THE NEW YORK TIMES - O Estado de S.Paulo 12 de fevereiro de 2012 | 3h 07 A ameaça dos espiões digitais na China Viagem corporativa ao país exige 'operação de guerra' para evitar roubo de informações Nicole Perlroth, San Fancisco
Quando Kenneth G. Lieberthal, membro da Brookings Institution e especialista em assuntos ligados à China, viajou para esse país, seguiu uma rotina que parece típica de um filme de espionagem. Ele deixou seu celular e o laptop em casa e levou consigo aparelhos emprestados, cujo conteúdo foi eliminado antes de ele partir dos Estados Unidos e apagado em seu retorno. Na China, Kenneth desabilitou o Bluetooth e o wi-fi, e jamais deixou o celular longe da sua vista. Nas reuniões, não só desligava seu telefone, mas também removia a bateria do aparelho, por temor de que o seu microfone pudesse ser ligado remotamente. Ele se conectava à internet somente por meio de um canal codificado com senha protegida e a operação de copiar e colar a senha era realizada a partir de um pen drive. Jamais digitava sua senha diretamente porque, segundo disse, "os chineses são muito bons na instalação de software para acessar registros chave no seu laptop". Padrão. O que outrora poderia parecer um comportamento paranoico hoje é o procedimento operacional padrão para funcionários de agências do governo americano, grupos de pesquisa e companhias que realizam negócios na China e na Rússia - como Google, o Departamento de Estado ou a McAfee, a empresa gigante no setor de segurança na internet. A espionagem digital nesses países é uma ameaça real e crescente - para obter informações confidenciais do governo ou segredos empresariais. "Se uma companhia tem uma propriedade intelectual importante em que os chineses e russos estão interessados e você vai a um desses países com dispositivos móveis, eles conseguem penetrar nos aparelhos", disse Joel F. Brenner, antigo agente do serviço de inteligência americano. O roubo de segredos comerciais por muito tempo foi trabalho dos chamados "insiders" - espiões corporativos ou funcionários contrariados com sua empresa. Mas hoje é mais fácil roubar informação remotamente por causa da internet, da proliferação dos smartphones e o hábito dos empregados de conectar seus aparelhos pessoais às redes corporativas e carregar informações de propriedade da empresa. O modus operandi preferido dos hackers, segundo especialistas em segurança, é entrar nos aparelhos portáteis dos funcionários e então invadir as redes da empresa e roubar segredos sem deixar nenhum vestígio. Os alvos dos ataques destes ciberpiratas não gostam de abordar o problema e as estatísticas são escassas. Muitas das invasões não são informadas, dizem os especialistas em segurança, porque as empresas vítimas temem que a divulgação do fato possa afetar o preço das suas ações, ou porque algumas nunca tomam conhecimento da pirataria em si. Incidente. Mas a envergadura do problema é ilustrada por um incidente ocorrido na Câmara de Comércio americana em 2010. A Câmara não sabia que ela e várias organizações associadas eram vítimas de um roubo cibernético há meses, até o FBI informar que um grupo que servidores na China estava roubando informações de quatro executivos da Câmara que iam com frequência ao país. Na época em que a Câmara resolveu checar a rede, os hackers tinham invadido seus computadores e roubado e-mails por seis semanas. Mais tarde foi descoberto que a impressora de um escritório e até o termostato em um dos apartamentos usados por funcionários tinham comunicação com um endereço de internet na China. A Câmara não informou como os hackers se infiltraram nos seus sistemas, mas a primeira medida que adotou após o ataque foi proibir os funcionários de levarem aparelhos quando viajassem para "determinados "especialmente a China", disse um porta-voz. O fato, disse Jacob Olcott, especialista em segurança na internet na Harbor Consulting, é que os aparelhos levados para a China eram pirateados. "Todos sabem que, se você vai realizar negócios na China, no século 21, não deve levar nada consigo." As embaixadas da China e da Rússia em Washington não responderam aos vários pedidos para comentar o assunto. Mas depois que o Google acusou hackers chineses de invadirem seu sistema em 2010, as autoridades do país emitiram comunicado dizendo que "a China está comprometida em proteger os direitos e interesses legítimos das empresas estrangeiras em nosso país". Mas especialistas em segurança e autoridades dos Estados Unidos e autoridades dizem que a preocupação é crescente com as invasões de hackers nas redes de empresas. Em depoimento à comissão de inteligência do Senado, James R. Clapper, diretor da inteligência nacional, alertou sobre o roubo de segredos comerciais por "entidades" dentro da China e da Rússia. Mas Mike McConnell, ex-diretor da agência e hoje consultor, disse em entrevista que, "examinando sistemas informatizados importantes - no Congresso, no Departamento da Defesa, aeroespacial, empresas com segredos comerciais valiosos -, não encontramos uma ameaça persistente avançada". FONTE: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-ameaca-dos-espioes-digitais-na-china-,834730,0.htm _______________________________________________ Arquivos da Bib_virtual: http://listas.ibict.br/pipermail/bib_virtual/ Instruções para desiscrever-se por conta própria: http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/options/bib_virtual Bib_virtual mailing list [email protected] http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/listinfo/bib_virtual

