USP digitaliza livros antigos sobre a África
Fonte: Agência FAPESP.
Data: 11/07/2010.

O Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP) 
começou a disponibilizar na internet livros e documentos raros sobre a África 
produzidos do século 16 ao 19.


O projeto Brasil África, que tem apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio 
à Pesquisa - Regular, já construiu a base de dados sobre os documentos para 
facilitar a pesquisa detalhada das referências e começa a digitalizar imagens.


De acordo com a Márcia Moisés Ribeiro, pesquisadora do IEB e coordenadora do 
projeto, o objetivo é permitir o acesso a livros e documentos raros sobre o 
continente africano.


"O IEB possui uma das mais importantes bibliotecas de livros raros de São 
Paulo. A ideia foi construir um banco de dados para reunir informações sobre 
esses documentos e obras que, em seguida, serão digitalizados e 
disponibilizados", disse à Agência FAPESP.


Márcia atualmente desenvolve o projeto de pesquisa "Medicina e escravidão nas 
dimensões do universo colonial: a América portuguesa e o Caribe francês no 
século 18", que será concluído no fim do ano.


O site já conta com informações detalhadas sobre cada documento selecionado. 
"Há dados sobre autor, obra, data e local da publicação. A base de dados traz 
também um breve resumo de cada documento indicado", explicou.


É possível encontrar documentos que envolvem as mais diversas áreas sobre o 
continente, como história, geografia, medicina, religião e temas relacionados 
ao tráfico de escravos.


"São livros raros de viagem, de medicina, sobre a fauna e flora, além da 
história e das religiões africanas. Sobre a escravidão, há assuntos 
relacionados ao comércio e tráfico negreiro, como condições da travessia desses 
escravos, entre outros temas", disse Márcia.


O processo de digitalização dos documentos da base de dados foi iniciado em 
maio e a previsão é que até o fim deste ano todas as obras estejam disponíveis 
no site.


A pesquisadora estima a existência de cerca de 600 documentos e livros raros 
sobre a África nas várias coleções do IEB. "Até agora trabalhamos apenas com os 
documentos da biblioteca do IEB, que tem cerca de 300 documentos que já estão 
no banco de dados, mas ainda não disponíveis na versão digital, que será 
disponibilizada em julho. A próxima etapa será a documentação do arquivo, no 
qual se encontram os manuscritos", destaca.


Nos manuscritos há diversas correspondências entre governantes da África e 
governadores das capitanias brasileiras. "É uma documentação rica, sobretudo 
porque muitos são documentos únicos", disse Márcia.


Divulgar e preservar


De acordo com a historiadora, a ideia surgiu a partir de sua própria pesquisa. 
"Trabalho com história da medicina e escravidão no período colonial e, ao ter 
contato com o material no IEB, percebi que o instituto guardava documentos e 
livros importantes para historiadores", contou.


Grande parte dos temas envolvendo o continente africano, segundo ela, era 
estudada principalmente pela relação com a escravidão. "Mas, nas últimas 
décadas, outros temas relacionados à África têm despertado interesse de 
pesquisadores. A história do continente, por exemplo, só passou a ser 
obrigatória como disciplina há cerca de dez anos, nos programas das 
universidades. Mas ainda é restrita, quando comparada com a história da 
América, por exemplo", destacou.


Márcia salienta que, ao ampliar o acesso a textos e imagens raras - com 
possibilidades de impressão -, será possível estimular os estudos de forma 
geral sobre o continente.


"Além de democratizar o acesso pela internet, a digitalização é uma forma de 
preservar as obras raras, evitando o manuseio excessivo e desgaste", disse.

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Prof. Murilo Bastos da Cunha, Ph. D.
Universidade de Brasilia
Faculdade de Ciência da Informação (FCI)
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