São Paulo, sexta-feira, 27 de agosto de 2010  
 
Avaliação trienal da Capes 
JORGE GUIMARÃES E LIVIO AMARAL
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2708201007.htm 
<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2708201007.htm> 
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É puro reducionismo afirmar que avaliar é contar trabalhos e que a única 
questão é como classificar as revistas em que estes textos são publicados 
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Os avanços em ciência e tecnologia no Brasil, comprovados, entre outros 
indicadores, pela 13ª posição na produção científica mundial, têm sido 
destacados em editoriais e em estudos e publicados em revistas, fóruns e 
organismos internacionais. 
Destaque-se que esses avanços são indissociavelmente ligados à pós-graduação, 
uma realidade das últimas décadas, legitimada internamente e reconhecida 
internacionalmente. E, se a pós-graduação brasileira é esse caso de sucesso, 
isto se deve, sobretudo, ao processo de avaliação realizado pela Coordenação de 
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). 
Iniciamos no mês passado mais uma avaliação. Consultores estão avaliando dados 
de 2007-2009, informados pelos programas de pós-graduação, após auditagem 
prévia pelas coordenações dos cursos. 
A avaliação contempla cinco eixos: proposta do programa; corpo docente; corpo 
discente, teses e dissertações; produção intelectual; inserção social dos 
cursos. Uma característica da avaliação é a universalização que se expressa 
nestes eixos para todas as áreas de conhecimento, sem com isso deixar de 
contemplar as especificidades próprias delas. 
A produção intelectual da qual trata a avaliação é o que resulta em avanço do 
conhecimento associado à garantia de boa formação de mestres e doutores. Em 
algumas áreas, ela se expressa na forma de livros e, em outras, através da 
publicação de artigos em revistas científicas. 
Para artigos em periódicos, temos o "Qualis-Periódicos", que é atualizado 
periodicamente. Na trienal-2010, o Qualis servirá para avaliar 270 mil artigos 
publicados em mais de 17 mil diferentes periódicos. O componente qualitativo 
desse acervo quantitativo é o que se vai identificar e avaliar. 
O eixo da produção intelectual tem sido objeto de recorrente debate, inclusive 
por meio da imprensa. Algumas vozes, equivocada e distorcidamente, propagam a 
ideia de que a avaliação da pós-graduação é exclusivamente um processo para 
"avaliar o quantitativo da produção intelectual". 
É puro reducionismo afirmar que avaliar é contar trabalhos e que a única 
questão é como classificar as revistas nas quais são publicados. 
Há também condenação ao uso do fator de impacto (FI) para a classificação de 
revistas, insinuando ser uma prática usual inflar artificialmente o índice. 
Práticas indevidas acontecem, sim. Mas são prontamente descobertas e 
denunciadas pela própria comunidade internacional. 
Por outro lado, o FI das revistas aumenta e diminui ao longo dos anos, e a sua 
atualização implica na atualização do Qualis, que sinalizará sua aplicação para 
o período seguinte. Mas é ingenuidade admitir que as comissões de áreas não 
saibam valorizar o que possa ter ocorrido de positivo com um periódico com base 
na edição do FI mais recente, mesmo que ele ainda não esteja atualizado no 
Qualis. 
Portanto, não há risco de perdas e danos na avaliação e não passa de 
reducionismo a condenação ao Qualis. Há que se concordar, todavia, com a 
crítica sobre o uso inadequado do Qualis para a avaliação de situações 
individuais de professores e pesquisadores ou ainda para considerações sobre 
instituições universitárias, editoras e suas políticas editorais, o que não é o 
caso da avaliação feita pela Capes. 
A trienal-2010 se fará avaliando os cinco eixos e considerando as 
peculiaridades de cada área. Em particular, na produção intelectual serão 
observadas as definições que constam nos documentos de área e que podem ser 
consultadas na página da Capes. 
JORGE GUIMARÃES é presidente da Capes. LIVIO AMARAL é diretor de avaliação da 
entidade.
 

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