Estudo vê maior inclusão digital no Brasil
Fonte: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/032008/31032008-1.shl
Data: 31 de março de 2008 

BRASÍLIA - Apesar do que chamou de "lentidão", o secretário de Ciência e 
Tecnologia para a Inclusão Digital do Ministério da Ciência e Tecnologia, Joe 
Valle, disse que o país tem razões para comemorar o Dia Nacional de Inclusão 
Digital, festejado no sábado 29. 

Segundo o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação 
(Cetic), até o ano passado quase metade (47%) da população brasileira jamais 
havia utilizado um computador. Em 2006, outra pesquisa do órgão indicava que 
54% dos brasileiros estavam na mesma situação. 

Embora os dados de 2007 indiquem que 59% da população nunca tinham acessado a 
rede mundial de computadores e que apenas 24% dos domicílios possuíam 
computadores, o Cetic considerou que houve um forte aumento na posse e no uso 
das tecnologias da informação e comunicação, já que em 2006 esses índices eram 
de 67% e 20%, respectivamente. 

Valle aponta que várias instituições e ministérios trabalham para democratizar 
o acesso ao universo digital e que é preciso considerar as particularidades 
nacionais. "Mesmo com todo o esforço do governo na questão da inclusão digital, 
há um aumento pequeno. Agora, é preciso considerar o tamanho do país, as 
necessidades básicas que vêm sendo atendidas. Com as pessoas podendo se 
alimentar e com o aumento do poder de compras, a próxima etapa é que elas se 
insiram na sociedade da informação", disse o secretário à Agência Brasil 

O secretário argumentou que devido ao tamanho do território brasileiro e à 
diversidade cultural, os projetos governamentais têm de adquirir "uma 
musculatura" que exige tempo e um trabalho coordenado: "O esforço pela inclusão 
digital tem de ser muito grande e, logicamente, precisava de uma coordenação, 
hoje a cargo do assessor especial da Presidência da República, César Alvarez. 
Somente assim poderemos enxergar os horizontes ainda não alcançados." 

Segundo Valle, o Ministério da Ciência e Tecnologia investirá, até 2010, cerca 
de R$ 50 milhões na criação de 2 mil telecentros, de centros vocacionais 
tecnológicos, além de ajudar o Ministério da Educação a informatizar escolas 
públicas. "Não basta colocarmos as máquinas. Há um complemento, como o conteúdo 
que será colocado nessas máquinas. E também a questão da conectividade, que é 
fundamental para conseguirmos a efetividade do processo de inclusão digital", 
disse. 

O esforço maior, acrescentou, é garantir a sustentabilidade dos telecentros. 
"Um dos grandes gargalos, hoje, é como os telecentros podem continuar 
funcionando após o término do convênio com a instituição pública. Dos cerca de 
14 mil telecentros implementados já há os que funcionam plenamente, de forma 
sustentável. Caberá à coordenação do processo pegar estes casos de sucesso para 
que eles sejam replicados em vários outros lugares". 

Valle comparou o acesso ao conhecimento das tecnologias digitais à 
alfabetização: "Trata-se de ter como crescer, como se desenvolver, de ter renda 
e ter o conhecimento necessário para melhorar a qualidade de vida. Se a pessoa 
não tem acesso à internet, aos computadores, estará cada vez mais fora do 
mercado de trabalho. A questão digital é fundamental para o dia-a-dia das 
pessoas, pois dependemos dos computadores para quase tudo."

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Prof. Murilo Bastos da Cunha, Ph. D.
Universidade de Brasília
Dept. Ciência da Informação e Documentação
Brasília, DF 70910-900  Brasil
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