----------

Mitos e lendas da informação

Relacionamos abaixo conceitos e explanações que por sua própria longa existência poderiam ser reexaminadas pelo passar do tempo:

" As novas tecnologias da informação e da comunicação - quando significando o conjunto de tecnologias relacionadas a Internet, a web, a base digital única, o teleprocessamento e microeletrônica. É uma lenda; uma expressão envelhecida e errada, pois as tais novas tecnologias tem quase 20 anos e são uma já velha tecnologia. A própria interface web vai para sua terceira versão. O que.contudo, não impede que outras novas tecnologias da informação surjam a cada seis meses.


" Conhecimento Tácito: é um mito. A existência de uma de base de informação, seja ela oral, textual, digital, sonora ou imagética e a sua apropriação por um receptor precedem o conhecimento subjetivo; isto é uma conclusão coerente do estado da arte da ciência da informação; acredita-se que o conhecimento tácito existe inato no indivíduo. É algo que prescinde e precede uma estrutura de informação e uma apropriação pelo receptor, pois se acredita congênito e não se exprime explicitamente por palavras nem pode ser evidenciado ou manifestado em um formato inscrito.

E' algo que de algum modo se deduz, pois esta' no mundo do secreto e das crenças. O conhecimento tácito inexiste fora da crença. Um conhecimento só pode ser criado se formatado, fora da crença e se o indivíduo que o possui tenha condições de inscrevê-lo primeiro em uma estrutura de informação de qualquer tipo com qualquer código, para então, possibilitar sua transferência e apropriação por outros seres humanos que compartilham o mesmo universo semântico.

" Gestão do conhecimento - Mito. Conceitos como os de "gestão do conhecimento", "base de dados de conhecimento" são um modismo aceitável na simplicidade do pensamento das notas leves da mídia, mais inaceitável na academia, principalmente no campo que teoriza sobre este assunto, pois entendemos tratar-se de uma falha conceitual e uma impossibilidade teórica. O conhecimento acontece unicamente na consciência do receptor; é subjetivo e único para cada pessoa.

Para que o conhecimento opere é necessária uma transferência da informação para a realidade dos receptores. Nesse momento nada é menos homogêneo que a informação, pois nada é mais subjetivo, particular, privado e individual que, a assimilação de uma informação pelo receptor. Na solidão da assimilação o receptor é uno e a apropriação da informação é dele, de mais ninguém. É este o lugar do conhecimento.

" Adicionar valor a informação - Lenda. Pelas características de individualidade e subjetividade da informação recebida só quem pode adicionar valor a uma peça de informação é o receptor. Os gerentes dos estoques podem adicionar custo a informação para torná-la mais adequada e acessível aos receptores. O mercado de informação, se existe, é atormentado pela relação preço - valor.

A mesma "mercadoria" informação possui diferente valor para diferentes consumidores. Configurar um preço de equilíbrio é quase impossível, pois o preço pode estar muito abaixo ou muito acima do valor que, diferentes usuários lhe atribuem. Por razõão semelhante a informação também, não é um insumo ou um fator de produção; por definição todo fator de produção perde suas características, desaparece, no processo de produção para surgir o novo produto. Isto é claro não acontece com a informação. As meadas de algodão, por exemplo, desaparecem na fabricação do casaco. O que não quer dizer, porém, que não existe informação agregada ao processo de transformação, no nosso exemplo desde a plantação até a colheita e processamento do algodão.

" A comunicação da Informação - Lenda. Na comunicação da informação o gerador é na maioria das vezes uma instituição ou um grupo e o receptor é um grande aglomerado de gente, uma "massa", o público, um todo que se quer homogêneo, não diferenciado. Existe uma relação de impessoalidade entre os atores do início e do fim da cadeia de eventos.

A mensagem de comunicação é uma decorrência do canal que a comunica e quando colocada em uma ponta fatalmente vai sair na outra para ser assimilada ou não. A comunicação trata com a notícia, o recado verbal ou escrito, do fato ou idéia provocador por uma ruptura na aflição do passar o tempo. A mensagem deve ser transmitida, rapidamente, depois do acontecido, na quebra do cotidiano.

A ciência da Informação caracteriza o seu gerador, nomeia seu autor; estuda as necessidades do receptor e faz seu perfil, este usuário pode ser somente um indivíduo ou um grupo com afetividade orgânica de interesses informacionais. A ciência da informação estuda o canal mais adequado, para melhor entregar a informação com base na natureza da sua narrativa. A ciência da informação distribui, dissemina, transfere uma informação heterogênea para usuários heterogêneos.

" Inteligência competitiva - Mito por conceitos em má companhia. Conceitos como inteligência, conhecimento, percepção, competição, se juntam para ficar em má companhia ou para atender a interesse da moda ou do marketing de atração e da novidade. No mundo do espetáculo podem ser combinações, sem maldade, para renomear o antigo e torná-lo mais atrativo.

Se informação quer fazer o homem mais livre e iluminado para uma convivência adequada; se a inteligência indica acordo, harmonia, entendimento recíproco na articulação de significados; e se a competição envolve uma busca simultânea, de dois ou mais indivíduos, por uma maior e melhor vantagem individual, então a reunião dos três conceitos estabelece briga ideológica.


" Inteligência coletiva - Mito. Com a Internet foi prestigiada a idéia de que, na busca do conhecimento, o pensamento e o espaço coletivo predominam sobre a individualidade da inteligência. O espaço do conhecimento público agrega inteligências individuais, privadas. Estes espaços, ou redes, unem fragmentos que podem se alinhavar em um mosaico para se intuir um significado novo e criativo. Mas não pode ser homogeneizado.

Não se deve confundir a informação que circula neste estado coletivo com uma massa homogênea e uniforme fruto da reunião de muitas inteligências em consciências individuais. O escritor Pierre Lévy que cunhou o termo Inteligência Coletiva escreve logo no início do seu livro do mesmo nome: " Como deve ter ficado claro a inteligência coletiva não é um objeto cognitivo. A inteligência deve ser aqui entendida como a expressão trabalhar em perfeito acordo ou no sentido que tem quando se fala em entendimento com o inimigo."

As colocações que fizemos acima existem no entendimento deste autor o que não significa que sejam aceitas ou compartilhadas na área de informação.

Aldo de A Barreto

_______________________________________________
Bib_virtual mailing list
[email protected]
https://listas.ibict.br/mailman/listinfo/bib_virtual

Responder a