JC e-mail 4448, de 05 de Março de 2012.  

 

7. Inovação e divulgação de projetos em jornais são novos critérios de 
avaliação da produção científica 

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81412 

   

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vai 
acrescentar, na plataforma eletrônica Lattes, que traz currículos e atividades 
de 1,8 milhão de pesquisadores de todo o País, duas novas abas para divulgação 
pública. Em uma delas, os cientistas brasileiros informarão sobre a inovação de 
seus projetos e pesquisas; e na outra, deverão descrever iniciativas de 
divulgação e de educação científica.

 

Com a mudança, cientistas de todos os campos de investigação deverão descrever, 
na Plataforma Lattes, dados sobre a organização de feira de ciências, promoção 
de palestras em escolas, artigos e entrevistas concedidas à imprensa - além das 
informações básicas como dados pessoais, formação acadêmica, atuação 
profissional, publicações, linhas e projetos de pesquisa, áreas de atuação e 
domínio de idioma estrangeiros. A intenção do CNPq é aumentar o conhecimento da 
sociedade sobre as atividades científicas que ocorrem no País.

 

"No século 21, o cientista reconhece seu papel de engajamento na sociedade. Ele 
sabe que está sendo pago e financiado e que deve uma prestação de contas sobre 
o que faz", disse o presidente do CNPq, Glaucius Oliva. "Ainda há um fosso 
grande entre aqueles que fazem ciência e aqueles que consomem e financiam a 
ciência. A sociedade não conhece com profundidade toda a riqueza com que a 
ciência brasileira tem contribuindo para o desenvolvimento nacional", avaliou.

 

Segundo Oliva, passou a ser papel dos cientistas dar publicidade às atividades 
de pesquisa, mostrar experimentos e explicar projetos para o público, e ligar o 
trabalho a inovações que contribuam com as políticas públicas e até mesmo para 
a criação de novos produtos a serem lançados no mercado.

A mudança na plataforma Lattes poderá ocorrer em até dois meses. O modelo e a 
funcionalidade das abas já estão formatados e respeitarão as regras de 
transparência de informações públicas. O CNPq muda já na próxima semana o 
portal www.cnpq.br que, entre outras funções, permite acesso à plataforma 
Lattes.

 

Os novos dados informados serão considerados pelos 48 comitês de avaliação do 
CNPq quando forem aprovar projetos de pesquisa e conceder bolsas de estudo a 
professores e estudantes universitários. O conselho terá indicadores para 
avaliação dos trabalhos científicos em quesitos de inovação e de produção em 
divulgação científica, como ocorre hoje com a cobrança de publicação de artigos 
científicos, os papers, em revistas especializadas, inclusive do exterior.

 

Desde junho do ano passado, o CNPq exige, na submissão eletrônica das propostas 
de pesquisa e nos relatórios eletrônicos de concessão científica, que sejam 
descritos, "em linguagem para não especialistas", a relevância do que está 
sendo proposto e os resultados atingidos. "Com isso, eu passo a ter um banco 
fantástico para alimentar [com dados] os jornalistas", promete o presidente do 
CNPq. Segundo Oliva, o sistema terá busca de projetos e relatórios por 
palavras-chave, instituição e área geográfica. Por ano, cerca de 15 mil 
propostas de pesquisa são recebidas pelo conselho no edital universal (para 
todas as áreas do conhecimento).

Com a divulgação das propostas e relatórios, a expectativa de Oliva é despertar 
o interesse de "jovens talentos" para a ciência e criar uma nova cultura 
acadêmica em quatro anos - aproveitando o aumento significativo de novos 
mestres e doutores formados no Brasil. Na década passada, esse número dobrou, 
tendo atingido mais de 50 mil em 2009.

 

Além de mudar a cultura no ambiente acadêmico, o presidente do CNPq imagina que 
a divulgação de trabalhos e a educação científica possam alterar o 
comportamento social. "As pessoas têm que usar a ciência no dia a dia. 
Entender, por exemplo, que há relações de causa e efeito", observou. "Educar 
para os valores da ciência e para o método científico na vida pessoal nos 
protege de extremismos e intolerâncias", acrescentou Oliva.

 

(Agência Brasil) 

 

 

 

 

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