O impacto global do SciELO

Editorial da revista Science aponta a biblioteca eletrônica online como
exemplo de difusão da produção científica de países em desenvolvimento

Pesquisa FAPESP - Em editorial intitulado "Globalizando a Publicação da
Ciência", a edição da revista científica norte-americana Science que circula
com a data de amanhã (21/08) elogia a atuação da biblioteca eletrônica SciELO
(Scientific Electronic Library Online), criada no Brasil em 1998 pela FAPESP
em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em
Ciências da Saúde (Bireme), e a aponta como um modelo de difusão da produção
científica feita em países em desenvolvimento.

De acordo com o texto, assinado por Wieland Gever, professor emérito de
bioquímica médica da Universidade do Cabo, na África do Sul e ex-presidente da
Academia de Ciências da África do Sul, "esse sistema (SciELO) já revelou a
existência de revistas e artigos científicos produzidos localmente que são
altamente citados em revistas indexadas pela base de dados ISI (Institute for
Scientific Information)", além de terem igualmente um grande impacto dentro da
própria base de revistas do SciELO. O artigo na Science defende a ideia de que
mais países não desenvolvidos, sobretudo os da África, deveriam optar por
publicar suas revistas científicas no SciELO ou num sistema semelhante,
escolha que provavelmente aumentaria a penetração mundial de seus periódicos
científicos. "O editorial é um marco, um reconhecimento ao bom trabalho do
SciELO", diz Abel Packer, coordenador operacional da biblioteca eletrônica. 

Historicamente, a FAPESP tem contribuído, há mais de uma década, com cerca de
75% do investimento dedicado ao programa SciELO Brasil. Em 2009, a Fundação
entrará com R$ 3,3 milhões dos R$ 4 milhões que serão gastos na iniciativa. A
Bireme arcará com R$ 450 mil e o Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq), com R$ 250 mil. "O SciELO nasceu dentro da
FAPESP, com apoio entusiasmado da direção", afirma Rogério Meneghini,
coordenador científico da biblioteca eletrônica no Brasil. "Ele foi uma das
primeiras iniciativas a implantar o modelo de acesso aberto a artigos
científicos."

Para o diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz, os
resultados do SciELO "têm sido exemplares e reconhecidos por observadores
independentes de várias entidades estrangeiras". Brito Cruz afirma também que
"as revistas que fazem parte do SciELO tiveram seus artigos mais citados
internacionalmente, gerando com isso benefícios para o desenvolvimento
científico em São Paulo e no Brasil".

Há 11 anos, quando entrou no ar, o SciELO iniciou sua história com 10 revistas
científicas, todas brasileiras. Atualmente o sistema conta com 637 periódicos,
em sua maioria ibero-americanos e dos quais 197 são do Brasil. O segundo país
com mais títulos é o Chile (81 revistas) e o terceiro, a Argentina (54).
Revistas de outras partes do mundo, como da Jamaica e da África, começam a
entrar no sistema. "Hoje há 5 periódicos da África do Sul no SciELO, mas
devemos ter 100 revistas deles nos próximos trés anos e também teremos um
periódico da Itália em breve e outro do Oriente Médio na coleção temática de
saúde pública" diz Packer. Essa estratégia de expansão geográfica dos títulos
da biblioteca eletrônica "aumentou ainda mais o valor de toda a coleção,
beneficiando todas as publicações envolvidas", comenta Brito.

O SciELO só indexa e publica revistas científicas que tenham periodicidade
regular, trabalhem com o modelo de peer review (para serem aceitos, os artigos
são submetidos ao processo de revisão por pares) e concordem em manter seu
conteúdo totalmente aberto e de acesso gratuito. A coleção cobre revistas de
todas as áreas científicas, embora algumas coleções nacionais, como a de Cuba
e a da Espanha, tenham começado sua participação na projeto com títulos das
ciências da saúde. Ainda hoje boa parte das revistas do sistema é da área
médica, mas há publicações também das humanas e exatas.

Segundo Packer, a penetração global das revistas científicas brasileiras que
entraram no SciELO é evidente. Em 2009, a média mensal de downloads de artigos
da biblioteca eletrônica está em 9 milhões, com 100 países tendo apresentado
mais de 2.500 acessos. "O fator de impacto das revistas brasileiras que estão
indexadas na base de dados Web of Science (da empresa Thomson Reuters) e no
SciELO desde o início teve aumento médio de mais 200% no período 1997-2008",
afirma o coordenador operacional da biblioteca eletrônica. 

http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=5808&bd=2&pg=1&lg=

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