Os assassinatos do Jornal Nacional
    Enviado por luisnassif, qua, 06/04/2011 - 18:51


    
    Por Edilenice Passos

Peço licença para tratar de um assunto fora do escopo da Lista Infolegis.

Para  muitos aqui, na Lista Infolegis, eu sou apenas um nome. Outros 
tantos  me conhecem pessoalmente. Acredito, porém, que todos conhecem 
minha  reputação profissional.

No dia 1 de abril de 2011, o Jornal Nacional, da Rede Globo, veiculou
  matéria sobre o início do ponto biométrico no Senado Federal, local  
onde trabalho. Mostrou que o ponto não se aplica a todos os servidores e
  funcionários, e que tem acontecido fraude. A partir desse momento  
mostra imagens minhas saindo do prédio dez minutos depois de ter  
entrado. Diz ainda que isso aconteceu por dois dias seguidos.


O que a reportagem omitiu é que isso aconteceu 
porque o meu local de  trabalho (Museu do Senado) passava por reforma. 
Enquanto foi possível  trabalhar, eu trabalhei. Trabalhei com o barulho e
 a poeira provocados  pela reforma do plenário vizinho ao Museu, 
trabalhei com cheiro de cola  usada para fixar os novos carpetes. A 
certa altura, foi necessário  interditar o Museu para a reforma do seu 
teto. Os computadores foram  desligados, as mesas foram cobertas. Quando
 não foi mais possível  trabalhar, recebi a orientação que deveria bater
 meu ponto e trabalhar  em casa. E trabalhei. Na época estava 
trabalhando em parte do manual do  Portal LexML. Nesse período, eu me 
reportei ao Diretor e sempre me  coloquei à disposição para realizar 
qualquer tarefa que me fosse  designada, no Senado Federal ou fora dele.

Logo que a reforma do Museu do Senado terminou, retornei ao meu local de 
trabalho.
Na
  época da reforma, meus colegas que estavam de plantão cuidando da 
obra,  me informaram que uma jovem, que não se identificou, me procurou.
 Essa  jovem carregava na altura do peito um "smartphone" com a fortuita
  intenção de gravar algo ilícito. Ela esteve no Museu, verificou que o 
 local estava em obras, e mesmo assim, veiculou imagens sem o devido  
contexto, sem a devida explicação.

Por mais de 28 anos trabalho no Senado Federal. Trabalhei por 12 anos
  na Consultoria Legislativa do Senado, onde chefiei o serviço de  
pesquisa. Coleciono mensagens de apoio e elogios dos usuários que  
atendia.

Em 2009 e 2010, assessorei, no papel de Bibliotecária  Jurídica, a 
Comissão para Elaborar o Anteprojeto de Código de Processo  Penal, tenho
 sido publicado a pedido do Ministro Hamilton Carvalhido,  que presidiu a
 Comissão, no Boletim de Pessoal do Senado, agradecimento e  elogio por 
minha atuação.

Fui por duas vezes indicada para a Medalha Rubens Borba de Moraes,  
concedida pelo Conselho Regional de Biblioteconomia, 1 Região. A eleição
  se dá por indicação espontânea dos colegas profissionais. Acredito que
  ninguém iria indicar um profissional relapso.

Tenho mais de 40 itens publicados, entre livros e artigos de  
periódicos. A lista dos meus trabalhos pode ser encontrada no meu sítio 
 na Internet, em www.infolegis.com.br/Curriculo.htm.
Fui recentemente eleita, por aclamação, para a coordenação do Comitê 
 Gestor de Informação do Portal LexML. Participo de dois grupos de  
trabalho (GTs) dentro do Comitê e fui escolhida para escrever um artigo 
 científico descrevendo o trabalho de um dos GTs, que versa sobre o  
modelo de requisitos para a gestão da informação jurídica, que foi  
submetido ao XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Ciência da  
Informação (XXIV CBBD).

Além desses dois grupos de trabalho, desenvolvo, com colegas  
bibliotecários jurídicos, três pesquisas: a primeira sobre o mercado de 
 trabalho para o bibliotecário jurídico nos órgãos dos poderes  
Legislativo e Judiciário; a segunda, uma análise da legislação,  
publicada em 2009, no Distrito Federal, Pernambuco, São Paulo, Pará e  
Rio Grande do Sul; e a terceira sobre o bibliotecário jurídico e o  
sigilo profissional.

Eu pergunto por que não fui filmada quando, em 2009, trabalhei  
incansavelmente para preparar um número especial da Revista Senatus  
sobre os 50 anos do Senado Federal em Brasília. Além de ser responsável 
 por quase toda a pesquisa bibliográfica e iconográfica, escrevi seis 
dos  12 artigos que compuseram o fascículo.

Eu pergunto por que não fui filmada trabalhando de cadeiras de rodas,
  muletas e bota ortopédica quando lesionei o tendão do meu pé direito.

Eu  pergunto por que não fui filmada quando pesquisei e ajudei na 
digitação  e correção de todos os anteprojetos e projetos de lei, 
publicado s de  1930 a 2010, que procuraram alterar o Código de Processo
 Penal. Esse  trabalho agora está em fase final e será publicado pela 
Subsecretaria de  Edições Técnicas do Senado Federal.

Eu pergunto por que não fui filmada em todos os dias da minha longa  
carreira do Senado Federal, em que fui produtiva, correta e  
profissional.

Eu pergunto por que essa jornalista não se deu  ao trabalho de 
verificar os fatos e contar a verdade. Eu, por fim,  pergunto por que 
ela ignorou o princípio básico do bom jornalismo, de  dar a chance à 
pessoa envolvida de esclarecer a situação antes de expor  sua imagem 
publicamente, em rede nacional.

Edilenice Passos
 
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