Teresa,

Interessante o debate que busca trazer aqui.
Nós bibliotecários - antes cidadãos do mundo - também estamos nesse mundo
onde grandes 'indústrias' como Google e Yahoo convencem e seduzem cada vez
mais os mais jovens e até nós (vejam só!). E estes jovens deixam de ler
livros para... expor idéias e opiniões num Orkut. E que seriam muito
importantes num outro veículo.
Será este um retrocesso ou um estímulo indireto à escrita e à leitura, ou
seja, aos livros ?
Estamos ainda numa época de incertezas...

Marcos

Em 08/08/06, Teresa Silva <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

Fonte: http://nominimo.ibest.com.br

Paulo Roberto Pires

O livro morreu? Viva o livro!

08.08.2006 |  Éramos 148 editores de livros e
revistas. Vindos de 32 países, de Ruanda à Suécia,
isolamo-nos por onze dias no campus da Stanford
University para, de longe, tentar enxergar melhor os
desafios de nossos mundos. "Desafio", aqui, não é
figura de linguagem: de que serve o papel impresso num
mundo atolado até o pescoço de informação,
entretenimento e estímulos bem mais reluzentes do que
a página de livro, revista e jornal?

Desde 1978 os Stanford Publishing Courses repetem o
mesmo ritual, uma imersão nos problemas,
complexidades, perdas (muitas) e ganhos (escassos) da
cada vez mais difícil arte de ganhar a vida com a
palavra impressa. No ar abafado de Palo Alto, pairava
a tentação do diagnóstico alarmista: "o livro
morreu?". Nas entrelinhas de cada aula, uma resposta
que tampouco se teve coragem de bradar: "viva o
livro!"

Stanford é o berço das novas e novíssimas tecnologias
de informação. Nos alojamentos da universidade,
nasceram o Yahoo e o Google. Plantada no Silicon
Valley, conjuga tradição inabalável com arrojos sem
paralelo. E esta identidade da universidade funciona
como uma metáfora perfeita para o curso de Book
Publishing: afinal este é, em todo mundo, um business
muito especial, que como um outro qualquer movimenta
somas espetaculares e operações transnacionais mas
que, como poucos outros, depende ainda fortemente de
um núcleo artesanal – que é, finalmente, o trabalho do
editor.

São assombrosos os números dos best sellers, assim
como os valores das disputas por direitos autorais.
Fenômenos como "Harry Potter" fazem com que o mundo
inteiro gaste seus olhos com as mesmas histórias.
Poucos grupos internacionais dominam editoras-chave em
diversos países, uniformizando sucessos e buscando
esconjurar o que se vê como "fracassos". E, no fundo
disso tudo, é preciso admitir, estão decisões pouco
científicas ou calculadas que, por incrível que
pareça, ainda fazem a diferença fundamental neste jogo
pesado.

Um veteraníssimo executivo americano batizou sua aula
de "Meus grandes erros". Ao longo de uma hora, contou
suas inúmeras decisões equivocadas – menos como uma
lição de moral do tipo "meninos, não façam o que eu
fiz" do que como uma sábia advertência: o imponderável
ainda é um fator determinante neste negócio, por mais
que o trabalho tenha se tornado quase científico. É
assim, na base da intuição, que nascem best sellers e
se perdem inúmeras oportunidades "imperdíveis".

Um outro grande executivo, que saiu direto das
revoltas estudantis de 1968 para o mercado do livro,
não conseguiu até hoje decidir entre razão e
sensibilidade. Ele já vendeu livros de livraria em
livraria, já dirigiu uma mega-corporação e hoje é
agente literário de sucesso. Para ele, os executivos
"brincam de bingo" nas planilhas de custos enquanto o
trabalho verdadeiro é decidido no olho-no-olho, no
alarme que dispara na primeira leitura de um sucesso
em potencial – um alarme que também, como se viu, pode
perfeitamente "enguiçar".

Ambos são legítimos representantes da "velha escola",
mas acabam tendo muito em comum com os defensores mais
ferrenhos das novas tecnologias e estratégias
minuciosamente planejadas para o mercado editorial. E
este ponto em comum é, especialmente, o fascínio pela
grande qualidade tecnológica deste estranho objeto
que, em qualquer lugar, pode erguer e destruir mundos,
disparar imaginação, levar à ação, emocionar e fazer
pensar: o livro.

O fato é que não há palmtop, e-book ou qualquer outra
traquitana mais inteligente do que os maços de papel
encadernados que, como a gente, envelhecem e,
diferentemente de nós, têm a virtude de permanecer no
tempo. E aí vai pouco idealismo e bastante
pragmatismo: livros e putas, escreveu Walter Benjamin,
"podem-se levar para a cama". E, relacionando uns e
outras, o filósofo alemão continuava no célebre ensaio
"Rua de mão única": "Livros e putas – raramente vê seu
fim alguém que os possui".

Éramos, como eu dizia, 148 editores – de revistas
populares e chiques, de editoras de todos os tamanhos
e personalidades, diretores editoriais e designers,
proprietários de grandes empresas ou
funcionário-diretor-office boy de um negócio nascente.
Nas salas de aula, viramos... alunos. Havia intriga
contra o colega mais chato (logo identificado),
atenções especiais para as colegas bonitas, bagunça
antes de começar a aula, festa depois da aula, tensão
e correria na véspera de apresentação do trabalho
final para os professores.

Assim, distantes de nossas rotinas até nos detalhes
mais cotidianos, andando de bicicleta para não perder
nenhum compromisso numa intensa agenda iniciada às 8
da manhã (sem sábado nem domingo de folga), pudemos
perceber o quanto podemos ainda estar tateando as
novas possibilidades do livro. E, também, constatar
que a melhor solução para esta "crise" do livro está
no próprio livro. Ou melhor, na óbvia e difícil aposta
neste objeto genial, feito de papel, costura, cola e,
por que não, muita confiança no poder, ainda
inabalável, da palavra impressa.





_______________________________________________________
Novidade no Yahoo! Mail: receba alertas de novas mensagens no seu celular.
Registre seu aparelho agora!
http://br.mobile.yahoo.com/mailalertas/


_______________________________________________
Bib_virtual mailing list
[email protected]
https://listas.ibict.br/mailman/listinfo/bib_virtual

_______________________________________________
Bib_virtual mailing list
[email protected]
https://listas.ibict.br/mailman/listinfo/bib_virtual

Responder a