Estimado Prof. Alcides,

Concordo plenamente com as suas ponderações. Creio que para o bem e  
futuro das diferentes raças bubalinas reconhecidas pela ABCB, seria de  
bom alvitre começarmos a nos preocuparmos com certas formas de  
hereditariedade patológicas que vem acometando algumas linhagens de  
animais e rebanhos.
Igual ao que se passou na raça Nelore e Gir nas décadas de 70-80,  
quando começou a ocorrer uma série de problemas ligados a eugenia  
desses animais, que traduziam-se por defeitos morfológicos visíveis,  
ligados ao fenótipo e ao genótipo de  elementos pertencentes aquelas  
raças, esatamos observando já há anos em bubalinos. Tivemos  
oportunidade de observar em inúmeros exames andrológicos que efetuamos  
em milhares de reprodutores das raças Nelore e Gir, especialmente  
naqueles animais descendentes das linhagens Kavardi e Chumak, assim  
como da linhagem Chave de Ouro na raça Gir, que eram portadores de  
inúmeras alterações andrológicas vísiveis e invisíveis. O pior, era  
que muitas vezes os animais vinham acompanhados de atestado e exame  
andrológico realizado por Médico Veterinário, sic, embora em muitos  
casos o tipo de patologia era tão evidente que qualquer pessoa que  
tivesse bom senso ou tivesse aprendeido a diferenciar o bom do ruim,  
poderia facilmente chegar a uma conclusão óbvia, que o animal era  
imprestável para a reprodução.
Esses mesmos problemas temos observados em bubalinos, principalmente  
em rebanhos onde a consaguinidade foi aplicada de forma descontrolada  
e, onde o elementos fundadores da raça foram de número reduzido,  
desconsiderando completamente os princípios fundamentais da eugenia,  
contradizendo-se também ao equilíbrio de Hardy/Weinberg.
Problemas de hereditariedade patológica ou seja de eugenia negativa em  
rebanhos bubalinos, que vão desde distúrbios de pigmentação - (favor  
não confundir com manchas esporádicas na vassoura da cauda ou na testa  
do animal), ou seja elementos albinos ou albinóides, ocasionado por  
defeito no metabolismo da tirosina/melanina, passando por distúrbios  
de aprumos, diminuição de tamanho corporal e distúbios morfológicos  
evidentes, alguns deles difíceis de ser detectados por quem não tem  
uma formação técnica eficiente, são bastante comuns devido a  
consanguinidade descontrolada que foi imposta em alguns rebanhos.
Do ponto de vista reprodutivo algumas formas de hereditariedade  
patológicas são tão evidentes, que mesmo pessoas leigas podem observar  
facilmente. Só para exemplificar,  problema da torção da bolsa  
escrotal, vem tomando uma dimensão significativa, que hoje é bem  
difícil em alguns rebanhos não se encontrar animais que não sejam  
portadores desse tipo de problema - sem falar em outros distúrbio,  
como os três diferentes tipos de patologia do testículo, disfunção  
epididimária e defeitos no desenvolvimento dos dutos mesonefricos ou  
de Mueller.
Portanto, creio que o ilustre Professor tem toda razão em levantar  
esse assunto, que por ser muito polêmico, poucas pessoas têm a coragem  
e a sensatez de encará-lo de frente.
Ademais, penso,  que o distinto Mestre, como Presidente do CDT,  
deveria iniciar uma campanha no sentido de se dar início a uma  
discussão geral entre os bubalinoculturoes sobre o assunto, começando  
sobre um parâmetro zootecnico importante, já considerado na maioria  
das raças taurinas e zebuínas com fundamental para a eficiência  
reprodutiva das raças acima citadas, que é a circunferência escrotal.

Atenciosamente

William G. Vale
Médico Veterinário
Membro do CDT/ABCB

Citando Alcides de Amorim Ramos <[EMAIL PROTECTED]>:

>         Meu Caro Jonas,
>
>         Parabéns pela sugestão, não podemos permitir que os animais   
> que chegam à exposição venham com defeitos desclassificatórios como   
> tivemos oportunidade de presenciar numa das mais exprecivas   
> exposição do País, Belém do Pará, há dois anos atrás.
>         Para que possamos levar avante os nossos animais os cuidados  
>  devem  começar nas fazendas. Tal medida, já observamos na Colômbia,  
>  na sua I Exposição Nacional, quando um dos mais exprecivos  
> criadores  daquele país teve o cuidade de apresentar somente os  
> animais pré  julgados.
>         Para isso, estivemos por lá,  orientando os técnicos   
> responsáveis e nos colocamos a disposição aqui, como presidente do   
> CDT da ABCB, com o objetivo de reciclar, atualisar e treinar os   
> nossos colaboradores que ora são responsáveis pelo controle do   
> registro genealógico.
>
>         Aquele abraço,
>
>
>       Prof. Dr. Alcides de Amorim Ramos
>       Depto. Produção Animal
>       FMVZ-UNESP-Botucatu
>       Fone: 55 14 3811-7185 ramal exclusivo: 214
>       E-mail: [EMAIL PROTECTED]
>       Home-Page: www.fmvz.unesp.br/bufalos
> -----Mensagem Original-----
> De: "Jonas Assumpção" <[EMAIL PROTECTED]>
> Para: <[email protected]>
> Enviada em: quarta-feira, 19 de novembro de 2008 09:23
> Assunto: Re: [bufalos] Encontros Americanos
>
>
> Otávio,
>
> Agora que está se voltando a discutir a ideia da retomada das   
> exposições de búfalos, acho FUNDAMENTAL que os animais inscritos,   
> antes de serem enviados a exposição, se submetam a um "exame ´prévio  
>  de admissão" por alguem designado pela ABCB. Essa pessoa ou  
> comissão  deverá prejulgar RIGOROSAMENTE os animais não só quanto a  
> qualidade  mas principalmente quanto ao preparo a que foi submetido.
> ( Não nos esqueçamos que em muitas de nossas antigas exposições   
> dava-se mais ênfase a quantidade de animais expostos do que ao   
> exterior e qualidade dos mesmos. Consequencia : Marketing no   
> avesso....)
>
> Abraços,
> Jonas.
>
>   ----- Original Message -----
>   From: Otavio Bernardes
>   To: [email protected]
>   Sent: Tuesday, November 18, 2008 12:30 PM
>   Subject: Re: [bufalos] Encontros Americanos
>
>
>   Pedro Paulo,
>
>   Me parece que há realmente espaço para se pensar na retomada de   
> eventos de cunho comercial envolvendo a bubalinocultura, não só com   
> participação de animais (apesar de não tão expressivo quanto na   
> década de 80, o mercado de animais de reprodução sempre se existiu),  
>  mas também promovendo outros elementos das cadeias (laticínios e   
> carne). As exposições da Agrocentro (Feileite, Feicorte e Feinco),   
> realizadas no Parque da Água Funda em São Paulo, parecem hoje   
> eventos que tem (ou pelo menos tinham até a tal crise) se tornado   
> relevantes na promoção pecuária, com um afluxo expressivo de público  
>  especializado.
>
>   Sabemos do interesse dos organizadores em atrair os búfalos o que,  
>  creio, poderá resultar em existir algumas facilidades para nossa   
> presença em tais eventos.
>   Diversamente das exposições regionais, um evento centralizado, a   
> exemplo dos que são efetuados em diversas regiões brasileiras   
> (Esteio, Gameleira, Fenagro, Belém, Macapá, etc.) demanda uma   
> logística mais significativa a fim de permitir uma participação   
> relevante e que permita algum retorno comercial aos participantes,   
> além na simples difusão da espécie e, a ausencia de uma   
> representação associativa formal no Estado de São Paulo poderia ser   
> um empecilho que, com sua liderança e experiencia na organização de   
> um evento do porte do VI Encontro Nacional certamente será   
> facilmente contornável e contará com bastante apoio na sua   
> implementação.
>
>   Otavio
>
>   ----- Original Message -----
>   From: Pedro Paulo Assef Delgado
>   To: [email protected]
>   Sent: segunda-feira, 17 de novembro de 2008 07:55
>   Subject: Re: [bufalos] Encontros Amaricanos
>
>   Otávio,creio que o Búfalo está entrando em um ciclo virtuoso .
>   Sinto cada vez maior interesse das pessoas pelo Búfalo, tudo bem   
> que aqui é por conta do encontro, mas também em outros lugares sinto  
>  o interesse crescer. Tem frigoríficos se interessando, açougues,   
> casas de carne e restaurantes o interesse pela mozzarella aumentou e  
>  junto com isso aumentou o interesse de criadores de outras raças   
> pelo Búfalo.
>   Será que não está na hora de organizar uma exposição no estado de   
> São Paulo, organizar uma campanha focando carne e queijos e uma   
> campanha focando os animais?
>   Será que não está na hora do Búfalo mostrar sua cara?
>
>   Pedro Paulo A. Delgado
>   Pres. Associação dos Criadores de Búfalos do Vale do Ribeira
>   [EMAIL PROTECTED] (13)9707-5633 / 3872-1428
>
>   --- Em seg, 17/11/08, Otavio Bernardes <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
>   De: Otavio Bernardes <[EMAIL PROTECTED]>
>   Assunto: [bufalos] Encontros Amaricanos
>   Para: [email protected]
>   Data: Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008, 7:38
>
>   Creio que mereça registro o interesse que a bubalinocultura vem   
> despertando particularmente nas Américas.
>   Tivemos oportunidade de participar do 1o Encontro de Criadores de   
> Búfalos da Colombia em setembro, que recebeu em Monteria cerca de   
> 200 participantes. Em outubro, o IV Encontro das Américas recebeu   
> mais de 800 participantes. Em novembro, no VI Encontro Brasileiro em  
>  Registro verificou-se 304 inscritos numero quase identico aos 305   
> participantes do 1o Encontro de criadores realizado em Puebla-México  
>  e organizado pelo criador Ismael Coronel Sicarios.
>
>   Otavio
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Prof. Dr. WILLIAM G. VALE
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