Por *Fabíola Salvador* e *Lígia Formenti*
em O Estado de S. Paulo <http://www.estado.com.br>
19 abril 2006

O governo preparou uma relação com 3 mil nomes tradicionais da
biodiversidade brasileira para divulgar internacionalmente e, assim, evitar
que virem marca em outros países. Entre os itens estão o cupuaçu, o açaí, o
maracujá, o pinhão, o umbu e o cajá. A lista, que deve ser apresentada na
semana que vem, será entregue em forma de software aos maiores escritórios
de patente mundiais localizados na Europa, Estados Unidos e Japão. Todas as
vezes que um pedido de marca for apresentado, esses escritórios poderão
consultar a compilação de nomes comuns da biodiversidade brasileira e, dessa
forma, evitar o registro.

Trata-se de uma iniciativa inédita no mundo, segundo integrantes do grupo
que a formulou. E deve evitar casos como o do registro indevido do cupuaçu.
Em 1998, a empresa japonesa Asahi
Food<http://www.asahibeer.co.jp/english/companye/groupcompany.html>registrou
o nome da fruta e, depois disso, passou a exigir o pagamento de
US$ 10 mil em royalties sobre qualquer produto que levasse o nome no rótulo.
Foi preciso que organizações não-governamentais ingressassem com uma ação e
derrubassem o registro, o que ocorreu em 2004.

Um levantamento da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual
(ABPI<http://www.abpi.org.br>)
divulgado em março identificou 84 casos em que nomes típicos da fauna
brasileira são usados como marcas em outros países.


*MAL-ESTAR*

A relação deveria ter sido lançada ontem com pompa por representantes de
todos os ministérios envolvidos - Agricultura<http://www.agricultura.gov.br>,
Meio Ambiente <http://www.mma.gov.br>, Relações
Exteriores<http://www.mre.gov.br>e Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior <http://www.desenvolvimento.gov.br>. Mas
Agricultura antecipou-se e fez um comunicado sobre o lançamento, provocando
imenso mal-estar. As outras pastas ressentiram-se e o evento acabou adiado,
provavelmente, para a próxima semana.

O Ministério da Agricultura divulgou que a lista seria mais extensa, com
cerca de 5 mil itens, incluindo nomes da fauna, flora e microorganismos da
biodiversidade brasileira, como a espirulina, uma espécie de alga.
Integrantes de outros ministérios, no entanto, afirmam que a relação de
nomes, em sua primeira versão, poderá ser mais enxuta e conter apenas termos
da flora, totalizando 3 mil itens.

Os nomes foram escolhidos nos últimos dois anos. Para a compilação,
integrantes do Grupo de Propriedade Intelectual se valeu de material de
internet, trabalhos publicados em revistas especializadas e pesquisas sobre
cultura popular. Do grupo faziam parte representantes do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama<http://www.ibama.gov.br>),
da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa<http://www.embrapa.br>)
e do Instituto Brasileiro de Propriedade Intelectual
(INPI<http://www.inpi.gov.br>
).


Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2006/04/19/ger95283.xml


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Jonathan Pereira
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