Monopólio do Google preocupa autoridades antitruste
  Fonte: Consultor Jurídico.
Data: 3/6/2010.

Depois da Microsoft, chegou a vez do Google: o espetacular crescimento da mais 
poderosa ferramenta de buscas da internet já provoca calafrios nas autoridades 
antitruste dos Estados Unidos. Segundo reportagem do jornal New York Times, o 
governo americano está investigando se as aquisições da empresa pode vir a 
prejudicar a concorrência no campo das buscas na internet e da publicidade 
online.

Uma das reclamações contra o gigante do mundo digital  é o fato de o Google 
privilegiar sites que pagar para subirem nas listagens de busca. Segundo o 
advogado Gary Reback, um especialista em combater monopólios informáticos 
citado pelo Times, "o Google é o árbitro de cada coisa na web, e privilegias 
suas propriedades sobre todas as outras. Ele quer controlar o tráfego na 
Internet".

Segundo o jornal, o Google tem conseguido superar os controles antitrustes do 
governo. A Comissão Federal de Comércio aprovou, no final de maio, a aquisição 
pelo Google da Admob, uma empresa de publicidade para celulares. Os 
encarregados de regular a atividade se convenceram de que o equilíbrio estaria 
garantido  com a entrada nessa área de outro gigante, a Apple.

Nos próximos meses, segundo relata o jornal, o juiz federal Denny Chin deve 
decidir sobre a legalidade do acordo feito com autores e editores de livros 
para a inclusão de suas obras na biblioteca digitalizada do Google. O 
Departamento de Justiça já deu seu parecer contrário ao acordo.

A Comissão Federal de Comércio e agências reguladoras da Europa também 
investigam se o Google foi além dos limites da privacidade das pessoas na 
captação de imagens para o Street View, uma ferramenta que capta e exibe cenas 
reais no Google Maps.

Executivos do Google reconhecem que estão sob observação: "Estamos ficando 
maiores e temos provocado perturbações dentro de alguns setores", admitiu ao 
Times Alan Davidson, diretor de políticas públicas da empresa nos Estados 
Unidos.

Os diretores do Google dizem que sua participação no mercado publicitário 
geral, avaliado em US$ 800 bilhões por ano, ainda é pequena, embora ela esteja 
em franco crescimento. E dizem que oferecer uma ferramenta de busca tão 
eficiente aos usuários não pode ser visto como defeito.

Os adversários porém, insistem em mostrar que cada vez mais este inegável 
benefício tem servido para privilegiar serviços do próprio Google como mapas, 
vídeos do Youtube e listagens patrocinadas de produtos e empresas.  

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Prof. Murilo Bastos da Cunha, Ph. D.
Universidade de Brasilia
Faculdade de Ciência da Informação (FCI)
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