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TODO O CORPO! — Bem nos inícios do cristianismo. Sob o imperador Nero. Santa Tecla de Licaonia, convertida pela pregação do apóstolo S. Paulo, rejeitou o casamento com Tamaro, por ser pagão. Tamaro então acusou os dois perante o procônsul de Iconio. O apóstolo foi acusado de perverter a mente do povo incitando-o a seguir, como Santa Tecla, um Deus estranho aos deuses do Império. Reforçava assim outras acusações que faziam os judeus contra S. Paulo. Foi açoitado, apedrejado e terminaria algum tempo depois tendo de fugir de Iconio (At 14,1-2.4-6.19-20). Santa Tecla, após muitas intrigas de Tamaro, foi ameaçada, bem ostensivamente, de morrer na fogueira. Quando o fogo estava no máximo, Santa Tecla, para demonstrar sua inquebrantável deciS. de não oferecer sacrifícios aos ídolos, espontaneamente pulou no meio das chamas. Estava presente uma imensa multidão. Com grande admiração todos puderam observar que sobre todo o corpo de Santa Tecla ardiam enormes chamas sem queimar nem consumir absolutamente nada. Por fim, entre raios e trovões uma grande tormenta apagou o fogo e dispersou a multidão. Santa Tecla tranqüilamente caminhou à casa de Onesiforo, onde se encontrou com S. Paulo e outros cristãos60. * Ano 231. Santa Cecília. Foi condenada pelo governador romano Almaquio, durante a perseguição decretada pelo imperador Alexandre-Severo. Meteram-na num grande caldeirão, seco. E o caldeirão foi colocado sobre o fogo, para que a santa morresse assada até secar como pedra. Santa Cecília ficou no caldeirão abrasador durante todo o dia, e durante toda a noite… até que terminou a lenha. Aos atônitos carrascos e ao irritadíssimo juiz então a santa comentou que foi um "banho" deliciosamente refrescante! O caldeirão, na realidade, estava tão quente que o carrasco não conseguiu aproximar-se o suficiente para cumprir a ordem de decapitação. Após três golpes de espada na nuca, mal desferidos, deixaram-na dessangrando-se no caldeirão, enquanto a mártir exortava as numerosas pessoas presentes a seguir a doutrina de Cristo. Por fim, de joelhos, entregou sua vida a Jesus, e caiu morta61. Dom Guéranger apresentou num excelente trabalho de pesquisa provas irrefutáveis da historicidade da vida e martírio de Santa Cecília, contra as fúteis dúvidas que foram lançadas pelos racionalistas do século XIX62. * Era o dia 13 de dezembro do ano 305. Pascasio, governador de Siracusa, mandou cobrir abundantemente o corpo da jovem Luzia com abundante piche, óleo e resina, e assim atear fogo na lenha empilhada ao redor. A jovem permanecia em pé, impassível, sem nem sequer chamuscar-se ou as suas roupas, sem nem sequer manchar-se de fumaça, no meio daquela violentíssima fogueira que "ardia mas não queimava"! Santa Luzia exortava a todos a serem cristãos, só Cristo era o verdadeiro e único Deus e Senhor também do fogo. Por fim, quando a santa pôde ser retirada do fogo, Pascasio mandou que fosse decapitada63. * Século XIV. Num dos seus freqüentes desmaios (chamados êxtases, com indevida pretenS. de elogio, como veremos no livro "Os Fenômenos Místicos e a Parapsicologia"), Santa Catarina de Siena (1317-1380) caiu sobre uma comprida fogueira, onde estava assando frangos para numerosas freiras. Quando chegou a hora de servir os frangos no refeitório, uma das irmãs foi ajudar… Vendo Santa Catarina estendida sobre o fogo, gritou apavorada, certa de que a santa estava morta. Acudiram outras religiosas: o fogo ardia forte embaixo, aos lados, sobre todo o corpo da santa. Conseguiram retirá--la: estava completamente ilesa, tudo perfeito, nem manchada a roupa. Quando acordou, teve um único comentário: "O Senhor vela sobre os simples: eu fraquejava e Ele me salvou" (Sl 116,6)64. ARDE E NÃO CONSOME, EMBORA MATE — Século III. O imperador romano Maximino II reunira os cinqüenta melhores sábios do império para discutir com Santa Catarina de Alexandria. Não só não conseguiram refutar os argumentos contra o paganismo e a favor do cristianismo, senão que, com grande admiração e convencidos, os cinqüenta luminares, junto com muitíssimos dos assistentes ao debate, se converteram à doutrina de Cristo. Quando o imperador tomou conhecimento do fato, irritadíssimo mandou que oferecessem publicamente sacrifícios aos deuses do império, ou pagariam com a vida. Os sábios romanos, assim como Porfírio, que era o chefe da primeira legião, duzentos soldados e a própria imperatriz morreram na fogueira. Mas o fogo não consumiu nem sequer chamuscou seus corpos; as roupas inclusive, os cabelos, os pêlos dos seus corpos ficaram íntegros. Os cristãos agradeceram o admirável sinal do beneplácito divino sobre os mártires recém-convertidos ao cristianismo. Santa Catarina de Alexandria, após resistir firmemente a muitos tormentos, foi decapitada. Os cristãos trasladaram seu corpo e o enterraram devotamente no monte Sinai, simbolizando que Santa Catarina foi mais uma grande manifestação da glória do Senhor65. "EXPERIMENTE!" — S. José Oriol (1650-1702) foi vergonhosamente caluniado. O descrédito que estava prestes a cair sobre ele faria ruir todo seu trabalho com os pobres, com os doentes, com a multidão que abarrotava continuamente sua igreja, em Barcelona. Para demonstrar sua inocência, ele próprio propôs fazer diante de todos a "prova de fogo". Puseram o forno à máxima temperatura. O santo orou elevando os olhos ao Céu. "No auge, os carvões estalavam e faiscavam, e no fogaréu terrível enfiou ambas as mãos, sem que mal algum lhe acontecesse". O poder de Deus, assim, convenceu a todos da santidade do Seu servo66. *** Estava eu em aula contando o ordálio a que se submeteu S. José Oriol. Quando afirmei que o fez com as mãos, uma aluna muito simpática e espontânea exclamou: "Só?". — Ainda existem, especialmente no interior, aquelas velhas cozinhas de lenha. A chapa superior de ferro chega a ficar vermelha, de tão quente. "Seria interessante — respondi — que alguém levantasse com o gancho a tampa do forno. E a senhorita, só as mãos, até o cotovelo…, experimente enfiá-las!" Entre as gargalhadas dos colegas pelo seu gesto de arrepio, ela compreendeu perfeitamente o mérito imenso daquele ordálio. A ESTÁTUA DE MINERVA — Muitos atores racionalistas e modernistas, os mesmos que parecem sofrer de gravíssima alergia inclusive ao conceito de milagre, esses mesmos autores muito suspeitamente sentem-se deliciados em repetir o caso da "estátua de Minerva". Os habitantes da antiga cidade Fimbria atearam fogo à cidade inimiga Ilio. Toda a cidade sucumbiu. Numa praça, porém, os ilienses encontraram incólume a estátua de Pallas Minerva. O prodígio foi perpetuado em medalhões. — Nada parece haver de misterioso ou muito especial em que uma estátua de mármore, isolada numa praça, sem matéria comburente ao redor, não tivesse sido destruída pelo fogo… Misterioso seria que o tivesse sido! — Os ilienses talvez só dessem importância, como qualquer pessoa sensata poderia fazer, como os modernistas só consideram no milagre, simplesmente ao simbolismo de ter ficado "altiva" a estátua da deusa em meio aos escombros da cidade… — Evidentemente concordo aqui com os racionalistas e modernistas em que aquele "prodígio", apesar do entusiasmo dos antigos habitantes de Ilio, não é milagre devido ao poder de Minerva. Mas daí a pretender que o caso dos três jovens referido no livro de Daniel, "se não fosse mito" — eles só admitem a dúvida, se tanto! —, seria igual…! CASUALIDADES? — Século VI. A igreja de Rennes foi completamente consumida pelo fogo. Apesar de o ataúde e a mortalha de S. Melanio serem muito comburentes, foram as únicas coisas não afetadas pelo incêndio67. *** É claro que os "espíritos fortes" — se conhecessem o fato ou alguém o contasse a eles! — dirão que foi casualidade, como o caso da estátua de Pallas Minerva. "Em parapsicologia — atrever-se-ão a dizer, gabando-se como se conhecessem mais do que o nome desta ciência —, é claro que ‘o que se pode explicar por menos não se deve explicar por mais’". — É um velho adágio de economia das hipóteses, ou de metodologia científica elementar, evidentemente reconhecido também pela parapsicologia. Mas precisamente como parapsicólogo não posso menos que sorrir com desprezo dessa objeção. Supranormal (ou, no mínimo, especialmente providencial), é a única explicação em que na realidade pode pensar quem conheça outros casos de pirovasia supranormal, alguns dos quais vimos pouco antes, eles certamente tão superiores ao caso, curioso mas normal, da estátua de Minerva, e à pirovasia extranormal. Por todo o conjunto, o caso dos restos mortais de S. Melanio, e casos semelhantes, não se encaixam numa simples… casualidade! Madeiras, lençóis, mesmo os ossos, objetos altamente comburentes e rodeados de objetos que se consumiram pelo fogo, não S. iguais a uma estátua de mármore isolada de tudo… — Posso até conceder que os fatos especialmente providenciais (no mínimo!) precisam ser analisados com um olhar especial (de quem acredita em Deus, e não no deísmo…). [continua] - ************************************************************* Fernando De Matos: [EMAIL PROTECTED] [EMAIL PROTECTED] [EMAIL PROTECTED] ICQ#26750912 [EMAIL PROTECTED] Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal® http://www.terravista.pt/Mussulo/1287/ ************************************************************* |
