Descuido com os livros de universidades causa prejuízo Osny Tavares Especial para o JE
Cíntia (nome fictício), estudante em uma conceituada faculdade particular de Curitiba, solicitou à biblioteca da instituição a compra de um livro no qual ela tinha interesse. Três semanas depois, um a funcionária ligou para ela avisando que o livro havia chegado. Cíntia retirou-o no balcão e em seguida foi até o refeitório, onde encontrou o namorado. Em um ato de descuido, o rapaz derramou café em cima do exemplar. Impulsivamente, Cíntia arrancou as páginas ainda úmidas e quentes e, no dia seguinte, pediu a uma amiga que devolvesse o livro danificado no lugar dela. "Foi uma estupidez", reconhece ela. "Depois eu vi que não precisava ter arrancado". O prejuízo causado por atitudes como esta virou tema de uma exposição na biblioteca da Unibrasil. Os livros, que foram inutilizados pelo setor devido a estragos, são um retrato nada compatível com a imagem que um estudante universitário deveria transparecer. "Alguns alunos sublinham as obras, arrancam páginas ou até mesmo capítulos inteiros para estudar para as provas", conta Elisabeth Capriglioni, bibliotecária da Unibrasil e idealizadora da exposição. Segundo ela, cerca de 30 livros precisam ser recuperados todos os meses pela instituição. "Se a gente não ficar atento na hora da devolução, vamos receber livros que saíram novos e voltaram estragados", diz. Elisabeth acredita que a exposição servirá para conscientizar os alunos quanto à importância da conservação do acervo: "Quando os alunos entram no curso, percebemos que muitos deles não sabem sequer como se comportar em uma biblioteca". Além do uso indevido, os livros de uso coletivo também são vítimas de "catástrofes naturais" como derramamento de líquidos e incêndio, além de alvos fáceis do instinto destrutivo de cachorros e crianças pequenas. Em Curitiba, as universidades Federal do Paraná (UFPR), Tuiuti, PUC, UnicenP e Unibrasil possuem setores próprios para a restauração das obras. O acervo dessas instituições, somado, chega a 775 mil volumes, e aproximadamente 1,2 mil precisam ser recuperados a cada mês. O procedimento mais comum é xerocopiar as páginas faltantes de outro exemplar e reinserir no livro incompleto. Mas algumas vezes o "enxerto" não é possível. "Já aconteceu de nós termos seis exemplares de um livro e em todos o mesmo capítulo ter sido arrancado", relata Neusa Ramos, bibliotecária da PUC. Há casos, entretanto, em que as obras estão irremediavelmente perdidas. Nas faculdades particulares, o maior problema é a não-devolução de alunos que saíram ou se transferiram para outra instituição. Na UFPR, porém, o aluno que não devolver o material retirado tem a sua matrícula bloqueada. "Acho que a nossa única dificuldade, em relação às instituições privadas, é a demora um pouco maior na liberação de verbas para restauração, mas nós temos projetos e fundos de desenvolvimento que suprem isso", explica Lilia Maria Bitar Neves, bibliotecária da Federal. Quando não há outra solução, a única saída é comprar novamente os títulos, caso ainda estejam presentes no catálogo das editoras. Mas se a obra for rara, a falta na estante será permanente. Elisabeth, da Unibrasil, percebe que "por ser uma universidade paga, os alunos exigem um acervo amplo e atualizado, mas para isso acontecer é necessária a conscientização de que todos são responsáveis por ele", diz. Fonte: http://www.jornaldoestado.com.br/index.php?VjFSQ1VtUXlWa1pqU0ZKUFVrZDRVVlZyWkdwTlZsRjNWRzFHYVZKclNsWldiR2h1VUZFOVBRPT0= -------- Leonardo Melo http://www.musitexto.net http://www.biblioentrevistas.blogspot.com "Um homem não é ridículo pelas qualidades que não tem; um homem é ridículo pelas qualidades que simula ter." _______________________________________________ Bib_virtual mailing list [email protected] https://listas.ibict.br/mailman/listinfo/bib_virtual

