Candidatos recebem manifesto do livro
Os senadores Cristovam Buarque (PDT) e Heloisa Helena (PSol) foram os
primeiros candidatos a presidente a receber o Manifesto do Povo do Livro
Dois candidatos a presidente da República, os senadores Cristovam Buarque,
do PDT, e Heloisa Helena, do PSol, receberam nesta terça-feira (05/09), em
Brasília, o Manifesto do Povo do Livro, um documento assinado por mais de
1.500 escritores, dirigentes e profissionais do livro e da leitura no
Brasil. As duas cerimônias aconteceram no Café Literário, dentro da Feira do
Livro de Brasília, que ficou lotado de escritores, bibliotecários,
livreiros, editores e educadores.
Os dois candidatos receberam o documento e se comprometeram a incorporar as
questões apresentadas pelas personalidades da área do livro no Brasil em
seus programas de governo e, sobretudo, a implementá-las caso sejam eleitos.
Cristovam esteve pela manhã no local e Heloisa Helena no início da tarde. Os
dois percorreram a feira, foram reconhecidos e conversaram com leitores e
deram autógrafos.
O escritor e cartunista Ziraldo, que falou em nome dos escritores, destacou
a importância da leitura na Educação e fez uma veemente defesa do papel da
leitura para o desenvolvimento do país e da cidadania. O presidente da
Camara Brasileira do Livro (CBL), Oswaldo Siciliano, disse que começa a
haver uma pressão cada vez maior por parte da sociedade para que o livro e a
leitura sejam incluídos na agenda nacional de temas importantes. O diretor
da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) no Brasil, Daniel
González, enfatizou a necessidade do fortalecimento dessa política pública
que é o mais forte elo entre Educação e Cultura.
Mais de 1.500 personalidades - desde escritores como Fernando Morais, Frei
Betto, Luiz Rufatto e os acadêmicos Moacyr Scliar, Nélida Piñon, Carlos
Nejar e Arnaldo Niskier a educadores como Tânia Rosing e Guiomar Namo de
Mello e personalidades como o ator Paulo Betti, o jurista Goffredo da Silva
Telles Júnior e a vice-presidente da Fundação Victor Civita, Cláudia
Costin - assinaram o manifesto. Entre as dezenas de entidades que apóiam a
iniciativa estão a Associação Nacional dos Editores de Revistas (ANER), a
União dos Dirigentes Municipais de Ensino (Undime), a União Brasileira de
Estudantes (UNE) e a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES).
A campanha para fazer o livro e a leitura terem maior espaço nas ações
governamentais reúne todas as principais lideranças nacionais e regionais do
livro no Brasil. União Brasileira de Escritores, Câmara Brasileira do Livro,
Sindicato Nacional de Editores de Livros, Associação Brasileira de Editores
de Livros (Abrelivros), Liga Brasileira de Editores (Libre), Associação
Nacional de Livrarias, a Associação Brasileira de Autores de Livros
Educativos (Abrale), e Associação dos Escritores e Ilustradores de
Literatura Infantil e Juvenil (AEI-LIJ) e o Conselho Regional de
Biblioteconomia são algumas das entidades participantes.
A campanha é coordenada pelo Escritório da Organização dos Estados
Ibero-americanos (OEI), organismo internacional que propôs aos presidentes
dos países da região ibero-americana uma ação mais forte na área como forma
de promover o desenvolvimento social e econômico na região. A campanha vai
continuar até a posse do novo presidente, inclusive com a publicação de
anúncios em jornais e revistas e debates em diversas regiões do país.
O MANIFESTO
O manifesto faz um apelo àquele que for governar o Brasil a partir de 2007
para que a questão do livro e da leitura no país passe a ter o tratamento de
política de Estado e seja incluída entre as prioridades nacionais como forma
de obter o desenvolvimento econômico e social. A prática da leitura e da
escrita, diz o documento, deve ser vista como "estratégia de enfrentamento
do drama da fome, da pobreza, da ignorância e da violência urbana para
colocar o Brasil (...) no rumo do desenvolvimento, da justiça social e da
solidariedade".
O documento faz referência aos avanços que houve na área nos últimos anos em
diferentes governos, mas chama a atenção para a necessidade de o próximo
presidente aprofundar as ações - dotando a área de estrutura de gestão e
orçamentos compatíveis - e sobre a situação da leitura no país. Ele lembra,
por exemplo, que só um em cada quatro brasileiros consegue ler textos mais
complexos - como o livro e reportagens nos jornais e revistas - por causa do
analfabetismo e do analfabetismo funcional.
Ainda de acordo com o texto, as crianças do país têm ocupado os últimos
lugares nos estudos internacionais sobre compreensão leitora, colaborando
para estancar o índice nacional de leitura em menos de 2 livros lidos por
habitante/ano. As saídas para enfrentar essa realidade adversa foram
debatidas por 40 mil lideranças durante as comemorações no Brasil do Ano
Ibero-americano da Leitura, o Vivaleitura, celebrado em 2005 em 21 países.
Lançamento de Caderno
Além do Manifesto do Povo do Livro, Cristovam Buarque e Heloisa Helena
também receberam o caderno Políticas Públicas do Livro e Leitura, que está
sendo lançado pela OEI em parceria com a Cultura Acadêmica. Organizado por
Galeno Amorim e com prefácio do diretor da OEI no Brasil, Daniel González, a
publicação traz textos assinados por personalidades ligadas aos principais
candidatos à Presidência. Chico Alencar (PSol), Cristovam Buarque (PDT),
Glauber Piva/Hamilton Pereira (PT) e Maria Helena Guimarães Castro (PSDB)
são os co-autores da obra. Na introdução, o secretário-executivo do Plano
Nacional do Livro e Leitura (PNLL), José Castilho Marques Neto, faz uma
análise sobre 2005 como marco para o início das mudanças que estão em
andamento na área.
Os próximos encontros serão os com os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Para assinar o Manifesto do Povo do Livro,
basta acessar www.oei.org.br/manifesto.htm.
Maiores informações:
Organização dos Estados Ibero-americanos - OEI
61 3321-9955
E-mail: [EMAIL PROTECTED]
www.oei.org.br/manifesto.htm
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