um passear de mosaicos
Uma estrutura de informação pode ser linear,
seqüencial e centrada em uma narração que se quer
continua ou ser entrelaçada a outras narrativas
em caminhos sem destino acertado composto de
varias escritas que se narram em paralelo.
A escrita deu ao homem valores visuais e uma
consciência fragmentada ao contrário da
convivência nos espaços auditivos, onde o dialogo
de enunciados multivariados estava em muitas
vozes e era mediado e centrado pelo espaço que a audição permitia.
Foi à tipografia que terminou com a cultura
auditiva tribal. Permitiu à escrita multiplicar
possibilidades de se enunciar no tempo e no
espaço. O homem quando com seu pensamento linear
e seqüencial qualificou, organizou e classificou
as suas informações e o fez em modo hierárquico,
em uma série contínua de graus e escalas,
famílias temáticas, em ordem crescente ou
decrescente; uma organização por classes
indicando uma subordinação relacionada com a
herança do universo de palavras permitida pelo código comum.
A passagem da civilização tribal ao modo da
escrita e da tipografia, além de descentrar uma
organização so saber instituída foi uma
transformação tão profunda para o indivíduo e
para a sociedade, como vem sendo a passagem da
cultura escrita para esta acomodação de
documentos em formato digital habitando espaços
eletrônicos de acesso e transferência imediatos.
São redes de narrativas digitais
com desfamiliaziração temática e um adiamento do
significado que, só pode se formar, quando
finalizarem as trilhas percorridas na perseguição
do entrosamento dos textos paralelos.
No mundo digital a escrita acêntrica configura
uma nova adaptação com o receptor e deste com o
conhecimento. O texto entrelaçado com outros traz
uma vinculação e um emaranhado de cadeias
imprevisíveis e sem qualquer qualificação
hierárquica ou familiar. A percepção e a
interiorização acontecida a partir do
convencional e do digital não tem a mesma
qualidade. O documento digital tem possibilidade
de gerar um conhecimento mais rico e brangente.
Conhecer é, cada vez mais, se apropriar dos
enunciados alinhavados nos textos paralelos; é
como construir uma bricolagem, onde cada junção
de pedaços, necessite uma permissão para
assimilação na arquitetura de um ajuntamento do
saber. Esta bricolagem que só se fecha no
infinito é individualizada pelos desenhos e
permissões cognitivas de cada caminhante no
transcurso deste passear de mosaicos
Aldo de A Barreto
Parte de relatório parcial de pesquisa finalizada
em 2009: "As estruturas de suporte da informação
no processo do conhecimento: o papel da fluência digital"
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