José Antonio escreveu: > Como é que são seus modelos, Jecel?
O modelo no qual estou trabalhando no momento é baseado em circuitos programáveis (FPGA) e deve ter quatro processadores de 120MHz. O plano é fazer o modelo seguinte com circuitos dedicados (ASIC) com mais procesasdores e frequência bem maior, além de recursos de radio-frequência que não existem no primeiro modelo. E assim por diante - mas estes detalhes não são importantes e sim discutirmos diferentes estratégias num nível mais abstrato. A "Lei de Moore" diz que o número de transistores em um componente de custo médio dobra a cada 18 meses. Podemos aproveitar isso de duas maneiras diferentes: 1) fazer sempre o mesmo produto mas cada vez mais barato. Veja aqueles "Nintendo num joystick" ou "Commodore-64 e jogos num joystick" sendo vendidos por menos de $20 como exemplos disso. A industria em geral evita seguir este caminho até extremos em função das margens de lucros decrescentes, o que foi a grande crítica do Nicholas Negroponte em 2005. 2) fazer produtos cada vez melhores mas com preço mais ou menos constante. Os PCs "Wintel" são um bom exemplo disso. Infelizmente isso torna os produtos antigos incompatíveis com os novos programas. Outro par de estratégias possíveis é: A) configuração fixa - os projetistas definem 100% dos detalhes do produto. Isto era muito comum em videogames e provavelmente descreve o seu tocador de DVD (não contando truques para eliminar controle de regiões). B) configuração pelo usuário - expansões criadas pelo usuário ou por empresas não ligadas ao fabricante. A maioria dos computadores de propósito geral são assim. Podemos combinar estas alternativas em quatro variações possíveis. Cada uma tem suas vantagens e problemas. A Apple começou com 1B (só que sem baixar muito o preço) e depois passou para 2A com o Mac original como reação ao problemas da configurabilidade (muitas variações para que o software seja testado com todas). O PC é claramente 2B e com o tempo o Mac ficou mais configurável também. A OLPC foi criada para explicitamente explorar as vantagens de 1A. O XO começaria próximo de $200 mas estaria em torno de $50 lá pelo fim de 2009. Com todas as máquinas exatamente iguais o software educacional poderia ser distribuido em escala mundial e aproveitado igualmente por crianças que receberam suas máquinas já em 2007 e as que forem ganhá-las em 2010. Apenas uma possível troca da tela inicial por e-Ink durante a produção estava prevista, mas para as crianças não faria diferença. As mudanças dos modelos iniciais para os atuais, que tornam os BTest-2 incapazes de usar versões recentes dos software, não contam pois fazem parte do desenvolvimento normal só que visível ao público ao contrário do que normalmente acontece. Já o papo de alterações radicais num XO-2 seria sim uma mudança de estratégia com consequências a serem avaliadas. O conector SD foi um pequeno passo de A para B mas com um impacto bem pequeno (já se podia usar "pen drives" USB, afinal. Só que estes tinham que ser retirados para se fechar a máquina). Note que apesar dos problemas de B, isso torna possível compensar em parte os problemas de 2. Ao invés de ter que comprar um computador totalmente novo para rodar o software atual, talvez uma placa gráfica nova e um HD maior no seu computador velho já resolvam. Mas muitas vezes a aparente economia não compensa. -- Jecel _______________________________________________ Brasil mailing list [email protected] http://lists.laptop.org/listinfo/brasil
