Governo estuda novo imposto sobre livros
  22/08/2009 |
  Agencia Estado
  O Estado de S.Paulo


BRASÍLIA - O Ministério da Fazenda discute internamente a possibilidade de 
criar um novo tributo a ser cobrado das editoras de livros para viabilizar a 
implementação do Fundo Pró-Leitura, instrumento para incentivar a leitura no 
País. A proposta, que tem origem no Ministério da Cultura, conta com o apoio 
de integrantes do gabinete do ministro da Fazenda, Guido Mantega, mas não 
tem a simpatia da área técnica, principalmente Receita Federal e Secretaria 
de Política Econômica.

Os técnicos contrários à tributação avaliam que o momento de crise econômica 
não é propício para aumentar a carga tributária, ainda que de um setor 
específico. Além disso, um novo tributo tornaria ainda mais complexo o já 
complicado sistema tributário brasileiro. A avaliação desses técnicos é que, 
se não houver alternativa e for definida a tributação, o melhor seria elevar 
PIS/Cofins do setor.

Os defensores dentro do governo da nova tributação argumentam que esse foi 
um compromisso assumido pelos livreiros em 2004, quando, no Plano Nacional 
do Livro e Leitura, houve a desoneração de PIS/Cofins das editoras. A 
contrapartida assumida à época pelos editores foi a de as empresas 
contribuírem com 1% do faturamento anual para o Fundo Pró-Leitura, que 
financiaria atividades como montagem de bibliotecas e formação de 
professores e bibliotecários. Pelos cálculos preliminares do Ministério da 
Fazenda, a contribuição para o fundo representaria um custo de R$ 60 milhões 
por ano ao setor.

A eliminação do PIS/Cofins representou uma renúncia fiscal da ordem de R$ 
300 milhões. O governo esperava que a desoneração resultasse na redução dos 
preços dos livros, o que, segundo uma fonte, não ocorreu. ?As empresas 
usaram a desoneração e não contribuíram para o fundo?, afirmou. ?Os preços 
de livros só caíram recentemente por causa da crise.?

O diretor de livro, leitura e literatura do Ministério da Cultura, Fabiano 
dos Santos Piúba, defendeu a contribuição do setor para o fundo, destacando 
que representaria ?um compromisso social do setor para a constituição de um 
país leitor?. Piúba ressaltou que o fundo vai fomentar a criação e 
modernização de bibliotecas, bem como a ampliação de seus acervos, formação 
de professores, bibliotecários, contadores de histórias e campanhas de 
leitura.

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Prof. Murilo Bastos da Cunha, Ph. D.
Universidade de Brasília/Dept. Ciência da Informação e Documentação
Campus Universitário
Brasília, DF  70900-910 Brasil
blog: http://a-informacao.blogspot.com/ 


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