Otávio, Como se calcula com o BLUP ? Como calculamos a produção de leite: Nossas pesagens são semanais. Fazemos a média de todas as pesagens e multiplicamos pelo número de dias em lactação (desde o parto até ultimo controle que é sempre o dia de secagem). Em função de grande variação no período de lactação utilizamos a tabela do Tonhati e ajustamos para 270 dias. Estamos com problema com relação às vacas com mais de 305 dias de lactação pois a tabela só vai até 305. Nós secamos com 1 litro isto tem baixado um bocado nossa média, pois elas ficam algumas semanas com 2-3 litros. As vezes secam com menos de 1 litro, devido a diferença de uma semana para a outra. Já tivemos casos de ter de secar devido a proximidade do parto quando estavam produzindo 3-4 litros e com uma boa alimentação.
um grande abraço Marilia --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Marilia, Uma coisa é totalizar as lactações, e outra é cálcular a estimativa do valor genético para produção leiteira. Totalizando as lactações Na totalização das lactações há vários métodos utilizados, um deles é o que voce usa: média de controles periódicos x duração da lactação (eventualmente ajustada para uma certa duração). Neste sistema, verifica-se alguns problemas quando por alguma razão falhamos na quantidade ou periodicidade de controles de algum animal, por exemplo por um problema de calendário ou sanitário ou quando usamos critérios diferentes para considerar encerrada a lactação (tipo abaixo de 1 ou 2 litros, etc). O mais usual tem sido fazer o seguinte: média entre dois controles consecutivos x numero de dias entre controles e seguimos acumulando o total. É necessário alguma convenção para o primeiro controle e para o último, lembrando que do dia 0 até o primeiro controle, estamos numa fase ascedente da curva de lactação, mas nenhuma búfala começa produzindo zero litros no primeiro dia. Eu e o Nelson optamos por extrapolar o primeiro controle por todo o intervalo entre a parição e sua realização (creio que na tese do Tonhati ele usa uma fórmula para isso). Na secagem, convencionei com o Nelson dividir o ultimo controle por 2 e extrapolar até a data da secagem efetiva do animal. As durações realmente são variáveis e apesar de ter herdabilidade desprezível (ou seja, depende fundamentalmente de maenjo e fatores ambientais), para efeito gerencial ou na apuração de outros índices de produção tem seu significado (como no cálculo de índice como produção por dia de intervalo interparto ou produção por dia de vida após a primeira cria, etc.). Assim sendo, calculamos a produção real observada e assinalamos sua duração real, porém para efetito comparativo, utilizamos o "truncamento" até 305 dias (outros usam até 270 dias, como na Itália). Assim, se a búfala deu 4 litros no dia 300 e continuou dando 3 litros 30 dias após, computa-se 4 + 3 / 2 x (305 - 300 dias) e soma-se ao acumulado para chegar na produção "truncada aos 305 dias". Quem tiver duração menor, fica computada a duração real. Este sistema, não penalizará suas femeas, que apesar de estarem usualmente vazias (as vazias costumam ter durações que passam dos 315 dias) que ao final da lactação ficam um tempão dando 2-3 litros. A fim de padronizar as avaliações, verifica-se em livros de melhoramento mais antigos que se utilizavam "tabelas" para ajustar a produção em função de fatores não genéticos que influenciam a produção tais como a ordem de cria, a estação-ano do parto, a duração da lactação, etc. A finalidade era poder comparar produção de animais na primeira lactação com outros adultos, ou os que pariam no período seco com outros que pariam no período chuvoso, ou mesmo alguns com lactação de 250 dias x outros com duração de 300 dias, etc. O princípio do método era pois eliminar a influencia destes fatores considerados não determinados pelo potencial genético do animal. Assim, alguns trabalhavam com a produção "ajustada aos 305 dias", ou seja, se ultrapassasse 305 dias, truncava nos 305 dias, se não atingisse, projetava para os 305 dias por regra de 3. No meu caso, acredito que o método extrapola de forma incorreta a produção total , e desenvolvi uma forma de "projetar" a partir da curva de lactação que obtivemos analisando dados de meu rebanho e do Nelson. Utilizo tal produção baseado no fato de que a duração tem baixa herdabilidade e que a produção ajsutada desta forma apresentou maior herdabilidade que quando utilizei a produção real observado. Para ajustar a produção à idade adulta, existem várias tabelas para raças bovinas mas não para búfalas. Daí, fazendo comparações pareadas (desempenho do mesmo animal entre sua 3a e 8a lactações ano a ano), estabeleci índices de ajuste para o ano de parição. Ajustando a produção para 305 dias e estes índices de rebanho-ano, estabeleci minha própria tabela de ajuste para bubalinos na minha propriedade e, teoricamente, uma base comum de observação. Estes ajustes tinham por finalidade contornar situações vividas na prática tais como decidir qual animal descartar entre por exemplo uma femea de 1a cria com 1600 kg na lactação deveria e uma plurípara com uma plurípara com 2000 kg ? Cálculo do Valor Genético Para avaliação dentro do rebanho, baseados nas produções ajustadas, é possível aplicar alguns métodos que, levando em conta a herdabilidade da característica que se pretende selecionar (no caso a produção leiteira), permitiam estimar em valores numéricos o valor genético de cada animal. Um deles, que utilizávamos era a denominada Capacidade Mais Provável de Produção. Com aumento da base de dados em fução de uma parceria que mantemos com o Nelson há muitos anos na qual trocamos nossos controles leiteiros periodicamente e os processamos em conjunto, já que a base original dos rebanhos é praticamente a mesma, surgiram outras variáveis como a dificuldade de comparar as produções de meus animais criados em São Paulo, à pasto mais resíduo de cervejaria/caroço de algodão, com os do Nelson recebendo cana como base de volumosos e castanha de caju ? Obvio que a dieta influencia a produção. Como escolher um femea e escolher um potencial tourinho ? E as que pariram ao final da primavera em relação às que pariram no inverno? Aí é que entram as técnicas mais modernas, tornadas viáveis com a popularização da informática e aumento da capacidade de processamento dos computadores, sendo um das mais importantes a chamada "BLUP-Modelo animal", que através de modelos matemáticos (modelos mistos) procura avaliar todos os dados disponíveis sobre os animais com influência na produção (obtidos de trablahos experimentais) e, os avaliam concomitantemente, ajustando as produções com base neles.No seu processamento é ainda levado em conta a matriz de parentesco dos indivíduos, ou seja, o sistema, com base na herdabilidade da característica analisada e nos relacionamentos genético entre os indivíduos, calcula o potencial produtivo até mesmo dos indivíduos que não expressam tal característica (caso da produção leiteira nos machos ou em animais jovens ainda não em fase reprodutiva). Complementarmente, com base nos dados observados e projetados, o sistema calcula ainda o grau de confiabilidade da estimativa (acurácia). Quanto mais dados estão disponíveis na base de dados, maior a acurácia das estimativas e precisão do método enquanto ferramenta para identificação dos indivíduos de maior potencial para a característica almejada. Particularmente, venho utilizando o método nos últimos 6-7 anos aplicando-os sobra a base de dados montada em parceria com o Nelson, utilizando um software que se encontrava distribuido de forma gratuíta na internet (ASREML) que parece que hoje é comercializado e incluindo fatores para avaliação baseado em diversos trbalhos publicados sobre o assunto no Brasil (basicamente idade à parição, estação-ano, ordem de cria, local da lactação, efeito do touro e da mãe-dentro de touro). Simulações do sistema tem permitido verificar que, em média, os valores genéticos estimados antes do animal iniciar sua vida produtiva apresentam uma elevada correlação com os verificados após já terem lactações controladas. (na ordem acima de 85% de confiabilidade). Temos utilizado tal ferramenta para planejar os acasalamentos, a seleção de potenciais reprodutores e descartes nos nossos rebanhos. Padronização e implementação A eficiencia do método tem relação direta com a confiabilidade dos controles efetuados que devem ser obtidos de forma uniforme (esgota prévia, horários de ordenha,etc.), uma totalização da lactação padronizada, do aumento da base de dados (que aumenta sua acurácia). Daí, penso que uma ferramenta bastante útil que poderia ser utilizada pelos criadores seria a integração de seus rebanhos em programas amplos como por exemplo o programa da ABCB que nesta ultima semana concluiu a avaliação genética das 13 propriedades que dele participaram, cujos proprietários receberam avaliação genética individual de seus animais (PTA) processada pela coordenação do programa a fim de auxiliar o seu planejamento de acasalamentos, seleção e escolha de potenciais matrizes e reprodutores de uma forma mais precisa. No caso brasileiro, em que há muitos ascendentes em comum, a utilização de animais registrados (pré-condição do programa), favorece a montagem de uma matriz de parentesco mais completa, elevando a qualidade da informação obtida. Otavio [As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas] ___________________________________________________________________ Lista de discussao sobre bubalinocultura: Inscrição: envie mensagem para [EMAIL PROTECTED] (sem assunto nem nada no texto) Para sair da lista: enviar mensagem para [EMAIL PROTECTED] (sem assunto nem texto) Página do grupo: http://br.groups.yahoo.com/group/bufalos Links do Yahoo! Grupos <*> Para visitar o site do seu grupo na web, acesse: http://br.groups.yahoo.com/group/bufalos/ <*> Para sair deste grupo, envie um e-mail para: [EMAIL PROTECTED] <*> O uso que você faz do Yahoo! Grupos está sujeito aos: http://br.yahoo.com/info/utos.html

