Bom dia colegas.
Escrevi para revista dizendo o que todos já sabem: José Mindlin é BIBLIÓFILO e 
não BIBLIOTECÁRIO. Espero que eles publiquem a correção.
Até mais,
Ana Lídia Campos Sales
Biblioteca Sarah/Salvador.

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> De:   Jonathan Pereira[SMTP:[EMAIL PROTECTED]
> Responder:    Lista de Discussão e Divulgação sobre Bibliotecas e Informação 
> Digital na Internet
> Enviada:      Thursday, May 04, 2006 12:14 PM
> Para:         Grupo - Bib_virtual
> Assunto:      [Bib_virtual] [OFF_TOPIC] O maior bibliotecário do Brasil
> 
> <<Arquivo: ATT88411.txt>>
> Por *Célia Chaim*
> em ISTOÉ <http://www.terra.com.br/istoe>
> 3 maio 2006
> 
> É uma vida inteira dedicada aos livros - velhos, raros, novos, usados. O
> empresário José Mindlin, 91 anos, se move com exacerbado carinho pelas obras
> literárias. Ele chega ao ponto em que consegue reconhecer a idade de um
> volume apenas tocando em sua textura. Mindlin é um candidato fortíssimo para
> a escolha de um novo integrante da Academia Brasileira de Letras em junho,
> quando o Brasil entra na Copa do Mundo. Seu recente livro, *Uma vida entre
> livros*, é delicioso. Mas ele já escreveu muito, sempre para estimular a
> leitura, sua verdadeira paixão - uma paixão que brotou ao lado de uma
> jabuticabeira, no jardim de sua casa, onde plantou sua grande relíquia: a
> maior biblioteca particular do Brasil, hoje com 40 mil títulos. Não dá para
> reduzir sua grande paixão à palavra "patrimônio". Fica feio, desmerece o que
> ele certa vez chamou de "uma loucura mansa". Muito mais que um amigo dos
> livros, ele é acolhedor, simples, como todo intelectual de grande time. Não
> gosta de holofotes, prefere as luzes amenas e aconchegantes de seu imenso
> tesouro, os livros. Paixão que alimenta com fervor desde os 13 anos. A
> biblioteca vem de seu amor pela leitura e do prazer de manusear as páginas.
> "Não gosto de livro difícil, a não ser excepcionalmente, e com boas razões,
> como com Proust, Joyce e Guimarães Rosa, por exemplo." Age como um zeloso
> bibliotecário a valorizar o que há de mais expressivo na história da
> literatura. Na verdade, ele é um bibliófilo, denominação complicada para seu
> gosto por leituras simples.
> 
> Como nem só de livros vive o homem, Mindlin tornou-se um grande empresário,
> dono da Metal Leve, fabricante de pistões que nos anos 60 equipavam motores
> de aviões americanos. Era a queridinha das montadoras, aqui e lá fora. Veio
> a globalização e não conseguiu suportar a concorrência. Como tantas outras,
> foi parar nas mãos de grupos estrangeiros, no caso o grupo alemão Mahle.
> Houve até choradeira, algo inusitado na venda de empresas, mas essa era de
> José Mindlin, nome que significa "ética" e que era o rosto da indústria.
> 
> Conformado com a realidade brasileira, entre os anos 1994 e 1997, Mindlin
> limitou-se a dizer que com a venda a empresa iria ficar mais forte. A Metal
> Leve foi fundada em 1949, com amigos. Para ele, o que importa foi o papel
> social que a empresa conseguiu exercer. "Ela tinha obrigações culturais que
> não poderiam ser ignoradas", diz. Foi assim que começou a patrocinar edições
> fac-símiles de documentos sobre a literatura brasileira. Com sua filha
> Diana, Mindlin cuidou do aspecto gráfico das obras. Ressurgiram publicações
> como *A Revista*, editada por Carlos Drummond de Andrade, e a *Revista de
> Antropofagia*, um dos mais importantes documentos do modernismo brasileiro.
> 
> Nascido em São Paulo, foi o terceiro entre os quatro filhos de um casal de
> russos que imigraram para o Brasil no final do século XIX. Tinha 13 anos
> quando, em 1927, já fuçava livrarias e sebos para comprar seus primeiros
> livros. Entre eles, um que contava a história do Brasil e que estava
> recheado de indicações bibliográficas. Mindlin seguiu todas as indicações e
> percorreu várias livrarias, perguntando pelas obras citadas, que já eram bem
> raras. Recebeu apenas uma resposta - da Livraria Francisco Alves, no Rio de> 
> Janeiro. "Meus pais me deram de presente uma edição chamada *História do
> Brasil*, publicada em seis volumes, em 1862. Aí, sim, foi o começo da
> história."
> 
> Dono de uma alegria que sempre levou vida afora e de um humor implacável
> ("graças a Deus, eu sou ateu"), José Mindlin agora se prepara para ver sair
> do
> seu quintal sua árvore mais frondosa, a biblioteca. Numa decisão da família,
> a parte dedicada ao Brasil (mais da metade da coleção) será doada à
> Universidade de São Paulo (USP), num projeto de 20 anos. "A idéia é que a
> biblioteca não se pulverize, não se espalhe e que, num período de 100 anos,
> não seja privatizada", explica seu filho Sérgio.
> 
> Quem o conhece diz que ele é muito bem-humorado, seguindo uma frase de
> Montaigne com que sua filha Diana o presenteou: "Je ne fais rien sans
> gaieté" (não faço nada sem alegria). "Nem sempre consigo, mas pelo menos
> tento." E parece que foi com humor que ele conquistou sua amada Guita
> Kauffman. Ele estava na Faculdade de Direito da USP quando a viu pela
> primeira vez. Ela estava cercada por moços que tentavam convencê-la a se
> inscrever em algum partido estudantil. "Olhei para aquela confusão, ela no
> meio. Então me aproximei e disse-lhe que aquilo era bobagem, que o bom
> partido dali era eu'', conta. Os dois se casaram e tiveram quatros filhos:
> Betty, Diana, Sérgio e Sônia. Deles vieram os dez netos - e mais sete
> bisnetos. Todos crescendo à sombra da imensa biblioteca. Guita e Mindlin
> estão juntos há 67 anos. Isso sim é o que ele define como legítima
> "fidelidade partidária".
> 
> 
> Fonte:
> http://www.terra.com.br/istoe/1906/comportamento/1906_maior_bibliotecario_do_brasil.htm
> 
> 
> --
> Jonathan Pereira
> oserbibliotecario.blogspot.com
> 
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