Jornal do Brasil
Terça-feira, 09 de Junho de 2009

Piratas saem vencedores de eleição. Com 7,1% dos votos na Suécia, 
legenda que defende desregulamentação da web conquista assento
Joana Duarte

O Partido Pirata da Suécia defende apenas três causas: a abolição dos 
direitos autorais, do sistema de patentes e a redução da vigilância na 
internet. Com esse apelo, conseguiu 7,1% dos votos nas eleições 
europeias na Suécia – ou cerca de 200 mil votos – e vai ocupar pelo 
menos um dos 18 assentos destinados ao país escandinavo no Parlamento 
Europeu, de um total de 736 deputados. O partido foi o quinto mais 
votado pelos eleitores suecos e deve ser representado por seu atual 
vice-presidente, o programador Christian Engstrom, de 49 anos.

– Isto é fantástico – comemorou Engstrom. – Mostra que há muitas pessoas 
que acham a integridade pessoal importante e que acreditam que devemos 
lidar com a internet e com a nova sociedade da informação de maneira 
correta.

Fundado em 2006 pelo empresário de informática Rickard Falkvinge, a 
legenda nasceu de uma reação a ataques contra o site sueco de 
compartilhamento de arquivos Pirate Bay e, naquele mesmo ano, concorreu 
ao pleito para o Parlamento sueco. Recebeu 0,6% dos votos, o que não foi 
suficiente para eleger ninguém. Três anos mais tarde, com mais de 40 mil 
partidários, o PP é hoje a terceira maior organização política da Suécia.

Em abril, após a condenação pela Justiça sueca dos quatro responsáveis 
pelo Pirate Bay, o partido viu sua popularidade aumentar. No mesmo dia 
em que a sentença foi divulgada, recebeu 16 mil novas filiações, mais do 
que as 15 mil que tinha até então. Os réus foram condenados a um ano de 
prisão por cumplicidade na partilha ilegal de arquivos na internet e a 
pagamento de multa de US$ 3,9 milhões.

Para Bruno Magrani, pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade da 
Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas no Rio, o Partido Pirata é 
fundamental no contexto da politização do debate sobre direitos autorais 
e downloads de obras. Magrani lembra que nos últimos anos a indústria de 
conteúdo vem promovendo uma série de ações contra usuários e 
implementando travas tecnológicas para tentar impedir o download de 
obras na internet, o que gera grande revolta, particularmente entre os 
internautas mais jovens.

Engstrom também creditou a vitória do partido ao comparecimento dos 
jovens às urnas – cerca de 19% dos eleitores com menos de 30 anos 
votaram na legenda.

– Estamos muito fortes entre os jovens com menos de 30 anos. São os que 
compreendem que um novo mundo de liberdade de informação é o melhor, e 
já deram sinais de que não gostam como os grandes partidos tratam esses 
assuntos. Vamos usar toda a nossa força para defender nossa integridade 
pessoal e direitos civis – prometeu Engstrom.

Para Magrani, o sucesso do partido mostra que havia uma falta de 
legitimidade no discurso oficial no que diz respeito a questões de 
direitos autorais.

– Apesar de a lei de direito autoral dizer que não se pode fazer cópias, 
todo mundo baixa obras na internet. A Justiça está começando a punir os 
usuários, e como a sociedade já incorporou o hábito de baixar coisas da 
internet, está vendo que precisa fazer alguma coisa para se proteger, 
com regras que permitam o download de conteúdo.

Com a conquista de uma a duas cadeiras no Parlamento Europeu, o PP 
começa a ver a si próprio como uma força política em rápida ascensão na 
União Europeia. Para Rick Falkvinge, seu partido acaba de "entrar para a 
história da política".

– Hoje, os políticos reconheceram que apoiar o que os grupos de 
interesses especiais querem poderá custar seus empregos. Somos o maior 
partido no segmento abaixo de 30 anos. Estamos construindo um futuro de 
liberdades.

Há Partidos Piratas oficialmente registrados também na Áustria, 
Alemanha, Dinamarca, Espanha, Polônia e Finlândia.


FONTE: 
http://jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2009/06/09/internacional/piratas_saem_vencedores_de_eleicao.asp
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