*A Internet por todos e todos pela Internet* Por *Guilherme Felitti* De IDG Now! <http://www.idgnow.com.br/> 16 março 2006
Desde os tempos em que o homem abandonou o estilo de vida nômade e descobriu formas de cultivar alimentos, a humanidade trabalha em grupo. Homens de negócios do século 21 gastam horas lendo livros de auto-ajuda, com objetivo é motivar suas equipes ao trabalho colaborativo. Portanto, podemos concluir que trabalhar de forma colaborativa não é nenhuma novidade, certo? Errado. Com a internet, essa prática atingiu escala global, graças à facilidade de se transmitir e de se publicar informação. Veja os exemplos da Wikipedia, do movimento de software livre e dos blogs. O primeiro é uma enciclopédia online, com a colaboração de milhares de pessoas, que já conta com mais de 3,5 milhões de artigos publicados em 123 línguas. O movimento de software livre está mudando a forma como se desenvolvem programas e ameaçando o poder da maior empresa de software do mundo, a Microsoft, que em alguns países, entre eles o Brasil, já pensa em novos modelos de licenciamento.E, por fim, os blogs. Ainda pouco difundidos no Brasil como uma opção à mídia tradicional, eles permitiram, com uma ferramenta fácil para publicar conteúdo na internet, que qualquer pessoa pudesse ser "um jornalista". "O que a internet permitiu foi amplificar enormemente a capacidade de pessoas cooperarem à distância, em um grau que tecnologias anteriores não haviam ainda permitido", afirma Tadao Takahashi, ex-presidente do Programa Sociedade da Informação do Brasil e um dos principais especialistas em internet no Brasil. A amplificação, sem dúvida, foi maior ainda para os entusiastas do software livre. "Nós transmitíamos os códigos uns para os outros em ligações telefônicas entre PCs ou mesmo por fitas magnéticas. Era mais devagar, mas funcionava", lembra Richard Stallman, guru do software livre e fundador da Free Software Foundation, em entrevista exclusiva para o IDG Now!. Por mais que já fosse praticada, a introdução da tecnologia – e suas promessas de facilidades – criou um fluxo de colaboração que permite que as obras coletivas sejam visualizadas, consultadas e atualizadas, no ritmo da internet. Takahashi remete à montagem da primeira Enciclopédia Britânica, no século 19, quando milhares de pessoas redigiram, distribuíram e editaram milhões de verbetes de língua inglesa. O produto de tal esforço, porém, não acompanhava o que acontecia após sua publicação. "Em todos os outros meios, você poderia fazer textos ou produções coletivas, mas ela nunca foi mutante. A obra era um retrato congelado de quando um grupo entrou em acordo", pondera Beth Saad, professora da Escola de Comunicações e Artes da USP, que estuda comunicação digital. Ao contrário do que se possa pensar, essa construção coletiva conta com um fator muito mais determinante do que a crescente facilidade do acesso a máquinas e a banda larga: a mudança no perfil do usuário que navega. Os jovens envolvidos em projetos como a Wikipedia apresentam um interesse muito maior em dividir seus conhecimentos com outros. A necessidade de dividir conhecimentos não explica, por si só, o fenômeno de construção conjunta, experimentada atualmente pelos usuários online. Stallman estabelece que entusiastas envolvidos na modificação e distribuição de softwares livres trabalham por motivos que vão da moral frente ao grupo à diversão. "Há uma maneira superficial de olhar para essa questão, que é contribuir por ódio à Microsoft", afirma. "Muitos outros desenvolvedores de softwares proprietários estão fazendo coisas 'ruins' (sic) também". Longe do argumento apaixonado, Takahashi afirma que a predisposição à colaboração não envolve reputação ou idealismo: é genética. "Um colaborador pode racionalizar, mas essa propensão à sociabilidade e à cooperação "gratuitas", desinteressadas, é o que nos distingue como espécie". (reportagem completa no site abaixo) Fonte: http://idgnow.uol.com.br/internet/2006/03/16/idgnoticia.2006-03-15.5636532715/IDGNoticia_view?pageNumber=4 -- Jonathan Pereira Bibliotecário / CRB-8° 091/2005 oserbibliotecário.blogspot.com (repositório das reportagens anteriores) [EMAIL PROTECTED]
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