JC e-mail 3714, de 05 de Março de 2009.
Salvador Nogueira escreve para o “G1”

Médicos americanos descrevem cirurgia de câncer ao vivo, via Twitter

É um procedimento delicado. Os médicos vão extrair um tumor maligno do 
rim de um homem, no Hospital Henry Ford, em Detroit (EUA). Tudo está 
pronto para o início da difícil operação – inclusive o membro da equipe 
que ficará responsável por reportar tudo que está rolando, via Twitter.

"Aqui vai algo diferente: HenryFordNews está 'twittando' ao vivo uma 
cirurgia hoje, e atraindo atenção", comentou um dos usuário. "É um uso 
interessante da tecnologia, mas não posso evitar de me sentir um pouco 
'eeehttp://www!' com relação a isso", comentou outro.

E não é para menos. Operações cirúrgicas delicadas são procedimentos que 
parecem exigir 100% da atenção dos médicos. Por que diabos eles 
gostariam de usar o Twitter? OK, trata-se de uma ferramenta em ascensão 
na web, que funciona como uma espécie de "messenger" em que a pessoa 
fala sozinha, e quem quiser pode "segui-la" e ler o que ela diz (mais ou 
menos como um blog, só que com posts de uma linha).

Ainda assim, para que seria útil narrar, ao vivo, o andamento de uma 
cirurgia?

"A audiência que estamos mirando primariamente é o público geral, 
não-médico, que é curioso sobre novas tecnologias médicas", explicou ao 
G1 Craig Rogers, cirurgião-chefe do Hospital Henry Ford, enfatizando que 
o procedimento não tem função didática. "Médicos, residentes e 
estudantes de medicina provavelmente vão querer ver o vídeo da cirurgia, 
em vez de ler uma descrição dela."

Rogers assegura seus pacientes – assim como leitores – que o Twitter não 
é um elemento prejudicial a seu desempenho como médico. "Não é uma 
distração para mim porque eu tinha um residente no computador lendo as 
perguntas para mim e digitando minhas respostas", revela.

"Eu geralmente falo sobre a cirurgia conforme o caso avança, então não 
foi uma grande mudança. Além disso, meu residente-chefe está muito 
familiarizado com os procedimentos robóticos da cirurgia de rim que eu 
faço e foi capaz de responder algumas das perguntas mais diretas e fazer 
a narração dos passos básicos para minimizar a interrupção."

O esforço está ganhando atenção da comunidade médica. "Recebemos sinais 
positivos deles, de que esse parece ser um jeito barato de informar e 
envolver o público no que fazemos", afirma Rogers.

Twitter e ciência

A ideia da equipe de Rogers no Henry Ford está incluída num contexto 
maior. Aparentemente, o mundo da ciência está invadindo o Twitter.

A Nasa, agência espacial americana, por exemplo, tem diversos canais no 
Twitter – desde um geral, que apresenta todas as novidades do órgão 
(http://twitter.com/nasa), a outros mais específicos, que acompanham 
individualmente algumas das missões mais populares da Nasa, como a da 
sonda Cassini em órbita de Saturno (http://twitter.com/CassiniSaturn).

Em todos os casos, entretanto, os "textos" evidenciam um esforço que é 
mais de divulgação do que de ensino. É quase como uma forma de reter a 
atenção de um público cada vez mais disperso e bombardeado por múltiplas 
informações, em múltiplos formatos.

E tem dado certo: milhares de pessoas "seguem" a Nasa diariamente no 
Twitter e acabam clicando em links que levam a textos que, naturalmente, 
têm mais de uma linha.

Quanto aos médicos de Detroit, a próxima cirurgia que eles pretendem 
transimitir ao vivo, via Twitter, está marcada para o próximo dia 6, 
sexta-feira. A página deles na ferramenta pode ser encontrada aqui 
(http://twitter.com/henryfordnews).

FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=62033
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