20/05/09 - 07h55 - Atualizado em 20/05/09 - 08h02
Biblioteca de José Mindlin poderá ser acessada pela internet

Colecionador doou seus livros raros à USP. Um robô está escaneando todos os
exemplares.

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A paixão de um brasileiro por seus livros em breve vai ser compartilhada com
todos nós. A Universidade de São Paulo se prepara para receber parte da
biblioteca Brasiliana, doada pelo empresário e colecionador José Mindlin.



*SAIBA mais sobre a Brasiliana* <http://www.brasiliana.usp.br/>



*Leia mais sobre Pop e Arte no
G1*<http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,7084,00.html>


Poderá ser acessado de qualquer parte do mundo, pela internet, e também
fisicamente, em um prédio que está sendo construído para receber a
Brasiliana. Um tesouro, de um homem sonhador, que vai se tornar público pelo
esforço de gente que acredita que um grande país só se faz com cultura e
educação.

É em um vazio moldado a ferro, onde ainda o concreto escorre, que caberá o
conhecimento. A biblioteca por enquanto é toda imaginação.

“São três andares de livros. Todas as paredes com toda coleção exposta. A
ideia é que a gente tivesse sempre o visitante em contato com o acervo”,
explica o arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb.

Este será o corpo da Brasiliana, biblioteca formada por 17 mil títulos,
todos sobre o Brasil ou feitos no Brasil, doados à USP pelo avô de Rodrigo,
o empresário e bibliófilo, José Mindlin.

“A arquitetura é coadjuvante nesse processo porque os livros são a alma.
Estamos cuidando de dar um corpo para receber dignamente a coleção e ter
acesso para meus filhos, netos e de todos nós”, diz o arquiteto Rodrigo
Mindlin Loeb.

A alma da Brasiliana ainda está bem longe; na casa de José Mindlin, no
espaço especialmente construído, ao lado do jardim, para abrigar a
biblioteca dele com quase 100 mil volumes.

É uma sala de preciosidades e raridades. Os livros são do século 19, de
literatura brasileira. Lá, estão quase todas as primeiras edições dos livros
de Machado de Assis. Há as primeiras edições dos dois romances mais lidos no
século 19: “O guarani”, de José de Alencar e “A moreninha”, de Joaquim
Manuel de Macedo.

Ao pé da escada fica Santo Inácio, um verdadeiro santo do pau-oco. No espaço
de trás escondiam o ouro para escapar ao fisco dos portugueses. É neste
espaço da memória e do passado que vive um novo agregado: um robô do século
21, um devorador de livros, que lê 2,4 mil páginas por hora.

O livro que o robô tem nas mãos é “Helena”, autografado por Machado de
Assis, dedicado a um velho amigo dele, Salvador de Mendonça. A tudo isso nós
teremos acesso, via internet.

“Enquanto o prédio está sendo construído, já estamos construindo a
biblioteca digital”, aponta o coordenador da Brasiliana digital Pedro
Puntoni.

“Podemos transformar uma imagem recém tirada do robô em uma página que seja
portátil para a web”, explica o engenheiro de computação Vitor Tsujiguchi.

“O usuário vai ver o livro tal como ele é: a imagem do livro original, mas
por trás dessa imagem há uma versão digitalizada, como se fosse transcrito.
O usuário pode fazer busca por palavra, frase, iluminar trecho, copiar e
colar. A pessoa vai poder imprimir em casa, encadernar e colocar na sua
estante”, antecipa o coordenador da Brasiliana digital Pedro Puntoni.

O robô reconhece 120 línguas. Até o final do ano o plano é que ele tenha
digitalizado 4 mil livros e 30 mil imagens.

Quem está encantado com o trabalho do robô é o professor titular de história
do Brasil, Istvan Yancsó, coordenador geral do projeto: “O conceito dessa
biblioteca é atender a uma multiplicidade de destinações. É um serviço que a
USP vai prestar à nação. Tudo que nós estamos fazendo é sempre em cima da
ideia de que é uma colaboração para montagem de alguma coisa que não vai ser
a Brasiliana da USP, vai ser uma Brasiliana brasileira”.

Os primeiros livros que já estão sendo digitalizados são os dos viajantes
que percorreram o Brasil nos séculos 16, 17, 18 e 19. Toda a coleção das
gravuras de Debret. Depois disso será a vez de todos os livros de história
do Brasil e literatura brasileira. Os 17 volumes da primeira edição dos
sermões do Padre Vieira, a primeira edição brasileira de “Marília de
Dirceu”, de Tomás Antonio Gonzaga - só existem três unidades no mundo. De
José de Alencar, a primeira edição do “Guarany”, livro raro.

José Mindlin passou boa parte da vida atrás desse exemplar, um dos únicos
existentes e de muitas outras raridades.

Uma biblioteca como esta é um espaço para eternas descobertas. Cristina
Antunes, organizadora da biblioteca Mindlin há 29 anos, sabe disso: “Até
hoje descubro livros que eu não vi, que eu não li, que não conheço”.

Toda essa coleção começou com um livro de história do Brasil de Frei Vicente
de Salvador, e comentários de Capistrano de Abreu. José Mindlin tinha 13
anos, hoje, aos 94, quase 100 mil livros depois, quer dividir com todos o
grande prazer que os livros lhe deram.

“Era um sonho, no meio de muitos outros, era sim”, diz o bibliófilo José
Mindlin.

A biblioteca Brasiliana está sendo construída na usp com doações de
empresas. O prédio deve ficar pronto em julho de 2010. Os primeiros livros
já deverão ser abertos para consulta, via internet em meados de junho.

A partir daí, serão incluídos 200 livros e quase mil imagens por semana.
Notícia no site do Bom Dia
Brasil<http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1160623-16020,00-BIBLIOTECA+DE+JOSE+MINDLIN+PODERA+SER+ACESSADA+PELA+INTERNET.html>
 onde foi passado uma grande reportagem sobre a Brasiliana USP, coisa até
que não deve ser notícia a todos. O que me surpreendeu foi o tempo da
reportagem e a tecnologia utilizada na digitalização das obras.

-- 
Sérgio Souza Santos
Bibliotecário CRB-1/1.991
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