Colegas,
sofremos um grande roubo na Biblioteca Mário de Andrade. As notícias de
jornal são diferentes e desencontradas, como sempre, mas na média seguem os
principais fatos.
Envio a matéria do Estadão, um pouco diferente da Folha de S. Paulo e do O
Globo, que estã disponíveis na internet.
Rizio Bruno Sant'Ana
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Biblioteca Mário de Andrade
São Paulo - SP - Brasil
Obras raras desaparecem da Biblioteca Mário de Andrade
De acordo com as autoridades, outras obras podem ter sido levadas da
biblioteca sem que se tenha percebido
Patrícia Villalba, de O Estado de S. Paulo, 7 de setembro de 2006
SÃO PAULO - A direção da Biblioteca Mário de Andrade, a segunda mais
importante do País, anunciou nesta quarta-feira, 6, o furto de quatro obras
da área mais restrita de seu Departamento de Obras Raras e Especiais.
Foram levadas três litogravuras aquareladas - de Steinmann, Debret e
Rugendas - e um livro de orações de 1501, em pergaminho, da biblioteca que
fica na região central de São Paulo.
"É lamentável e constrangedor. Estamos fazendo um levantamento no acervo,
pois é possível que o roubo seja ainda maior", informou o diretor da
biblioteca, Luís Francisco Carvalho Filho. "Não há dúvida de que sofremos a
ação de uma quadrilha, que agia por encomenda e sabia exatamente o que
procurar."
O caso é acompanhado desde segunda-feira, 4, pelo delegado Mário Jordão, da
1ª Seccional do Centro. O roubo foi descoberto no final da tarde de
quinta-feira, 31, e por enquanto não se sabe quando ocorreu ou até mesmo se
as obras foram levadas de uma única vez ou em várias ações.
A direção da biblioteca deu pela falta das obras quando a instituição
recebeu a visita de uma curadora que pretendia tomar emprestada uma das
obras, para compor uma exposição sobre o século 19. "Quando nos demos conta
do sumiço, iniciamos um levantamento e percebemos que outras obras faltavam
no acervo", explica o diretor.
No momento, a pedido da polícia, o levantamento foi suspenso, para que não
impeça a busca por pistas que possam levar aos autores do roubo. "Existe a
possibilidade que outras obras tenham sido levadas."
As litogravuras foram destacadas com estilete de livros raríssimos, todos do
século 19. Eles estavam em grandes armários de aço, que escondem os mais
preciosos tesouros da biblioteca. São cerca de 10 mil volumes, considerados
raríssimos entre os 40 mil raros da BMA.
Para chegar até ali - um lugar escondido, que poucos funcionários sabem até
mesmo em qual dos 22 andares da torre de livros - é preciso passar por
algumas salas, a última delas fechada com cadeado, mas que não é protegida
por câmeras.
Só três bibliotecários - o chefe do setor e seus assistentes - têm acesso
livre à chave de tranca tripla dos pesados armários de aço. E não há nenhum
sinal de arrombamento. Por esse motivo, a direção da biblioteca e a polícia
trabalham com a hipótese do autor do furto seja um funcionário ou alguém que
tenha tido a ajuda de um deles.
"A pessoa que fez isso, passou o estilete nos livros dentro da sala de
leitura. Ela teve tempo para fazer, porque pode abrir outros livros que
estavam embalados, por exemplo, e escolher o que levar", anota o diretor. "E
o volume não é grande, mas também não é algo que você possa dobrar e botar
no bolso."
Com 80 anos, a Mário de Andrade se mantém precariamente de pé. Há anos não
pode receber um livro novo, porque não há lugar, e sofre com problemas
graves de infra-estrutura, como goteiras. Em novembro, deve finalmente
fechar para uma ampla reforma.
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