Por *Carlos Heitor Cury*
em Folha Online <http://www.folha.com.br>
11 abril 2006

Alguns estudiosos afirmam que a mercadoria mais importante do mundo moderno
é a informação. Pensando bem, foi sempre mais ou menos assim. Quem detinha a
informação era poderoso --daí que a mídia foi elevada a quarto poder, tese
contra a qual sempre me manifestei, achando que a mídia é uma força mas não
o poder.

Com a chegada da internet, suas imensas e inesperadas oportunidades, o
monopólio da informação pulverizou-se. Os jornais, creio eu, foram os
primeiros a sentir o golpe, os livros logo em seguida, havendo até a
previsão de que ele acabará na medida em que se limitar ao seu atual desenho
gráfico, que vem de Gutenberg.

Acontece que, mais cedo ou mais tarde, a mídia impressa ficará dependente
não dos seus quadros profissionais, de sua estrutura de captação das
informações. Qualquer pessoa, a qualquer hora do dia ou da noite, acessando
blogs e sites individualizados, ficará por dentro do que acontece ou
acontecerá.

Na atual crise que o país atravessa, a imprensa em muitas ocasiões foi
caudatária do que os blogs informavam duas, três vezes ao dia. Em termos de
amplidão, eles sempre ganharão de goleada da imprensa escrita e falada.

O gigantismo da internet tem porém pés de barro. Se ganha no alcance, perde
no poder de concentração e análise. Qualquer pessoa, medianamente informada
ou sem informação alguma, pode manter uma fonte de notícias ou comentários
com responsabilidade zero, credibilidade zero, coerência zero.

O mercado da informação, que formaria o poder no mundo moderno, em breve
estará tão poluído que dificilmente saberemos o que ainda não sabemos: o que
é mentira e o que é verdade.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult505u241.shtml


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Jonathan Pereira
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