Por *Andrea Vialli*
em O Estado de S. Paulo <http://www.estado.com.br/>
7 maio 2006

"A nova ordem é oferecer música de graça para as pessoas." Com essa
filosofia está sendo criada a Free Records <http://www.freerecords.com.br/>,
a primeira gravadora brasileira com artistas licenciados sob o conceito de
Creative Commons, uma forma mais flexível de direito autoral que vem
conquistando artistas em todo o mundo.

Criado pelo professor Lawrence Lessig, da Universidade de Stanford, nos
Estados Unidos, o conceito Creative Commons
<http://creativecommons.org/>tornou-se um projeto que concede licenças
jurídicas para a produção
intelectual, mas de um jeito mais livre. Músicas, textos, livros e filmes
ficam disponíveis para serem acessados livremente, desde que não seja feito
uso comercial deles.

A Free Records vai operar dentro do conceito. Em vez de vender CDs, a
gravadora vai disponibilizar os álbuns de seus artistas gratuitamente no
site, atualmente em construção. "A idéia surgiu pela observação do mercado,
porque vender CDs já não lá lucro há muito tempo. Em dez anos o CD não vai
mais existir", afirma, profético, Fernando Ceal, sócio idealizador da Free
Records.

A gravadora vai funcionar de modo semelhante a qualquer empresa do ramo.
"Vamos produzir os discos, gravá-los e colocá-los no site para download",
conta Ceal. E como vão ganhar dinheiro? "A idéia é vender produtos
derivativos, como ringtones (toques para telefone celular) e organizar
festivais de música com artistas do nosso casting", explica.

Atualmente são quatro bandas, ainda desconhecidas do grande público - Vento
Motivo, Dr. Zero, Quatro Cantos e Denny Caldeira e os Borbulhantes. A idéia
é atingir o público jovem. Para Ceal, é uma nova forma de lidar com a real
situação da indústria fonográfica, às voltas com a pirataria e com o
download caseiro de música no formato MP3.

Para Ronaldo Lemos, professor de Direito da Fundação Getúlio
Vargas<http://www.fgv.br/>e coordenador do projeto Creative
Commons no Brasil <http://www.creativecommons.org.br/>, a ferramenta vem
fazer as pazes com a tecnologia. "É uma forma do artista dizer que não se
importa com alguns usos que se façam com a obra dele."

Para artistas mundo afora, tem se mostrado uma excelente ferramenta de
divulgação. Já são 53 milhões de obras licenciadas dentro do conceito. Um
exemplo é a gravadora Jamendo <http://www.jamendo.com/>, na qual todas as
obras estão disponíveis para usufruto do internauta.

Uma amostra do que há disponível em Creative Commons também pode ser vista
no site www.overmundo.com.br, idealizado pelo antropólogo Hermano Vianna,
que reúne produção cultural. Gilberto Gil já lançou faixas dentro do
conceito, e a gravadora Trama <http://www.trama.com.br/> também tem
licenciado artistas dessa forma. "É uma forma atualizada de equilibrar o
interesse do consumidor com o do produtor de cultura", sintetiza Lemos.


Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2006/05/07/eco112153.xml


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Jonathan Pereira
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