Biblioteca Nacional empilha 40 mil livros por falta de espaço
Consulta a acervo completo só será possível daqui a um ano, quando anexo
para periódicos ficar pronto
Beatriz Coelho Silva escreve para “O Estado de SP”:
Para que o público tenha a acesso a 40 mil livros recebidos pela Biblioteca
Nacional (BN) desde 2005 – além de no mínimo 30 mil que ainda vai receber em
um ano – será preciso esperar até que um anexo na zona portuária do Rio
fique pronto. Por causa da falta de prateleiras para guardá-los, após a
catalogação eles são empilhados.
Por lei, toda publicação brasileira - livro, jornal, revista ou cartaz -
deve ter dois exemplares enviados à BN, responsável pela preservação da
produção gráfica do país. Nem todos os editores cumprem a lei, mas mesmo
assim chegam a cada mês 4 mil exemplares de jornais e revistas e 2,5 mil a 3
mil livros.
“A Biblioteca Nacional é o último recurso, onde o pesquisador busca o que
não encontrou em nenhuma outra”, explica a diretora do Centro de Referência
e Difusão da instituição, Carmem Moreno. “Mas a sede faz cem anos em 2010,
ficou pequena para a produção bibliográfica atual.”
A inauguração do anexo só deve ocorrer no início de 2008. Além da demora, a
saída encontrada para abrir espaço aos livros tem prazo de validade curto.
“Quando o anexo ficar pronto, em um ano, a hemeroteca (coleção de
periódicos) vai para lá e o espaço que ocupa atualmente será para os livros”,
diz . “O anexo desafoga por uns quatro anos e depois temos de achar outra
solução”, diz Carmem.
Além da falta de espaço, o processo de microfilmagem de periódicos está
atrasado. Sempre houve defasagem, mas uma greve que durou três meses, em
2005, embolou mais ainda o trabalho. Pressionando a capacidade da BN de dar
conta do recado, na última década o número de publicações no País cresceu
muito.
16 km de prateleiras
“Com o anexo, teremos mais 16 km de prateleiras num prédio adequado para
guardar jornais e revistas, que são muito pesados.” O imóvel, ao lado da
Cidade do Samba, foi um silo. A reforma é financiada pela Petrobrás. Para lá
serão levadas também as oficinas de microfilmagem de jornais e revistas, que
ocupam muito espaço, pois o processo exige que cada exemplar tenha todas as
páginas passadas a ferro e fotografadas. O trabalho é lento e caro.
Atualmente, os grandes jornais estão microfilmados só até o início desta
década. Com a mudança para o anexo, o processo será agilizado. Ainda assim,
até a copiagem ficar atualizada será preciso esperar alguns anos, segundo
Carmem. “A idéia é que os periódicos sigam diretamente para lá e, no futuro,
se crie a Hemeroteca Brasileira, com administração independente”, diz a
diretora. Em janeiro, a BN realizou 7.300 atendimentos, um terço deles na
sessão de periódicos.
(O Estado de SP, 3/3)
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