Uma incompetência para educar para o futuro O Twitter é uma rudimentar rede de conexão social disse Biz Stone co- fundador da rede de disseminação, em novembro último, na rodada Doha das negociações da livre comercio que visam diminuir as barreiras comerciais em todo o mundo. Há segundo ele, muito a fazer para tirar proveito dos 4,4 bilhões de telefones celulares e de 1 bilhão de contas de Internet espalhados pelo planeta.
O criador do Twitter esteve com Sugata Mitra, Professor da Escola de Tecnologia da informação e comunicação na educação em Newcastle University, UK. Ele também é o investigador principal do projeto "Hole in the Wall" uma experiência que vem desde 1999 e consiste e. colocar um computador em um quiosque na rua de comunidades carentes da India em Delhi, onde bons professores não, querem ir e deixar as crianças usarem livremente o PC conectado a Internet. Para a sua surpresa, em três meses, sozinhas, elas aprenderam a usar o computador e, como todos nós, a xigir um processador mais veloz. Sem qualquer ajuda, as crianças aprenderam 30% dos conteúdos de genética disponibilizados e, com o auxílio de um tutor, superaram os estudantes das melhores escolas da Índia. Argumenta-se então que hoje importa menos quem você conhece e mais se você está ou não linkado. Estamos em uma nova era: o usuário linkado questiona, e não raro com razão, as recomendações do médico, a originalidade do artista, o conhecimento do professor. O acesso fácil à informação gerou a era do espanto, da instabilidade de doutores, mestres e pseudoespecialistas! Não sabe? Não pergunte ao professor! Pergunte à inteligência democrática: pergunte ao Google (Google is my country!) Para que esta inteligência democrática possa ganhar escala e servir à humanidade, a Escola precisa tornar a inclusão digital a sua palavra de ordem. Para isso, terá que conviver com a aprendizagem auto- organizada e lidar com tecnologias pedagógicas múltiplas. A educação terá que ter compromisso inarredável com a inovação! O que significa propor um futuro que não mais replicará o presente e que trará à tona milhões de talentos que serão colocados a serviço da vida, com novas oportunidades para todos! Estará o Brasil em condições de preparar os jovens para as demandas de adaptabilidade que se apresentam? A julgar pela resistência que as novas tecnologias encontram em nossas universidades, temo que continuaremos a educar para o passado, imaginando que ele funcionará no futuro. Não funcionará! A menos que aceitemos que se frustrem as nossas esperanças de construir um país avançado nas artes e nas ciências, é urgente que professores sejam expostos a um agressivo choque de novas tecnologias, antes que caiam em descrédito pela sua incapacidade de educar para os novos tempos. Fonte: artigo de Dilvo Ristoff reitor da Universidade Federal da Fronteira Sul, para a seção Opinião do jornal O Globo de 16.01.2010,edição impressa, pg 7.
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