Deputados e ativistas intensificam luta contra o "AI-5 digital"
  Fonte: Portal Vermelho.
  Data: 11/07/2011.



Prevista para o dia 10 de agosto, a votação do "AI-5 digital" - projeto de lei 
que tipifica os crimes cometidos pela internet - promete ser polêmica. 
Atualmente na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da 
Câmara, a matr tramita há 12 anos no Congresso e ganhou novos contornos com a 
apresentação de nova proposta sobre o assunto.

Um grupo de deputados colocou em consulta pública no portal e-Democracia 
proposta que também tipifica crimes na internet, mas que prevê menos crimes e 
penas menores e não obriga os provedores de acesso a guardar os dados de 
conexão do usuário - um dos pontos criticados no PL 84/99.

Os autores da nova proposta, além dos chamados ativistas da internet livre, 
defendem que uma lei sobre crimes na internet só seja aprovada após a criação 
do marco civil da internet, que vai estabelecer direitos e responsabilidades de 
usuários e provedores. "É impossível pensar em punição sem antes pensar em 
direitos", diz a deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS).

Ao lado dos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Luiza Erundina (PSB-SP), João 
Arruda (PMDB-PR), Brizola Neto (PDT-RJ) e Emiliano José (PT-BA), Manuela é uma 
das autoras da proposta em consulta pública. Porém, o anteprojeto do Poder 
Executivo sobre o marco civil ainda não chegou à Câmara. Segundo o Ministério 
da Justiça - que promoveu consulta pública sobre o tema -, o texto será enviado 
ao Legislativo em breve.

Por outro lado, alguns parlamentares e advogados consideram a aprovação do 
projeto de crimes digitais urgente. "Estamos esperando o marco civil há quase 
dois anos", diz o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), relator do PL 84/99 na 
Comissão de Ciência e Tecnologia. "Se for o caso, algumas questões, como a 
guarda dos dados de conexão, podem ser alteradas posteriormente pelo marco 
civil", complementa.

Como senador na legislatura passada, Azeredo foi o responsável por elaborar o 
substitutivo do Senado ao texto aprovado pela Câmara em 2003. O substitutivo de 
Azeredo recebeu críticas dos ativistas da internet livre, que elaboraram 
petição contrária à proposta - o manifesto conta hoje com cerca de 163 mil 
assinaturas.

Com a aprovação desse substitutivo pelo Senado, a proposta, do ex-deputado Luiz 
Piauhylino, retornou à Câmara, em 2008. A proposta tramita em regime de 
urgência, de forma simultânea, em três comissões: Ciência e Tecnologia, 
Comunicação e Informática; Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e 
Constituição e Justiça e de Cidadania. Em seguida, será votada pelo Plenário.

Mudanças
Em seu parecer na Comissão de Ciência e Tecnologia, Azeredo fez modificações no 
substitutivo que apresentou no Senado, a fim de mascarar os problemas 
apontados. Ele retirou a previsão de que o provedor de acesso à internet 
informe à autoridade competente, de maneira sigilosa, denúncia que tenha 
recebido e que contenha indícios da prática de crime em sua rede de 
computadores.

Azeredo optou por manter, porém, a obrigação de os provedores de acesso 
manterem em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de três anos, os 
dados de conexão dos usuários. Esses dados devem ser fornecidos às autoridades 
investigatórias mediante requisição judicial.

O líder do PT, deputado Paulo Teixeira, diz acreditar que as mudanças não 
resolvem os problemas. "O PL 84/99 ameaça a privacidade, na medida em que manda 
guardar os dados de acesso à internet sem dizer como", critica Teixeira, um dos 
autores da nova proposta, que não traz essa previsão. "A questão da guarda de 
dados de conexão tem que ser tratada no âmbito do marco civil da internet", 
complementa.

Já o relator da proposta na Comissão de Segurança Pública, deputado Pinto 
Itamaraty (PSDB-MA), considera a medida de fundamental importância. "O primeiro 
passo para a polícia localizar um criminoso virtual é identificar de qual 
computador e em qual horário partiu a conduta lesiva", afirma. Ele emitiu 
parecer favorável ao substitutivo do Senado, o qual aguarda votação na 
comissão. Na CCJ, o projeto ainda não recebeu parecer do relator, deputado 
Alessandro Molon (PT-RJ).

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Prof. Murilo Bastos da Cunha, Ph. D.
Universidade de Brasilia
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