fonte: G1 
<http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1389529-6174,00-HACKERS+INVADIRAM+PAGINAS+GOVERNAMENTAIS+NESTE+ANO+DIZ+SITE.html>
 27 nov.2009

 
 
27/11/09 - 08h39 - Atualizado em 27/11/09 - 08h48 
 


Hackers invadiram 1.195 páginas governamentais neste ano, diz site
Entre as páginas pichadas, estão Senado, Ministério da Defesa e Itaipu.
Chefe de segurança cibernética de Lula vê deficiência de gestão de rede.



Altieres Rohr
 Foto: Reprodução 
Reprodução do site da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, do 
governo do estado de SP, hackeado em maio passado. 
Sites governamentais brasileiros (com terminações "gov.br") sofreram neste ano 
1.195 ataques de pichação, segundo levantamento do site especializado em 
segurança Zone-h . Isso dá uma média de 3,6 invasões por dia ou cerca de 25 por 
semana.

 

Leia também: Hacker pode causar apagão, mas não é provável, diz chefe de 
segurança de Lula 

 

A maioria das pichações ou “defaces” (alterações de páginas) no Brasil é a 
sites de prefeituras. Mas inúmeros sites de governos estaduais e federal também 
foram alvo. Por exemplo, apenas neste semestre, estão registrados pichações no 
Senado Federal, no Ministério da Defesa, Cultura, Educação e Meio Ambiente, em 
Itaipu, no Tribunal de Justiça de Tocantins, Tribunal Regional do Trabalho de 
Pernambuco, nos governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraíba 
e Amapá, no Instituto Adolfo Lutz e na Prefeitura de Fortaleza. 

O estado com maior número de pichações a sites governamentais neste ano é São 
Paulo, com 166 até esta quinta-feira (26). Mas a Região Sul se destaca com 381 
nos três estados. Como comparativo, os nove estados do Nordeste sofreram juntos 
205.

"É um número muito alto. Mostra que temos uma deficiência muito grande de 
gestão. Não só no governo, mas no país”, afirma Raphael Mandarino Júnior, 
diretor-geral Departamento de Segurança da Informação e Comunicações (DSIC) do 
Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.

 “A maioria dessas pichações são vulnerabilidades cujas correções são 
conhecidas, mas não foram aplicadas. É desagradável para a imagem do órgão 
invadido. Mostra uma fragilidade do gestor daquela rede”, completa o chefe de 
segurança cibernética da Presidência.

 O Zone-h é o principal site no mundo que cataloga pichações, segundo o 
pesquisador Dmitry Bestuzhev, da Kaspersky Labs, um dos principais fabricantes 
de antivírus do mundo. "Ele serve como uma espécie de ranking para os hackers, 
pois mede a quantidade de invasões, os países e a importância. É muito mais 
interessante para um pichador alterar um site '.gov' do que um '.com'", diz 
Bestuzhev.

Na condição de anonimato, um hacker afirmou ao G1 que o registro no Zone-h é 
como "um troféu, uma forma de imortalizar que você esteve ali".

 



  Foto: Reprodução 
Reprodução do site do Ministério da Defesa, hackeado em setembro passado. 
O G1 entrou em contato com o italiano Roberto Preatoni, dono Zone-h, mas não 
obteve resposta até esta quinta (26). O polêmico especialista em segurança é 
criticado por transformar ataques em símbolo de status.

Como é uma lista de pichações, o Zone-h não registra por exemplo o ataque ao 
site do ONS do último dia 12, dois dias depois de o apagão atingir 18 estados 
brasileiros. O Operador Nacional do Sistema Elétrico não divulgou o tipo de 
ataque que sofreu. Mas informou que a invasão ocorreu na rede corporativa, e 
não na rede operacional do sistema elétrico. 

Não há legislação específica no Brasil para punir "defacing". "Pode configurar 
crime de dano (artigo 163 do Código Penal), com pena de detenção de 1 a 6 meses 
ou multa, podendo ser agravado se for contra patrimônio do Estado", afirma o 
advogado especializado em tecnologia Omar Kaminski. 

"Dependendo do que escrever no site, o hacker também pode responder 
judicialmente por calúnia, difamação e injúria", complementa Marcel Leonardi, 
professor do curso da GVlaw (FGV-SP) e especialista em direito digital. 

(Colaboraram Juliana Carpanez, André Nery e Marcilio Kimura).
                                          
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