fonte: www.portalbibliotecario.com.br

Sobre o bibliotecário



Lucília Maria Sousa Romão

Um rápido olhar sobre a história da escrita e das bibliotecas é capaz de
revelar a dimensão do passeio humano pelos caminhos de expressão, da
tentativa de guarda e estocagem da memória. Mobilizando barro, cera,
papiros, pedra, metal e couro animal, uma trilha de interpretações foi
percorrida em suportes diversos, sinalizando a ilusão de que o tempo e o
espaço poderiam ficar ali encapsulados. Deriva daí a superfície de um
imaginário de suposto prestígio, dessa tarefa de preservar pensamentos para
além do tempo de vida de seus atores e protagonistas.

O investimento humano na construção desses espaços é determinado por
relações sociais, em que os lugares de posse eram reservados a determinados
círculos, fechados e dominantes, posto que não eram todos que dispunham de
autorização e poder para adentrar o mundo dos livros e dos acervos. A base
de sustentação de tais círculos só pode ser compreendida na distribuição
desigual de saberes e poderes. Apenas alguns eleitos debruçavam-se sobre os
materiais guardados, assim, a marca de pertencimento a determinado grupo ou
classe social era a senha para o acesso ao espaço físico e imaginário da
leitura. A biblioteca, local já falado no Egito como: "O tesouro dos
remédios da alma", não se apresentava aberta aos escravos, plebeus e
analfabetos; também não guardava todo e qualquer documento. Algumas obras
eram "escolhidas", pelo bibliotecário, para ocupar espaço nas estantes,
institucionalizando, assim, a importância delas, ao mesmo tempo em que se
excluíam outras obras, tidas como indesejáveis e, assim, merecedoras de um
apagamento.

Pergunta-se: qual processo político define tal tarefa de selecionar? Como
relações sócio-históricas estabelecem esse movimento de dar visibilidade a
certos livros e não a outros? O que leva o profissional a identificar o
lugar exato dos livros, tratado-os como importantes e merecedores de
crédito, prontos a deitarem-se sob estantes das bibliotecas e integrarem
acervos, enquanto outros livros são considerados menos valiosos? Tais
questões sinalizam o processo sócio-histórico de saberes e poderes, que
define o que pode e/ou deve ser guardado; o que merece persistir como
vestígios do tempo para as gerações vindouras e quais escritos que devem ser
destinados ao lodo do esquecimento.

Esse movimento basculante de guardar (e esquecer) livros constitui um
exercício reflexivo que vai bem além do trabalho técnico de catalogar,
indexar e afixar códigos e organizar acervos, visto que reclama a
compreensão o que está nas bordas desse fazer, isto é, a interpretação de
processos e não apenas de produtos. Exige também que, além de olhar, ler e
conferir o que está escrito nas lombadas dos livros, eles sejam abertos e
vasculhados em suas reentrâncias, opacidades e deslimites. Entretanto, o
mais recorrente é o esquecimento desses fazeres e o aprisionamento do
bibliotecário à tarefa de manter a ordem, resguardar o silêncio, conferir
entradas e saídas, domesticar o uso e assumir o lugar de bedel das obras,
enfim, um guarda a garantir a guarda do acervo. Há indícios de que, nos
últimos vinte anos, vários profissionais têm buscado assumir novos sentidos,
deslocando-se dessa posição e enunciando de outra forma, embora tais
mudanças ainda sejam tímidas.

Lucília Maria Sousa Romão é professora da USP (Universidade de São Paulo),
campus de Ribeirão Preto



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----- Original Message -----
From: "Jonathan Pereira" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Grupo - Bib_virtual" <[email protected]>
Sent: Monday, September 11, 2006 3:47 PM
Subject: [Bib_virtual] [BIB_NEWS] Projeto dá livros virtuais gratuitos aos
mais pobres


Por *Magnet* <http://magnet.pro.br/>
em Terra Tecnologia <http://tecnologia.terra.com.br/>
6 setembro 2006

Um novo projeto da Universidade de Geórgia <http://www.uga.edu/>, nos
Estados Unidos, coordenado por um dos especialistas de desenvolvimento de
código aberto, Rick Watson, tem como objetivo levar informação a nações mais
pobres através de livros virtuais gratuitos, que poderão ser baixados e
impressos para distribuição.

"O modelo padrão de negócio para livros escolares simplesmente não funciona
nesses países. Porque não juntar grupos de acadêmicos e seus estudantes para
escrevê-los?", declarou o coordenador, que explicou que mesmo com as
editoras normalmente cortando os custos de livros pela metade para países em
desenvolvimento, em determinados locais um livro pode ter custo equivalente
a um quinto do salário anual médio, como é o caso de Uganda.

Hoje o projeto conta com ajuda de cerca de 80 acadêmicos de diversos países,
que contribuirão com a produção e tradução dos livros, realizada através de
um sistema wiki <http://wiki.org/>, de edição aberta, que consagrou a
enciclopédia virtual Wikipédia <http://www.wikipedia.org/>. O site, que a
princípio deve ser viabilizado financeiramente através de doações, em algum
tempo deve procurar patrocínio corporativo.

A partir de 2007, uma equipe de tradutores começará a passar o conteúdo
existente para o espanhol, árabe e chinês, o que ampliará consideravelmente
o alcance do projeto.

Por ser livre para colaborações, o projeto pode enfrentar problemas
semelhantes aos vistos na Wikipédia, onde o vandalismo ou desconhecimento de
textos publicados coloca em xeque a reputação de suas informações. Para este
caso, qualquer edição realizada por pessoas que não sejam os acadêmicos
registrados, será inserida em cor diferente, que mostrará ao leitor que
aquele conteúdo não é tão confiável quanto o resto do texto.

Segundo o site NewScientistTech <http://www.newscientisttech.com/>, além da
versão online, que pode ser encontrada através do endereço globaltext.org,
uma versão para download também será disponibilizada para os visitantes, que
terão direito de imprimi-la para distribuição.

Um livro de XML completo já pode ser encontrado, em inglês, para
visualização no endereço. Outros dois projetos estão em andamento, um deles
versando sobre de sistemas de informação e o outro sobre fundamentos
comerciais.

--
Jonathan Pereira
http://oserbibliotecario.blogspot.com
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https://listas.ibict.br/mailman/listinfo/bib_virtual

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