Tecnologia pode ser ferramenta de exclusão Andrew Feenberg, professor de
Filosofia da Tecnologia, defende que desenvolvimento é influenciado por
valores e decisões políticas Juliana Braga - Da Secretaria de
Comunicação da UnB Diminuir Fonte Aumentar Fonte Tamanho do Texto O
desenvolvimento da tecnologia é orientado pelo homem, carregado de
valores e interesses, e pode ser uma ferramenta de exclusão. Essa é a
visão do professor de Filosofia da Tecnologia da Universidade Simon
Fraser no Canadá, Andrew Feenberg. Segundo ele, não se pode cair no erro
de acreditar que o desenvolvimento da tecnologia é autônomo e neutro. É
preciso perceber que ele é influenciado por valores e decisões
políticas. Só com essa compreensão será possível promover um
desenvolvimento que seja democrático e inclusivo. Existem hoje dois
pólos na discussão do desenvolvimento da tecnologia. Um defende que a
tecnologia evolui naturalmente e de forma neutra, de acordo com suas
próprias leis, e que os homens têm papel passivo nos rumos que esse
desenvolvimento toma. É a chamada Teoria Determinista. Já o outro, da
Teoria Crítica da Tecnologia, acredita que o desenvolvimento é
controlado pela ação humana e carregado de valores e interesses. “A
visão determinista é semelhante à concepção liberal que predominava na
economia até a Crise de 1929, de que o mercado tinha suas próprias leis
e agia de forma autônoma”, exemplificou Feenberg. Segundo ele, depois da
quebra da Bolsa de Nova Iorque, ficou claro que essas leis podem e devem
sofrer intervenção para não gerarem transtornos para a população. O
mesmo acontece hoje com a tecnologia. O professor Renato Dagnino, que
leciona Política Científica e Tecnológica na Unicamp, sustenta que não
enxergar de forma crítica o desenvolvimento da tecnologia e ignorar sua
necessidade de orientação social pode trazer prejuízos. Ele alerta que
70% das pesquisas hoje são feitas por empresas, metade delas
multinacionais. “Boa parte dessas empresas não se preocupa com meio
ambiente, desemprego ou até mesmo democracia. São orientadas pelo
lucro”, diz. Dessa forma, o domínio da tecnologia reforça os interesses
de quem controla seu desenvolvimento. “Essa produção tecnológica não é
inocente. É um sistema de dominação que gera relações assimétricas de
poder”, sustenta Feenberg. Segundo ele, tal assimetria é perceptível até
em aspectos mais práticos. Como exemplo, o professor citou os primeiros
computadores, cujos teclados não continham caracteres japoneses. “Nesse
primeiro momento os japoneses foram excluídos dessa tecnologia”,
destaca. DEMOCRATIZAÇÃO - Andrew Feenberg é um dos principais
pesquisadores da atualidade sobre a Teoria Crítica e defende que, como o
desenvolvimento é controlado pelo homem, deve ser pautado por princípios
democráticos. Ou seja, debatido não somente entre os especialistas, mas
também com a população, para que não seja excludente. “Os especialistas
e tecnocratas são importantes? Claro que são. Mas não podemos deixar que
eles decidam sozinhos o rumo do nosso futuro”, aponta. Feenberg lembrou
dos primeiros testes com medicamentos contra Aids na década de 1980. Nos
Estados Unidos, os cientistas decidiram testar as drogas em poucas
pessoas, porque não sabiam como seria a reação. “Mas ninguém perguntou
para os doentes. Na época eles preferiam os experimentos a remédio
nenhum”, conta. As associações que já existiam na época se organizaram,
pressionaram, e conseguiram incluir mais pessoas nos testes. Para o
professor, é necessário criar canais de debate democráticos para que o
desenvolvimento tecnológico seja discutido de forma politizada. Dessa
forma, admite-se que essa evolução não é linear e que há múltiplas
possibilidades. Isso abre espaço para pensar em tecnologias
alternativas, com preocupações sociais. E segundo ele, essa
democratização acontece pelas vias tradicionais. “Por meio de debates,
de partidos políticos, de votação e, principalmente de pressão social
que vamos conseguir o desenvolvimento democrático da tecnologia”,
conclui. O professor Andrew Feenberg é um dos palestrantes do ciclo de
conferências A Teoria Crítica da Tecnologia: Racionalização Democrática,
Poder e Tecnologia. Até o dia 26 de abril, Feenberg falará sobre como o
desenvolvimento da tecnologia afeta a vida das pessoas. De 28 de abril
até 21 de maio outros pesquisadores brasileiros abordarão o assunto. A
programação completa pode ser vista aqui. Os interessados poderão
acompanhar a palestra pela internet pelo link
http://webconf.rnp.br/r42351571 ou pelo site da UnBTV. Todos os textos e
fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada.
Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.
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