Prezado Nilton,

interessante a sua mensagem dando conta de quea Revista da Saúde Pública
cobrará pela publicação de artigos. O que não ficou claro é sobre o acesso
aos artigos, eles serão de livre acesso ou só acessam aos artigos quem
pagar pela sua assinatura? Existe, a estratégiada via Dourada, na qual
diversas revistas adotaram o modelo de negócio "Autor-paga", mas o acesso
aos artigos dessas revistas é livre, o usuário ou leitor potencial dessas
revistas não pagam nada para acessar os artigos publicados nessas revistas.

Assim, se o acesso aos artigos da Revista da Saude Pública for livre,
apesar de cara a taxa de publicação, entende-se como a primeira iniciativa
brasileira na adoção da estratégia da via Dourada do Acesso Livre,
utilizando o modelo "Autor-paga".

Cordiais saudações.
Helio Kuramoto

Em 26 de janeiro de 2012 20:50, Nilton Bahlis dos Santos <
[email protected]> escreveu:

> *R$1.500,00 por artigo? Abaixo-assinado em apoio à não privatização da
> Revista de Saúde 
> Pública<http://www.saudecomdilma.com.br/index.php/2012/01/24/r1-50000-por-artigo-assine-o-abaixo-assinado-em-apoio-a-nao-privatizacao-da-revista-de-saude-publica/>
> *
> www.saudecomdilma.com.br
> Militantes do campo da Saúde Coletiva propõe abaixo-assinado contra
> cobrança por publicação
> Revista (“Pública”) de Saúde Pública cobrará R$ 1.500,00 para publicar
> artigo<http://www.saudecomdilma.com.br/index.php/2011/11/27/revista-publica-de-saude-publica-cobrara-r-1-50000-para-publicar-artigo/>
> By Saúde com Dilma<http://www.saudecomdilma.com.br/index.php/author/admin/>
> - Atualizado em  27/11/2011*Postado em: *Felipe 
> Cavalcanti<http://www.saudecomdilma.com.br/index.php/category/autores-do-saude-com-dilma/felipe-cavalcanti/>,
> z <http://www.saudecomdilma.com.br/index.php/category/z/>
> [image: Ficaremos indiferentes? Se a moda pega, é mais um passo na
> passagem de um campo militante para uma elite da ciência.]
>
> *por Felipe Cavalcanti, médico sanitarista e doutorando em Saúde Coletiva*
>
> A tendência de elitização no campo acadêmico brasileiro e, em particular,
> na Saúde Coletiva se confirma: a Revista de Saúde 
> Pública<http://201.55.67.237/rsp_usp/mensagem/pub/bemvindo.php?tipo=0>da 
> Universidade de São Paulo (RSP/USP) passará a cobrar R$ 1.500,00 por
> artigo publicado (clique 
> aqui<http://201.55.67.237/rsp_usp/mensagem/pub/bemvindo.php?tipo=0>e veja o 
> comunicado da revista).
>
> Não foi por acaso que justamente esta revista decidiu introduzir essa
> cobrança entre os periódicos brasileiros do campo da Saúde Coletiva. Na
> avaliação da Capes (Coordenação de Aprimoramento de Pessoal de Nível
> Superior) <http://www.capes.gov.br/>  (que gera um ranking de
> “qualidade”), apenas dois periódicos brasileiros situam-se no estrato mais
> alto (avaliados como A1 e A2) e a Revista de Saúde Pública é um deles.
> Fosse um periódico B2, certamente não se arriscaria a fazer essa cobrança,
> sob o risco de sumir do mapa.
>
> Nada contra os editores que tomaram esta decisão, eles devem ter vários
> motivos bastante supostamente razoáveis para explicá-la. Apesar disso, a
> Revista de Saúde Pública está sediada em uma instituição pública com acesso
> a recursos públicos e etc. e não deveria, na minha humilde opinião, tomar
> este caminho aparentemente mais fácil para resolver eventuais problemas
> financeiros que ameacem sua sustentabilidade. Pelo contrário, deveria, isso
> sim, juntar-se às outras revistas do campo – bem avaliadas ou não pelos
> critérios atuais – e fazer algum movimento no sentido de garantir a
> sustentabilidade dos periódicos que fazem circular o conhecimento produzido
> no campo .
>
> Nú e cru, essa cobrança significa simplesmente que os mortais
> pesquisadores, além de se submeterem à via crúcis que é publicar um artigo
> nas renomadas e imortais revistas qualificadas pelo Qualis da Capes como
> “padrão-ouro”, agora terão, como cereja do bolo, que pagar 1.500,00 reais.
> Isto, é claro, se o artigo for aprovado (provavelmente após cerca de 2 anos
> de idas e vindas).
>
> Cada um de nós implicados com o direito à saúde, a Abrasco (Associação
> Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva <http://www.abrasco.org.br/>)
> e os programas de pós-graduação (em especial o Fórum de Programas de Pós)
> precisam se posicionar urgentemente em torno disso. Se a moda pega, a Saúde
> Coletiva dará mais um passo na passagem de um campo militante, engajado na
> luta pelo direito à saúde, para um grupo de elite da ciência.
>
> Para os pesquisadores participantes de programas com conceito 6 e 7 da
> Capes, provavelmente esse será um problema menos importante, pois esses
> programas recebem mais recursos da Capes, tem mais acesso a editais de
> pesquisa, etc. Assim, além de dispor de mais recursos, esses programas
> acabam por ter maior maleabilidade no uso dos mesmos, e provavelmente
> bancarão o valor cobrado pelas revistas (os programas 6 tem recursos
> específico para custear publicação de seus participantes). Como para um
> programa de pós-graduação ter conceito alto na Capes é necessário que
> alunos e professores do programa tenham pontuação alta no que diz respeito
> à produtividade, esta é uma ótima maneira de manter as coisas como estão:
> quem tem conceito 6 junto à Capes continuará com 6 (ou eventualmente 7),
> quem tem 7 continuará 7 e os outros mortais programas de pós nunca
> conseguirão ascender ao “panteão dos deuses”. Salvo, é claro, por esforço
> sobre-humano dos seus profissionais e alto investimento da instituição que
> sedia o programa, dependendo fortemente de recursos próprios, sem contar
> com um apoio mais sustentado da Capes (como os que recebem os programas 6 e
> 7).
>
> A idéia é “quase” a mesma da equidade inscrita na constituição e que funda
> o Sistema Único de Saúde: fortalecer ainda mais quem já é forte. Ou seja, é
> o avesso do avesso. Mas “tudo bem”, voltaremos a isso daqui a pouco.
>
> *Como funciona o sistema de avaliação da Capes?*
>
> Pra quem não conhece, o sistema funciona mais ou menos assim: a Capes faz
> um ranking dos periódicos científicos nacionais e internacionais. Segundo
> os representantes do sistema da avaliação, este ranking serve apenas para
> avaliar os programas de pós-graduação a partir das publicações realizadas
> por seus professores e alunos, ou seja, sua produção e a qualidade dela. O
> programa que tiver maior pontuação terá maior Conceito junto à Capes e,
> portanto, receberá mais recursos (mais bolsas, acesso a mais editais de
> pesquisa, etc.).
>
> O ranking da Qualis gera pontuações diferentes de acordo com o períodico
> onde o artigo é publicado. Assim, se os professores de uma pós-graduação
> publicarem num periódico considerado A1 (para a área específica do
> programa, ex.: Saúde Coletiva), o programa “ganha” 120 pontos. Se publicar
> num A2, 100 pontos. No B1, 80; no B2, 50 pontos. Já nos B3, B4 e B5 meros 5
> pontos (Não sei se os valores estão corretos, se alguém souber ao certo me
> corrija, mas a lógica é por aí). Desse modo, quanto mais os alunos e
> professores de um programa tiverem artigos publicados em periódicos tidos
> pela Capes como de “alta qualidade”, mais o programa será bem avaliado (há
> outros critérios, mas este é um dos mais importantes).
>
> Acontece que nenhum programa quer ser mal avaliado, certo? Isso procede na
> maioria dos casos, e aí vão se reproduzindo os absurdos nas formas mais
> utilitaristas possíveis: alguns programas de pós-graduação passam a fazer
> uma espécie de seleção daqueles que podem compor o corpo docente permanente
> do programa. E o critério utilizado não é se o professor orienta bem, se
> ensina bem, nada disso. O principal critério é se as publicações por ele
> realizadas atingem uma quantidade mínima de pontos para não “prejudicar o
> conceito do programa”. Se não atingir, ou ele vira “professor colaborador”
> ou é excluído da pós-graduação (a mesma lógica serve para saber se um
> professor entra ou não na pós-graduação).
>
> Desse modo, o sistema de ranking acaba servindo para muito mais do que
> avaliar os programas, ao contrário do que querem fazer crer a Capes e os
> que falam por ela. Este sistema de avaliação finda sendo também adotado por
> algumas universidades na avaliação das publicações em concursos e,
> sobretudo, estabelecem uma grande hierarquia nas publicações. Assim, alguns
> poucos periódicos são fortalecidos e, como quase todo pesquisador quer
> publicar em periódicos que lhe permitam posteriormente ter boa pontuação em
> concursos, assim como tem interesse em integrar programas de
> pós-graduação, etc. etc., todos passam a querer publicar naqueles
> periódicos com maior pontuação junto à Capes. Acaba-se então por criar um
> grande gargalo nas publicações, pouquíssimos periódicos recebem a maior
> parte dos artigos do campo, o processo de publicação demora muitíssimo e a
> publicização e circulação do conhecimento produzido (que deveria ser o mais
> importante) acabam sendo prejudicadas. De quebra, o sistema cria uma
> dinâmica circular, em que o periódico é mais bem avaliado porque tem mais
> publicações (sendo mais citado) e tem mais publicações porque é bem
> avaliado. Nessa entropia aí, dificilmente um periódico consegue ascender no
> sistema de classificação, inclusive porque para compor as bases de dados
> (ser indexado) existem uma série de exigências que um periódico sem apoio
> da Capes (por não ser bem avaliado) dificilmente consegue cumprir. Isso só
> reforça a dinâmica circular e a iniquidade.
>
> *Como os periódicos são classificados?*
>
> Entre os periódicos qualificados como A1 na Saúde Coletiva, não há um só
> periódico brasileiro. Dentre os A2, temos apenas 2: Cadernos de Saúde
> Pública e Revista de Saúde Pública. Será que os artigos publicados em
> português, nas revistas brasileiras são piores do que os outros? São ruins?
> Se não, por que devem “valer” menos? Pra tentar compreender um pouco isso,
> vale a pena entender a mecânica do sistema classificatório dos periódicos.
>
>  O sistema de avaliação dos periódicos da Capes (chamado de Qualis
> Periódicos <http://www.capes.gov.br/avaliacao/qualis>) possui um conjunto
> de critérios que variam de acordo com a área. Eu diria que o mais
> importante (mais falado pelo menos) e para mim também mais polêmico na área
> da Saúde Coletiva é o chamado “fator de impacto”. Provavelmente esse é um
> sistema que torna mais simples a avaliação, até mesmo que torna-a factível,
> tendo em vista o número de publicações realizadas. Em outras palavras, é
> bem difícil imaginar que seria o caso de ler artigo por artigo de cada
> periódico para gerar uma classificação. Desse modo, utiliza-se um indicador
> bibliométrico – o fator de impacto – que mede o número de citações de
> artigos que um periódico recebe num determinado período e quanto mais
> citações de artigos um periódico tiver, melhor avaliado ele será.
>
> O problema do sistema está justamente ligado ao que foi posto
> anteriormente: para ser citado, o periódico precisa ser acessado; e para
> ser acessado, precisa estar disponível no sistema de buscas. E para estar
> nos sistemas de buscas (indexados) os periódicos precisam cumprir uma série
> de exigências (que definitivamente não são “objetivas” nem explicitadas),
> processo que muitas vezes parece ter um caráter muito mais político do que
> técnico. Em outras palavras: quem comanda a base de dados, seleciona quem
> acha que deve entrar ou não.
>
> Desse modo, e por fim, estabelece-se um campo fértil para ações que não
> fortalecem o caráter público, aberto, cooperativo e produtivo do
> conhecimento, mas, ao contrário, criam sérias amarras ao seu
> desenvolvimento de maneira a contribuir com a produção de um mundo menos
> iníquo.
>
> Nilton Bahlis dos Santos
> Coordenador do Núcleo de Experimentação de Tecnologia Interativa (Next)
> www.next.icict.fiocruz.br
> Coordenador do NIT do Icict Fiocruz e Professor do PPGICS
>
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Hélio Kuramoto
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