Via Jornal da Ciência

Ciência para todos, artigo de Marcelo Leite
         
CNPq, Fapesp e Capes devem seguir o exemplo dos EUA

Marcelo Leite é autor de "Promessas do Genoma"
(Editora da Unesp, 2007) e de "Clones Demais" e "O
Resgate das Cobaias", da série de ficção
infanto-juvenil Ciência em Dia (Editora Ática, 2007).
Blog: Ciência em Dia (www.cienciaemdia.zip.net).
E-mail: [EMAIL PROTECTED] Artigo publicado na
“Folha de SP”:

Não foi só o presidente Lula que aproveitou o apagar
das luzes de 2007 para agradar cientistas, facilitando
a importação de materiais e equipamentos para pesquisa
(instrução normativa da Receita Federal nº 799, de 26
de dezembro). George W. Bush seguiu seu exemplo e
assinou, na mesma data, norma que determina o acesso
público a todo artigo científico com resultados de
pesquisas financiadas pelos Institutos Nacionais de
Saúde (NIH) de seu país.

Trata-se de um reforço importante para o movimento do
acesso aberto, segundo o qual a ciência depende da
circulação livre de idéias e resultados para se
realizar plenamente. Antes da internet, isso era
garantido por periódicos como "Nature" e "Science",
que se encarregavam de organizar a auditoria da
qualidade conhecida como revisão por pares ("peer
review") e recebiam bem por isso, na forma de
assinaturas caríssimas.

Os NIH são o maior financiador de pesquisas biomédicas
dos EUA, com um orçamento anual de US$ 28,9 bilhões
(R$ 51,2 bilhões, R$ 10 bilhões a mais do que todo o
investimento previsto para os próximos quatro anos
pelo PAC da ciência e tecnologia). A decisão de Bush
tem impacto enorme, mas não chega a ameaçar a
sobrevivência das editoras que enchem as burras com os
periódicos científicos.

Essas publicações continuarão a receber centenas,
milhares de artigos dos EUA e do mundo todo. Os
pesquisadores não vão abrir mão de seu alto índice de
impacto, o número médio de citações obtido por artigos
ali publicados (coisa de 31, no caso da "Nature", e
30, no da "Science"). Mas terão de depositar os mesmos
trabalhos, no prazo máximo de 12 meses, em diretórios
de acesso público, como o PubMed
(www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed).

Os periódicos comerciais continuarão tendo
exclusividade por um ano sobre a pesquisa de ponta no
mundo. A medida de Bush é mais tímida do que a
determinação de um dos maiores financiadores do Reino
Unido, o Wellcome Trust, que estipula seis meses no
máximo. Isso para não falar do número crescente de
cientistas que opta por divulgar seus trabalhos em
periódicos abertos, como os das famílias PLoS
(www.plos.org) e BMC (www.biomedcentral.com).

No Brasil, como de hábito, anda-se com atraso. Não
existe norma obrigando pesquisadores a dar publicidade
livre a seus trabalhos. Há duas iniciativas, contudo,
que lutam a duras penas para aumentar o acesso público
aos resultados da ciência: os portais Periódicos
(www.periodicos.capes.gov.br) e SciELO
(www.scielo.br).

São dois modelos um tanto diferentes. A Capes segue a
via convencional de garantir acesso de cientistas
brasileiros, em bloco, ao texto de 11.419 "journals"
do mundo todo, ferramenta de pesquisa bibliográfica
que se tornou indispensável. A cada ano, arranca
acordos milionários -das editoras, de um lado, e da
equipe econômica do governo federal, de outro- para o
que na realidade é um acesso restrito (só
pesquisadores podem ler e baixar os artigos
científicos recentes).

A SciELO, apesar do nome anglófilo (Scientific
Electronic Library Online), de certa maneira é mais
ousada, na medida em que tenta interferir no modelo de
publicação, não só no de acesso. O portal, criado há
dez anos em São Paulo, reúne 137 mil artigos de quase
500 revistas científicas do Brasil, Argentina, Chile,
Colômbia, Cuba, Portugal, Venezuela e Espanha.

Só falta agora CNPq, Fapesp, Capes e outras
instituições de fomento seguirem o exemplo dos NIH e
do Wellcome Trust.
(Folha de SP, 6/1) 



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