Prof Aldo, e colegas da lista,

Há alguns dias, li aqui nessa lista o artigo do Prof Aldo - artigo copiado 
abaixo - e de súbito fiquei de acordo com o tema principal: "gestão" × 
"conhecimento" são conceitos "em má companhia".

Em particular, atenho-me a duas afirmações nesse artigo:

     (1) "No final do processo de geração do conhecimento não haverá, no 
conjunto de pessoas, uma massa homogênea por ser fruto de uma fonte comum, mas 
uma coleção de percepções individualizadas"

     (2) "Conceitos em má companhia são desculpáveis em alguns ambientes, mas 
completamente impróprios em outros"

Mas não tenho certeza de ter compreendido totalmente a essência do artigo, e da 
articulação entre essas duas afirmações.

Prof Aldo, incorro em erro grave se eu resumir que o conhecimento é individual, 
pessoal, interno, e justamente por isso não se pode, sobre ele, exercer uma 
gestão, um gerenciamento, uma administração, algo externo?

Algo como "produto interno" × "processo externo"?

É por essa razão que estariam esses dois conceitos "em má companhia"?

Foi essa a sua intenção?

Obrigado,

Pedro Izzo

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Conceitos em má companhia
Aldo Albuquerque - "[email protected]"

Pelas minhas reflexões selvagens acredito que o conhecimento acontece no 
indivíduo que se apropria por sua percepção de informações remetidas pelo meio 
que habita. A geração de conhecimento é uma reconstrução das estruturas mentais 
do sujeito através de elaborações de sua consciência cognitiva, sensibilidade e 
inteligência.

Penso que esta apropriação é subjetiva e diferenciada para cada indivíduo e 
acontece na privacidade de sua solidão fundamental. É uma interiorização 
independente da estrutura em que está a informação ou do número de pessoas 
conectadas com a mesma informação. No final do processo de geração do 
conhecimento não haverá, no conjunto de pessoas, uma massa homogênea por ser 
fruto de uma fonte comum, mas uma coleção de percepções individualizadas.

Seja no isolamento da leitura individual ou no povoamento de uma rede na web a 
interiorização do conhecimento nunca será homogênea, de massa. Será sempre uma 
agregação de heterogeneidades.

O ser humano é privilegiadamente uno na lucidez de sua inteligência para 
assimilar a informação, mas nunca competitivo ou coletivo ao se posicionar no 
momento do conhecimento.

A inteligência como "lucidez é um dom e um castigo. Está tudo em uma palavra. 
Lúcido vem de Lúcifer, o arcanjo rebelde, o Demônio. Lúcifer é também o luzeiro 
do amanhecer, a primeira estrela, a que mais brilha e a última a se apagar. 
Lúcido vem de Lúcifer, Lúcifer, de Lux e Ferous que quer dizer: aquele que tem 
luz. Que gera luz. Que permite a visão interior. Deus e Demônio tudo junto. O 
prazer e a dor. Lucidez é dor, e o único prazer que podemos conhecer, o único 
que se parece remotamente à alegria é o prazer de permanecer consciente da 
própria lucidez. O silêncio da compreensão, o silêncio do simples estar. E 
nisto se vão os anos, nisto se foi a bela alegria animal". [Alejandra 
Pizarnik]. [http://www.cibernetic.com/ALE/index.html]

Conceitos como inteligência, conhecimento, percepção, competição, gestão, 
coletivo podem se juntar, e ficar em má companhia,. Isto para atender a 
interesse da moda ou de um marketing de atração ou para simular a novidade. No 
mundo do entretenimento ou do espetáculo podem ser combinações sem maldade para 
suprir a pauta do palco ou renomear o antigo para torná-lo mais atrativo na 
aprendizagem de extensão.

Se informação quer conduzir ao homem livre e iluminado; se a inteligência 
indica o entendimento e a articulação de significados para uma referência 
subjetiva entre o sinal e o referente; e se a competição relaciona uma busca 
simultânea, de dois ou mais indivíduos, por uma melhor vantagem individual, 
então a reunião dos três conceitos estabelece uma má companhia pelo menos na 
ética dos templos voltados ao saber.

Da mesma forma, entendemos que os modos de observar o mundo têm variado ao 
longo do tempo. Com a Internet foi prestigiada a idéia de que, na busca do 
conhecimento, o pensamento e o espaço coletivo, predominam sobre a 
individualidade da inteligência. Contudo, acredito que o espaço do conhecimento 
público agrega inteligências individuais e privadas. Estes espaços, ou redes, 
unem fragmentos que podem alinhavar um mosaico para se intuir um significado 
novo ou mais criativo. Nunca se deve confundir a informação que circula neste 
estado coletivo com uma massa homogênea e uniforme, fruto da reunião de muitas 
inteligências.

O escritor Pierre Lévy que cunhou o termo inteligência coletiva escreve logo no 
início do seu livro do mesmo nome: "Como deve ter ficado claro a inteligência 
coletiva não é um objeto puramente cognitivo. A inteligência deve ser aqui 
entendida como a expressão trabalhar em perfeito acordo ou no sentido que tem 
quando se fala em entendimento com o inimigo." *

Conceitos em má companhia são desculpáveis em alguns ambientes, mas 
completamente impróprios em outros.

* Levy, P, Inteligência Coletiva, Instituto Piaget, 1994, Lisboa
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