O termo "master" vem do tratamento plebeu Mister
em Ingles medieval e designava o artesão que formava aprendizes
O ministro da Educação assinou ontem portaria com
novas regras para criação e avaliação dos cursos
de mestrado profissionais. Para o MEC novas
regras vão estimular a transformação de cursos de
especialização, a pós-graduação lato sensu e
residências médicas, em mestrados profissionais.
Segundo o ministro o novo formato vai acelerar a
formação de mestres e, consequentemente, de
doutores, além de ajudar a abrir a universidades
para a realidade do setor produtivo e do mercado de trabalho.
A expectativa, segundo o MEC, é que
universitários formados em outras áreas busquem
os cursos de mestrado profissional para exercer
a profissão. Como no caso da decisão do STF que
extinguiu a exigência do diploma de jornalismo,
o a existência de cursos profissionalizantes
específicos poderia ajudar a qualificar quem pretende atuar no ramo.
A portaria do MEC permite que os mestrados
profissionais tenham professores sem titulação
acadêmica, desde que com reconhecida experiência
profissional. Da mesma forma, estudantes poderão
fazer trabalhos práticos no lugar de dissertações
escritas de conclusão de curso.
O Ministério afirmou que a avaliação conduzida
pela Cooordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nivel Supeerior (Capes) vai privilegiar, neste
caso, outros aspectos que não a produção
acadêmica formal, para incentivar a criação de
cursos Fonte: Jornal do Globo de 23 de junho de 2009
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NOTA DA LISTA:
Entre nós, o grau universitário chamado mestrado
foi instituído em 1965 pelo Parecer Sucupira, que
definiu diretrizes para a pós-graduação
brasileira. Nesse contexto, o título foi criado
como habilitação à docência em nível
superior. Quarenta anos depois, tal condição só
existe no Brasil e, em menor escala, em alguns países latino-americanos.
O termo "master" vem o tratamento plebeu Mister
em Ingles e tem raízes profissionais na Europa
medieval e designava o artesão experiente que
dominava seu ofício e estava apto a formar aprendizes.
A universidade formava então apenas "doctors",
senhores da doutrina. Só na era moderna começou a
titular profissionais. Na Reforma Humboldt
de 1810, determinou a mudança nos países hoje
industrializados para o processo
de multiplicação de escolas técnicas, como as
criadas na Alemanha. A reforma manteve o
doutorado como láurea acadêmica maior, mas
acolheu o mestrado como grau acadêmico
intermediário, em suplemento à láurea ainda menos de bacharel.
Hoje há uma crescente globalização da reflexão
sobre o papel da universidade e vale a pergunta:
porque continuamos aqui atados as normas de 1965
para uma estrutura de pósgraduação. Faz sentido
manter um exótico curso para o ensino superior
chamado mestrado? Não seria relevante adaptar a
nossa formação profissional aos modelos
internacionais respeitando as condições de nossa
cultura interna de desenvolvimento da educação?
O mestrado, como é estruturado hoje, é um modelo
seqüencial sem base em uma metodologia coerente
de ensino destinado a um fim. Por isso, deve ser
remodelado e dar lugar ao mestrado
profissionalizante e, principalmente, permitir
maior estímulo ao doutorado, mais compatível com a realidade acadêmica atual.
Restão dois resquícios do passado que , ainda
precisam ser corrigidos: a) o que quando o
ingresso ao doutorado exige um curso de mestrado
com dissertação, como condição para entrar no
processo de seleção de um doutorado? Este
artifício é amplamente usado como fator de
seleção no Brasil para amenizar deficiências da graduação.
b) o que fazer com a considerável quantidade de
programas que se estabeleceram como pós-graduação
tendo somente um mestrado acadêmico? Alguns
destes cursos lidam com esta formação por grande
tempo graduando um profissional de formação
obscura para o mercado não acadêmico. Se um
programa de pós só com o mestrado está
estabelecido há mais de 10 anos e não conseguiu
criar massa critica e uma base de reflexões para
iniciar um doutorado algo está errado.
Estes mestrados devem partir para uma empreitada
menor dividindo a docência com técnicos
especialistas no mestrado profissionalizante e
planejar e iniciar um doutorado se desejam ficar
na pós-graduação. De outra forma o futuro deste
grupo está comprometido e deveria ser observado com muita atenção pela Capes.
Aldo de A Barreto
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