Manipula��o erudita da verdade...
Estilo j� remetido aqui na lista, por�m com um pouco menos de erudi��o...
(cf. G�nesis - Estilo "liter�rio" da serpente...)
Mistura verdades e boas concord�ncias da doutrina com sofismas e deturpa��es
absurdas.

Realmente o texto precisa de um "exorcismo".

H�lio A. - RJ

-----Mensagem original-----
De: M� Lu�sa Albuquerque <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Ter�a-feira, 4 de Abril de 2000 07:45
Assunto: [CLAP-PT] possess�o - 4 e �ltimo


GERASA: - Louco: se tomamos endemoninhado ao p� da letra, tamb�m tomamos
louco. Rasgava as roupas, tinha uma for�a herc�lea, rebentava com as
correntes com que o prendiam.
Banido da sociedade, erra por lugares ermos, a gritar como se fosse um
animal. Este tipo de pessoas � muito sens�vel quando se aproxima deles uma
personalidade forte, como seria a de Jesus. No manic�mio, percebem o m�dico
que os vai tratar de um simples visitante e t�m medo dele. Ao mesmo tempo
que s�o atra�dos, t�m necessidade de repelir.
E voltaria o dem�nio ap�stolo com "que tenho eu contigo, Jesus Filho de Deus
Alt�ssimo?"...
Seria uma n�tida incongru�ncia � luz da raz�o, pois naquela data Jesus ainda
n�o tinha dito que era Deus e nem os ap�stolos sabiam. E vinha logo o
dem�nio, afirmar a Sua divindade, tornar-se o seu melhor propagandista? Mas
o problema desaparece, se nos lembrar-mos que manifestava o que conheceu
parapsicologicamente ou captou por HIP ou telepatia, fen�menos humanos bem
conhecidos e demonstrados.
"Perguntou-lhe Jesus: qual � o teu nome? - Ele respondeu: Legi�o � o meu
nome, porque somos muitos". Se j� discutimos a possess�o por um s� dem�nio,
por uma legi�o � demais. � bem conhecida a megalomania compensadora de
certos doentes, em vez do complexo de inferioridade - eu sou o maior - uma
legi�o, de mim ningu�m ganha...
Resist�ncia: - Diz Marcos que o homem suplicava "por Deus te conjuro que n�o
me atormentes. Depois Ele dizia: Sai esp�rito imundo desse homem" 5, 7-8.
S� no ver. 13 nos diz o evangelista que por fim os dem�nios sa�ram. Id�ntica
resist�ncia temos em Lucas: - "Pe�o-te que n�o me atormentes. E era que Ele
ordenava ao esp�rito impuro que sa�sse do homem", (8, 28-29) e s� no ver.33
finalmente o esp�rito deixou o homem.
Marcos diz mesmo que ele estava louco, pois afirma que o homem ficou "no seu
s�o ju�zo" (5, 15).
Dem�nios querem casa? Era a ideia da �poca. A ideia de que os dem�nios
precisam duma casa, � oriental. Ainda hoje isso acontece, os povos orientais
consideram o possesso como a "casa" do dem�nio.
Mas, porcos ao mar, dem�nios outra vez sem casa...

Interpreta��es diversas:
1)  Os dem�nios, maus por natureza, queriam causar dano aos donos dos porcos
e desta maneira fazer com que a gente da regi�o se voltasse contra Jesus.
Refut. - Isto equivale a dizer que Jesus foi enganado pelos dem�nios.
2)  N�o havia dem�nios, mas era preciso provar materialmente que a doen�a,
para aquela gente os dem�nios invis�veis, tinham deixado o homem. Portanto,
seria a vontade de Jesus que produziu a corrida para provar isso.
Refut. - Porque n�o a cren�a oriental de que os esp�ritos precisam duma casa
para habitar?
3)  Foram os pr�prios dem�nios que suplicaram a Jesus que os enviasse aos
porcos e Ele, sabendo que iriam perecer, permitiu isso.
Refut. - Neste caso seriam os dem�nios os enganados... Telergia melhor
explica��o.
Mas ser� que Jesus veio confirmar o erro? - Jesus n�o veio ensinar ou
corrigir erros de ci�ncia. Falou a linguagem da �poca, pois tinha de ser
entendido por contempor�neos.
Cam�es escreveu h� 500 anos em portugu�s. A B�blia foi escrita h� 2000 em
grego, hebreu e aramaico. Quando perguntaram a Jesus pelo fim do mundo, Ele
escusou "olhai que ningu�m vos engane... falsos profetas... nem o Filho...
s� o Pai".
S.Paulo pensava que o fim do mundo seria imediato e isto n�o invalida a sua
doutrina.

Jesus era verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Tinha fome, sede, cansa�o e
medo (no horto: Pai se � poss�vel, afasta de mim este c�lice...)
Caiu com a Cruz de cansa�o ou porque n�o viu a pedra...
Quando perguntava, era mesmo porque n�o sabia. E em mat�ria de ci�ncia sabia
tanto quanto os homens da sua �poca, o que era muito pouco.
Se se tivesse olhado sempre para a B�blia como livro de religi�o e n�o de
ci�ncia, o pobre do Galileu n�o teria sofrido. E ele tinha raz�o, era a
terra que se movia.
Jesus n�o s� falava a linguagem da �poca, como usava um estilo para ser
entendido por camponeses. As par�bolas s�o em estilo campesino: para Ele, a
beleza m�xima eram os l�rios do campo e a suprema maldade, semear o joio no
trigo.
Jesus tinha de ser entendido por contempor�neos e falava, como se falava na
Galileia um aramaico incorrecto (Vermes, p�g. 57 a 59). Que outra coisa
poderia fazer? N�o ficaria bem a um brasileiro falar como um portugu�s. As
imagens apresentadas faziam parte da bagagem cultural da �poca e n�o se v�
porque Jesus n�o as havia de utilizar.
Provas que Jesus e os evangelistas n�o usaram mais que a linguagem da �poca:
Jesus falou em "sentar-se no reino dos c�us".
Os evangelistas apresentam Jesus aceitando que a terra � plana e o universo
geoc�ntrico (Mt.24, 27-29); (Mc.13, 24-27), dizendo que o sol se levanta
(Mt.5, 45); que o gr�o de trigo morre quando cai � terra (Jo.12, 24); que a
semente da mostarda � a mais pequena das sementes que existem no mundo
(Mc.4, 31), mas que quando a planta cresce, fica a maior das �rvores do
mundo (Mc.4, 32)...
S. Jo�o, que escreveu para o p�blico culto de �feso, j� nos apresenta o
conceito de endemoninhado de forma diferente  (Jo.7,20) a multid�o queria
matar. Ele disse e chamaram-no de louco: "Tu est�s possu�do pelo dem�nio,
quem te quer matar?" (Jo.8,48-49).
Todo aquele que apresentasse uma conduta estranha, era acusado de estar
possu�do. Aconteceu com Jo�o Baptista (Mt.11, 18; Lc.7, 33) e com Jesus, ao
anunciar que o que obedecesse � sua mensagem, n�o morreria nunca (Jo.8, 52).
O Evangelho refere 54 casos de expuls�es e ora emprega a palavra grega
iasthai (sarar) ora therap�uein (curar).
S� oito vezes pareceria distinguir. N�o podemos tomar ao p� da letra, pois �
o estilo reiterativo dos orientais.
Em (Mt.18, 8): - "curai os enfermos, limpai os leprosos..." Leprosos tamb�m
n�o s�o doentes?
Mt.10, 1: - "E chamando os Doze, deu-lhes poder sobre os esp�ritos imundos,
para os expulsarem e para curarem todo o mal e enfermidade". Patente a mesma
ideia: m�dico e exorcista, cada qual com a sua fun��o.
Os exorcismos n�o s�o realmente expuls�es de dem�nios, mas sim curas de
enfermidades internas, sem causa externa vis�vel.
Os exorcismos n�o s�o mais que curas que n�o se devem distinguir das outras
dos Evangelhos, porque os exorcismos propriamente ditos, tinham a realiza��o
de certos ritos que inclu�am quase sempre o uso de feiti�os e encantamentos,
bem como a invoca��o de um nome que se reputava sagrado. Esta pr�tica esteve
muito difundida entre os povos antigos. Nas curas de Jesus, nada nos indica
que Ele tivesse usado esse tipo de ritos.
O m�todo para curar os chamados possessos, era o mesmo que usava para
qualquer doen�a: a sua personalidade, a sua palavra, a sua presen�a, a sua
autoridade. Em parte alguma encontramos o uso de feiti�os, rituais,
encantamentos, conjura��es...
Exorcizar era o acto de expulsar os maus esp�ritos. No tempo do AT, a arte
de exorcizar tinha-se convertido numa medida reconhecida como necess�ria �
vida judia. Os exorcistas profissionais eram numerosos (He.19, 13-19), mas
havia tamb�m os n�o profissionais, que praticavam s� em certas ocasi�es
(Mc.9, 38; Lc.4,49; Mt.12, 27; Lc.11, 19).
Exorcizar vem do grego exorkiso = conjurar.
Este termo nunca foi usado por Jesus. Nos dois exemplos em que se encontra
este termo � usado contra Jesus:
Gerasa: - "Conjuro-te por Deus que n�o me atormentes" (Mc.5, 7).
Caif�s: - "Conjuro-te pelo Deus vivo..." (Mt.26, 63).
H� um exemplo de exorcismo em Actos 19, 13, em que os filhos do sumo
sacerdote Esceva, que eram exorcistas (exorkistoi) e tentavam imitar Paulo:
"Conjuro-te por esse Jesus a quem Paulo prega..." e o resultado n�o podia
ser mais catastr�fico, atacados pelo possesso que os deixou muito feridos e
despidos.
Jesus dirigia-se aos esp�ritos usando certas palavras (Mc.1, 25) "Jesus
increpou-o: - Cala-te e sai dele".
Epitamao  - increpar � uma proibi��o forte, um mandato e ordem severa, que
tamb�m � usada por Jesus quando se dirige aos ventos (Mt.8, 26), ao mar
(idem), �s ondas (Lc.8, 24), a Pedro (Mc.8, 32), � febre da sogra de Pedro
(Lc.4, 39). O verbo phimoo  - calar � utilizado quando Jesus se dirige aos
ventos e ao mar da Galileia (Mc.4,34).
Epitasso - mandar (nos dem�nios: Mc.1, 27; 9,25; Lc.4,36; 8, 31) � usado
quando se dirige aos ventos e ondas (Lc.8, 25).
Dizem-nos que os dem�nios sa�am (Lc.4, 41), mas tamb�m dizem
- "deixou-a a febre" (Mc.1, 31);
- "no mesmo instante a lepra foi-se embora" (Mc.1, 42; Lc.5, 15).

E as tenta��es de Jesus? - enorme estado de fraqueza depois de 40 dias
comendo mal e bebendo mal. Este � um n�mero que em linguagem b�blica
significa "muito": 40 anos no deserto, chover 40 dias (No�), etc.
Alucina��es, como homem que era.
O dif�cil seria n�o as ter, quase milagroso e Jesus nunca fez um milagre em
proveito pr�prio, mas sempre para comprovar a sua doutrina.



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Maria Luisa Albuquerque
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