Caro Aldo,

Excelente e oportuna provocação.

O que também me espanta é que os concursos - que deveriam refletir a
necessidade de um perfil adequado ao mercado atual -  também se
prendem a  estes modelos jurássicos de profissionais bibliotecários.

Percebo um ciclo vicioso: os cursos não formam profissionais com a
necessária competência informacional e visão da atualidade; o
profissional não se vê com potencial de atuar em novos contextos,
parece não perceber que a Biblioteca não é o único espaço para a
informação (apesar do discurso nessa direção); o mercado, por sua vez,
não enxerga a necessidade de profissionais com diversas competências
próprias ou oriundas da Biblioteconomia, porém descolados da velha
Biblioteca, integrados no ciberespaço, participativos, atuando em
redes  de colaboração, voltados ao usuário de informação, aos fluxos,
aos processos informacionais, não à coleção.

Cabe hoje ao bibliotecário agregar novas competências de informação ao
usuário, no paradigma das redes, ajudando-os a encontrar informações
que atendam a sua real necessidade, esteja esta informação na
Biblioteca ou em qualquer outro local, em meio físico ou virtual, em
documentos ou em pessoas (conhecimento tácito), levar os usuários a
interagirem. Saber transitar entre o papel de provedor - que vai se
tornando cada vez menos necessário - e o de orientador, de formador de
competência informacional é um dos maiores desafios que se apresenta
ao bibliotecário. o que exige mudanças no foco da profissão,
capacidade de antevisão e de se adequar às transformações, antes que
outros o façam.

Em vez de um futuro promissor, quando a informação, objeto da
profissão do Bibliotecário, ganha luz própria, vemos as ameaças
advindas da "viseira" que parece dominar boa parte dos órgãos de
governo que definem as bases e as exigências da profissão, dos cursos
e dos conselhos profissionais corporativistas e arraigados à tradição
biblioteconômica.

Mas não é tão espantoso, afinal, se a profissão é fortemente endógena,
se só costuma se alimentar da visão dos próprios bibliotecários, que
em geral, (há exceções, mas não é a regra) só lêem a literatura
produzida na área, só participam de eventos específicos e  vêm a
Biblioteca tradicional como locus principal ou único de atuação, fica
difícil realizar as necessárias mudanças.

A esperança está nos - ainda poucos - estudantes e profissionais que
conseguem perceber esta dinâmica.

É preciso ousar e inovar urgentemente, acreditar que ainda não passou
o último trem...

Regina Cianconi



Em 09/11/08, [EMAIL PROTECTED]<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> ----------
> fechar os olhos e viver em um passado de lendárias glórias
>
>
> A produção de artefatos convencionais de
> informação cresce em volume, continuamente
> formando os estoques, os quais representam
> quantidades estáticas armazenadas com grande
> custo fixo de produção e manutenção: acervos de
> livros acabados, figuras, periódicos e sua
> atualização, etc. Esta condição da informação
> convencional e provinciana na capacidade de
> produção ocasiona implicações técnicas econômicas e políticas.
>
> O aumento constante e cumulativo no volume dos
> estoques desta informação armazenada afetará
> diretamente a produtividade e o custo dos
> produtos convencionais devido à sua relação
> desigual com a demanda por recuperação de itens
> de informação necessários para distribuição
>
> A situação ilustra a condição técnica em que se
> configuram os custos nas unidades de informação.
> O crescimento constante no volume dos estoques de
> informação irá afetar a capacidade de produção
> dos artefatos de informação. Este crescimento dos
> elementos que determinam o custo de produção
> implicará em um rendimento decrescente na escala
> de produção, isto é, as unidades de informação
> produzem mais que o necessário, pois esta
> ineficiência é necessária para atender aos
> requisitos de qualidade esperados pelos usuários
> do sistema de armazenamento e recuperação
> tradicional. Mas isso acontece com enormes custos
> crescentes na economia tradicional de produção de
> informação. Principalmente dos custos fixos
> associados a capacidade fisica de produção.
>
> Na nova economia da produção da informação
> digital acabam estes custos fixos relacionados
> com a necessidade de se produzir dentro de uma
> capacidade de produção estabelecida por padrões
> de uma "planta" física de produção. Assim, em
> condições digitais na rede, tanto faz produzir:
> dez unidades do produto de informação como mil
> unidades do mesmo produto, pois o custo de
> produção será praticamente o mesmo, já que a
> produção está livre da incidência dos custos
> fixos,da capacidade de produção, da armazenagem
> física e distribuição do produto.
>
> Esta  nova economia de produção de informação que
> influenciará intensamente na mudança da
> tecnologia básica do processo de transformação
> dos artefatos de informação que, no curto prazo
> deixarão de ser convencionais para serem quase totalmente digitais.
>
> Isso acontecerá por uma razão econômica, técnica
> e racional de rendimentos decrescentes; uma
> decisão do coerente do administrador que de outra
> forma estaria agindo irracionalmente. Uma decisão
> que nada tem a ver com a emotividade de se querer
> acabar ou manter documentos impressos em papel.
>
> Tratar,  somente, de organizar e controlar a
> informação em acervos estáticos de
> informação,  que não geram conhecimento,  é uma
> condição de almoxarifagem  de objetos de
> informação; para isso é uma aprendizagem de curto
> prazo e em nível não acadêmico. É uma pratica
> nobre como qualquer ocupação paralela do sistema
> de produção do conhecimento, mas é marginal a ele.
>
> Contudo, , ainda, não chegou , nos tradicionais
> cursos de biblioteconomia, os  acontecimentos da
> nova economia de geração de documentos e  dos
> formatos digitais, o novo regime de informação
> para onde estão indo os  usuários.
>
> Oitenta por cento dos currículos de graduação
> estão dedicados a disciplinas  de organização e
> controle e guarda de insumos de informação
> como:  Métodos e Técnicas de Pesquisa
> Bibliográfica, Informação Aplicada à
> Biblioteconomia, Produção dos Registros do
> Conhecimento, Formação e Desenvolvimento de
> Coleções, Controle Bibliográfico dos Registros do
> Conhecimento, etc.. O gerenciamento acadêmico
> destes cursos  não está em foco com sua contemporaneidade.
>
> São desprezíveis, nestes cursos,  os créditos
> exigidos  para o estudo da comunicação da
> informação adequada ao usuário. Quase nada é
> atribuído ao aprendizado das tecnologias Intensas
> de informação e sua transferência, quando os
> documentos estão em formato digital.
>
> O bibliotecário, como diversas outros
> profissionais, foi atingido pela intensa
> revolução das novas técnicas de informação
> e  deveria saber que é hora de atravessar de um
> para outro lado sem  desprezar, nesta passagem,
> seu conhecimento adquirido, mas adaptá-lo a um
> novo contexto. Ele precisa ir para onde estão
> indo os seus usuários. Pouco adianta fechar os
> olhos e viver em um passado de lendárias glórias,
> mas de um saber suplantado. Infelizmente, há que
> notar que,  o penúltimo trem já partiu e poucos partiram nele.
>
> Aldo de A Barreto
>
>
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