Bloqueio no ciberespaço: Cuba acusa EUA de impedir seu acesso à Internet
Os Governos cubano e venezuelano assinaram acordo para instalar um cabo
óptico submarino entre os dois países
Fernando García escreve de Havana para o jornal “La Vanguardia”, de Espanha
JC e-mail 3206, de 15 de Fevereiro de 2007.
Navegar pela Internet nem sempre é fácil no Caribe. Em Cuba, o acesso à rede
é lento, caro e limitado. O bloqueio dos EUA impede que a ilha se conecte
aos cabos de fibra óptica que passam muito perto de suas costas, como
informou nesta quarta-feira, o ministro cubano de Informática e
Comunicações, Ramiro Valdés Menéndez, ao inaugurar em Havana a Convenção e
Exposição Internacional Informática 2007.
Como alternativa, Cuba utiliza uma ligação via satélite que torna as
conexões mais lentas e caras. O governo alega essa condição, assim como sua
estratégia de prioridades sociais no uso da rede, para explicar as
restrições que aplica ao acesso à Internet. Limitações que poderão ser
reduzidas em poucos anos por meio de um link submarino alternativo que
conectará Cuba à rede da Venezuela. A Internet entra em cheio na geopolítica
da região.
O canal via satélite que Cuba utiliza, habilitado em 1996, proporciona uma
largura de banda muito pequena em comparação com o cabo (65 megabytes por
segundo de download e 124 de upload). Qualquer modificação do canal exige
licença do Departamento do Tesouro dos EUA.
As leis do bloqueio americano "não só nos proíbem a aquisição de
equipamentos e programas de informática de companhias americanas, como, por
seu caráter extraterritorial, perseguem nossas operações com empresas de
outros países", queixou-se o ministro Valdés, um histórico do governo e
comandante da revolução liderada pelo agora convalescente Fidel Castro.
As ações e intervenções americanas nessa guerra informática incluem, segundo
Havana, a proibição de que instituições e cidadãos americanos utilizem a web
para transações eletrônicas com instituições cubanas, assim como o bloqueio
de downloads de software e informações (inclusive gratuitas) se o número IP
for identificado com Cuba.
As autoridades do país caribenho acreditam que, além disso, as empresas
provedoras de serviços e tecnologias fornecem informação aos órgãos de
inteligência dos EUA, o que torna necessário um "constante aumento dos
níveis de segurança" das redes na ilha. O problema dos custos não é menor.
Cuba paga mais de US$ 4 milhões por ano por um link com a Internet que, além
de ser mais lento e ter menor capacidade, sai de 15% a 25% mais caro que o
do cabo.
Havana não oculta suas restrições ou "medidas de segurança e controle" no
fornecimento de acesso à Internet, as quais dificultam a contratação de
serviços de Internet; mas as justifica nessa situação de excepcionalidade
criada pelo embargo americano. Como o link por satélite é precário, o
governo optou pelo que chama de estratégia de "apropriação social das
tecnologias da informação", que dá prioridade às comunidades científicas,
educativas e culturais.
Diante de relatórios internacionais que situam Cuba nos últimos lugares em
penetração da Internet, Havana enfatiza o rendimento social que obtém dessa
utilização comunitária. "O cavalo selvagem das novas tecnologias pode e deve
ser domado, e as telecomunicações devem ser postas a serviço da paz e do
desenvolvimento", resumiu ontem Valdés.
Cuba e Venezuela assinaram em 24 de janeiro um acordo para estender de costa
a costa em cerca de dois anos um cabo óptico de 1.550 quilômetros. É a
vertente tecnológica da aliança cada vez mais notória entre os dois países e
seus líderes.
(Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves)
(La Vanguardia, Uol.com/Mídia Global, 15/2)
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