Especialistas dão dicas para a publicação de artigos científicos

Fonte: Agência FAPESP. Data: 23/03/2012.

URL: http://agencia.fapesp.br/15344

Autora: Karina Toledo.

Editores de revistas científicas procuram trabalhos com resultados inéditos, 
escritos em inglês claro e conciso e que despertem interesse em seu grupo de 
leitores. Artigos que abordam temas quentes do momento levam vantagem, pois têm 
mais chance de serem citados em futuras pesquisas e de contribuírem para 
aumentar o fator de impacto do periódico.

Essas foram algumas das dicas apresentadas por Daniel McGowan, diretor do Grupo 
Edanz, durante o workshop "How to Write for and Get Published in Scientific 
Journals", realizado no dia 16 de março pela FAPESP e pela editora científica 
Springer.

Desde 1990, o número de artigos submetidos para revisão teve um aumento 100% 
superior ao do número de novos periódicos, segundo dados do Grupo Edanz, 
empresa de consultoria na área. Com o crescimento da competição, de acordo com 
McGowan, "o mínimo que os editores esperam é ciência de qualidade e linguagem 
adequada".

"A pesquisa brasileira é boa, mas vejo dois grandes desafios a serem superados 
pelos pesquisadores do país: a dificuldade com a língua inglesa e a falta de 
entendimento de como deve se estruturado um artigo científico. Muitos parecem 
não saber o que colocar na introdução, na discussão e na conclusão do 
trabalho", disse McGowan à Agência FAPESP.

Durante sua apresentação no workshop, McGowan explorou o tema e deu exemplos de 
como estruturar um resumo, como inserir tabelas, gráficos e figuras no texto, 
como formatar referências e escolher o título e como elaborar uma carta de 
apresentação ao editor. Deu também dicas sobre o tempo verbal mais adequado nas 
diferentes situações e recomendou aos cientistas redigir frases na voz ativa e 
deixar sempre o sujeito da oração perto do verbo.

"Grande parte das pessoas que vão ler o artigo científico também não tem o 
inglês como primeira língua. O que elas desejam é ler rapidamente, apenas uma 
vez e conseguir entender a lógica do pesquisador", destacou.

Para McGowan, ex-editor associado da Nature Reviews Neuroscience, o primeiro 
passo para melhorar a qualidade da produção científica é a leitura do maior 
número possível de artigos publicados.

"Isso ajuda o pesquisador a saber se está fazendo as perguntas certas, usando 
os métodos adequados, interpretando os resultados no contexto apropriado, 
citando os estudos mais relevantes da área e escolhendo o periódico com o 
perfil indicado para sua pesquisa", disse.

Como cada publicação tem regras próprias para estruturar o texto e citar 
referências, a redação do artigo só deve começar após estar definida a revista 
para a qual ele será submetido.

"O pesquisador deve ser honesto ao avaliar o grau de relevância e novidade da 
pesquisa e escolher um periódico com fator de impacto compatível. Ela traz um 
avanço incremental ou conceitual? Afeta a vida de uma pequena população ou de 
milhares de pessoas? Melhora o conhecimento sobre um fenômeno ou apresenta uma 
nova tecnologia?", exemplificou McGowan.

O pesquisador deve ainda considerar fatores como o perfil do público a ser 
atingido, o prestígio da publicação e se ela trabalha como sistema de acesso 
aberto ou assinatura. "Acesso aberto permite alcançar um número maior de 
leitores e, portanto, gera mais citações. Mas também tem um custo muito maior", 
disse.

Segundo McGowan, um artigo nunca deve ser enviado a mais de um periódico ao 
mesmo tempo. "Por outro lado, se um pesquisador demora muito para publicar suas 
descobertas, pode ocorrer de outro grupo publicar antes. Recomendo, portanto, 
entrar em contato com o editor caso não receba retorno após seis semanas. Se 
depois de dois meses ainda não houver resposta, sugiro cancelar formalmente a 
submissão e só então enviar para outra revista", afirmou.

Outra dica do consultor é relatar no fim do artigo os financiamentos recebidos 
de agências de fomento ou de outras instituições e empresas, descrever 
possíveis conflitos de interesse e as limitações do trabalho, como tamanho 
pequeno da amostra por exemplo.

"Os editores percebem quando há falhas ou limitações na pesquisa, mas ainda 
assim podem publicá-la se os resultados forem interessantes. Não mencionar 
esses fatores, porém, pode ser um motivo para rejeição", disse.

Pesquisa brasileira

Na abertura do workshop, o vice-presidente da editora Springer, Paul Manning, 
contou que o motivo que levou a empresa a abrir um escritório no Brasil foi o 
crescimento expressivo da produção científica do país.

"A Springer surgiu na Alemanha no século 19 e foi para Nova York após a Segunda 
Guerra, pois era onde a ciência estava acontecendo. Nos anos 1970, fomos para o 
Japão pelo mesmo motivo. Agora, percebemos que havia muita coisa interessante 
aqui no Brasil", disse. A Springer atualmente está presente em 20 países.

Segundo dados apresentados pelo diretor da Springer Brasil, Harry Blom, a 
produção científica brasileira cresce a uma taxa de 17% ao ano - enquanto a 
média mundial é de 3% - e já corresponde a 55% da produção científica da 
América Latina.

Mariana Biojone, editora da Springer Brasil, apresentou as ferramentas 
gratuitas oferecidas no site da empresa para apoiar pesquisadores. Uma delas é 
o Author Mapper, que mostra os temas mais pesquisados do momento e em quais 
centros. "Isso pode ajudar o cientista a encontrar colaboradores para seu 
projeto", afirmou.

 

As apresentações do evento estão disponíveis em: www.fapesp.br/6848 

=============
Prof. Murilo Bastos da Cunha, Ph. D.
Universidade de Brasilia
Faculdade de Ciência da Informação (FCI)
Brasilia, DF 70710-900 Brasil
Blog: http://bibliotecadobibliotecario.blogspot.com/
Blog: http://a-informacao.blogspot.com/
_______________________________________________
Arquivos da Bib_virtual: http://listas.ibict.br/pipermail/bib_virtual/
Instruções para desiscrever-se por conta própria:
http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/options/bib_virtual
Bib_virtual mailing list
[email protected]
http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/listinfo/bib_virtual

Responder a