Fonte: Jornal do Brasil. Data: 1/3/2009
URL: http://jbonline.terra.com.br/nextra/2009/03/01/e010317852.asp
EUA - Acadêmicos, pesquisadores e até mesmo estudiosos da História do 
beisebol perceberam recentemente o desaparecimento de alguns arquivos de 
jornais mais antigos até há pouco disponíveis na Web. Os problemas surgiram 
depois que o site PaperofRecord.com, uma coleção de mais de 20 milhões de 
páginas de jornais, se fundiu ao Google News Archive.
O dilema, descobriram os pesquisadores, é que o Google encontrou 
dificuldades para reformatar as imagens dos jornais e adquirir os direitos 
de exibição do conteúdo de algumas das publicações mais antigas, e por isso 
bloqueou, ao menos temporariamente, o acesso a alguns dos arquivos.
Existe uma visão idealizada da Web como uma espécie de armazém geral do 
conhecimento humano, e no sentido da amplitude daquilo que se pode descobrir 
com uma busca aleatória no Google, isso é verdade. Mas apesar de toda essa 
abertura, a Web provou ser um receptáculo ineficiente para a preservação 
histórica, e boa parte do tesouro que ela abriga fica perdido em um 
labirinto de páginas de Web alteradas, links quebrados e sites eliminados.
O diretor da Biblioteca Britânica recentemente alertou em artigo para o 
jornal Observer que, se essa memória digital não for reparada, corremos o 
risco de "criar um buraco negro para os futuros historiadores e escritores".
Os arquivos do Sporting News, conhecido como "a Bíblia do beisebol" e 
fundado em 1886, estão entre as publicações que caíram vítimas da transição 
da PaperofRecord.com ao controle do Google. Alguns jornais mexicanos antigos 
também estão indisponíveis, lamentam os acadêmicos.
Preservar a História na Web é difícil até mesmo para o Google, cuja missão 
declarada é a de "organizar a informação do mundo e torná-la universalmente 
acessível e útil".
- Estamos fazendo o melhor que podemos para encontrar uma solução que inclua 
o máximo possível do conteúdo adquirido - disse um porta-voz do Google sobre 
a transição do arquivo de jornais.
Mas à medida que a proporção cada vez maior de nossa memória coletiva ganha 
abrigo online, cresce o perigo de que percamos o conteúdo e contexto de 
eventos acontecidos até mesmo há poucos dias, quanto mais há semanas, meses 
ou décadas.
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Prof. Murilo Bastos da Cunha, Ph. D.
Universidade de Brasília/Dept. Ciência da Informação e Documentação
Campus Universitário
Brasília, DF  70900-910 Brasil
blog: http://a-informacao.blogspot.com/ 


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