à sua
escola onde ele encontrará o livro que possui o conteúdo mais relevante
sobre o tema que está pesquisando, por exemplo.

O projeto é filantrópico, portanto os resultados de buscas não serão
associados em nenhum momento a links patrocinados. Para obras de domínio
público, a consulta de resultados é liberada, mas para livros protegidos por
direitos autorais eventualmente indexados, serão exibidas apenas duas linhas
de resultado, de acordo com Marinucci.

Já no caso das editoras e autores, eles próprios aderem à plataforma,
determinando quais obras serão digitalizadas e até mesmo qual o percentual
do livro que será exibido no resultado das buscas, segundo Marinucci. "Em
média, as editoras liberam de 10% a 20% do conteúdo para busca e pelo menos
5% da obra é totalmente bloqueada", conta o executivo.

O detentor dos direitos da obra também determina quais serão as opções de
locais para compra do livro oferecidos ao usuário, podendo apontar lojas
virtuais ou mesmo varejos físicos. Ele também decide se serão exibidos links
patrocinados associados à visualização do seu livro - caso em que recebe 50%
da receita auferida com a venda dos anúncios - ou não. "Eles decidem tudo",
resume Marinucci.

 A inclusão de obras pode ser feita tanto pela editora quanto pelo próprio
autor, "quem quer que detenha os direitos da obra", segundo o executivo.
"Isso possibilita ao escritor promover obras que não foram bem trabalhadas
pela editora, por exemplo. Ou, para a editora, é uma chance de avaliar a
republicação de uma obra, já que eles têm acesso a ferramentas para saber
quantas consultas foram feitas a um livro seu e quantos internautas clicaram
no local indicado para comprar", argumenta Marinucci.

 Atualmente, o serviço já conta com 12 mil parceiros - leia-se, editores e
autores que se credenciaram para digitalizar suas obras -, entre eles grande
parte das empresas ligadas à Association of American Publishers, que
processou a ferramenta por violação dos direitos autorais.

"Este é um processo que tem muito mais a função de ajudar a estabelecer
bases legais para os limites do direito autoral na web, pois nos Estados
Unidos essa é a forma padrão de resolver impasses na legislação. Os editores
querem avançar na oferta de conteúdo web, mas antes precisam se precaver
legalmente. Estas empresas são nossas parceiras. Estão aqui conversando
conosco toda semana", diz Marinucci.

Segundo o executivo, o Google Book Search está se preparando para dar esses
próximos passos junto às editoras, trabalhando em modelos de negócio
próprios para a web, como a venda por páginas ou o pay per view.

Neste sentido, a estratégia do Google está mais próxima também da visão da
Câmara Brasileira do Livro, que defende ser favorável a um modelo de oferta
de conteúdo na internet, desde que seja um que preserve o direito autoral.

"Hoje o Brasil movimenta anualmente 400 milhões de reais em cópias ilegais
de livros, por meio da reprografia. Temos que dar uma alternativa legal a
esse usuário que tira cópias de livros nas escolas, bibliotecas e
faculdades", acredita Blücher.

Quem deve ficar atento a este processo de migração de conteúdos para a
internet, contudo, é o autor, alerta o presidente da UBE. "A obra do autor
só deverá ser exibida na internet se for uma decisão consensual", argumenta
Oliver.

Segundo ele, alguns contratos hoje já trazem cláusulas que tratam de "mídias
futuras", que podem garantir à editora o direito de vender o conteúdo da
obra na web. Mas quem possui contratos antigos poderá entrar com ações
legais contra a editora se ela optar por inserir o livro no Google Book
Search sem consultá-lo.

"Os termos devem ser negociados com o autor previamente. Quem for utilizar
as novas tecnologias tem que saber exatamente o que receberá em troca",
defende Oliver.

Mas, por enquanto, as editoras brasileiras não precisam se preocupar com os
possíveis processos de autores enfurecidos. O Google Book Search ainda não
tem data prevista para chegar ao País.

"O principal objetivo da visita ao Brasil foi esclarecer todos esses
mal-entendidos em torno da ferramenta, que nos causam grande frustração",
justifica Marinucci sem revelar quando de fato o serviço - que não tem
nenhuma versão em português disponível, nem mesmo em Portugal - funcionará
por aqui.

*Mercado
*O mercado literário brasileiro movimentou em 2004 - pesquisa mais recente
divulgada pela Câmara Brasileira do Livro - 2,4 bilhões de reais, com
34.858títulos lançados e 288,6 milhões de exemplares vendidos.

A média de leitura, contudo, ainda é de 1,8 livro per capita/ano, número
relativamente baixo se comparado à média de países como França (7 livros per
capita/ano), Inglaterra (4,9 livros per capita/ano) e Estados Unidos (5,1
livros per capita/ano), segundo dados de 2001.

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*Fonte: **
http://idgnow.uol.com.br/AdPortalv5/InternetInterna.aspx?GUID=EF904BC7-F6E1-44AA-9867-1731E82108E8&ChannelID=2000012
*<http://idgnow.uol.com.br/AdPortalv5/InternetInterna.aspx?GUID=EF904BC7-F6E1-44AA-9867-1731E82108E8&ChannelID=2000012>
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Jonathan Pereira
Bibliotecário / CRB-8° 091/2005
oteatrodavida.blogspot.com
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