O novo livro
(do blog de Pedro Dória no site www.nominimo.com.br
<http://www.nominimo.com.br> )
Na Weekly Standard, David Skinner conta de sua experiência
<http://www.weeklystandard.com/Utilities/printer_preview.asp?idArticle=13447&R=112B5EEE1>
com o Sony Reader
<http://www.sonystyle.com/is-bin/INTERSHOP.enfinity/eCS/Store/en/-/USD/SY_BrowseCatalog-Start?CategoryName=pa_pdr&Dept=audio&DCMP=reader0307_banner&HQS=nyreview&CMP=airport>
, a proposta de livro eletrônico da Sony. É um aparelho como Palm só que do
tamanho aproximado de um livro no qual se pode armazenar livros eletrônicos
comprados da loja eletrônica da Sony. A empresa promete, no futuro, maior
distribuição do catálogo de livros.
"O Reader, que estou testando faz algumas semanas, deixa claro que livros não
são mais essenciais para o prazer da leitura. Também deixa claro que os
fabricantes têm lá seu jeito de ir melhorando os equipamentos que fazem. Eles
sabem disso.
O aparelho custa 350 dólares sem nenhum livro carregado. Como mede 13 por 18cm,
tem mais ou menos o tamanho de um livro pequeno. É fino e leve, mais fácil de
carregar do que um volume de capa dura. Só a tela já vale todos os elogios para
a Sony. Diferentemente de um monitor de computador, que precisa de luz de
fundo, não tem profundidade e traz resolução ruim, a tecnologia E Ink da Sony é
quase tão boa quanto papel. Para ler, é preciso ter uma fonte externa de luz,
como o papel - ou seja, não resolve seu problema na cama quando há alguém
dormindo ao lado -, mas ler um romance nele não traz qualquer desconforto."
O aparelho tem formato proprietário, então não é qualquer livro eletrônico que
ele lê. E a oferta - todos livros em inglês - é pouca. Isto mudará, de acordo
com a Sony. Lê PDF, mas arquivos produzidos tipicamente com o formato Carta
ficam muito reduzidos na tela. Folhear não tem nada de elementar, tampouco
produzir anotações. Já marcar páginas é fácil - nunca mais um marcador fará
falta no momento da interrupção.
Aí provavelmente vai do fetiche de cada um. Minha experiência musical mudou
radicalmente com o iPod - ouço mais música do que jamais ouvi, embora isto não
fosse lá muito de início. Ter o aparelhinho comigo sempre, no entanto, é ter
praticamente todos meus discos à mão. No momento de Springsteen, ele está ali.
Caetano também.
E se um aparelho destes fosse o equivalente a uma biblioteca? Tenho amigos que
não viram dificuldades em desalojar seus CDs mas continuam com os LPs nas
prateleiras.
O hábito é de cada um. Leio mais de um livro ao mesmo tempo. No momento, a
autobiografia do teólogo alemão Hans Küng, um policial do norte-americano
Dennis Lahane e, por conta de uma reportagem na manga, um volume chamado A
corte no exílio, sobre a estadia da família real em Terra Brasilis - além dumas
duas revistas do mês que estão na pasta. Pesam eles todos juntos. E a dor nas
costas ao fim do dia o acusa. A desorganização literária é de inteira
responsabilidade do blogueiro. Então, sim, é um bocado agradável a idéia de
carregar uma maquininha com todo este material.
De manhã, no metrô, dá para decidir o que ler clicando numa tecla.
O problema - e aí entra o fetiche - é que se livrar das estantes em constante
crescimento, daquela trilha de lombadas multicoloridas que a cada mudança dão
prazer de arrumar, é inviável. Quando entra a coleção - aquele livro que
faltava às prateleiras que contam a história do Rio de Janeiro - fica ainda
mais difícil a idéia de abandonar tudo. Some-se a isto o prazer da bela
encadernação, de couro com papel marmorizado, do livro com mais de século, com
mais de dois - mais de três ou quatro. Aquela aquisição num sebo.
O problema do eBook é que, embora prático, não compete com o fetiche dos
livros. Um fetiche que vai além do fetiche: cada volume conta, um pouco, um
momento da vida, tem uma memória. Isto não é nada, certamente, que as novas
gerações não possam simplesmente descartar em favor da praticidade.
Publicado por Pedro Doria <mailto:[EMAIL PROTECTED]> - 3/04/07 12:01 AM
<http://pedrodoria.nominimo.com.br/?p=1499>
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