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"O FOGO NÃO QUEIMAR" — Ou, melhor e especificamente, grandes chamas não atingirem as pessoas e coisas que estão no meio delas. Pareceria que alguma coisa — e essa é a grande realidade: o poder divino — as circunda e as protege. * S. Policarpo na sua juventude havia sido discípulo do apóstolo S. João, e em Jerusalém os apóstolos haviam-no ordenado bispo de Esmirna — Turquia. Era o dia 23 de fevereiro de 166. S. Policarpo tinha então 85 anos. Cruel perseguição aos cristãos banhara Esmirna de sangue de mártires, no sexto ano dos imperadores romanos Marco Aurélio e Lúcio Vero. O bispo S. Policarpo havia-se escondido numa pequena propriedade fora da cidade. Um empregado o traiu e levou os soldados romanos para prendê-lo. Perante o procônsul da Ásia, Estácio Gradato, diante de imensa multidão reunida no anfiteatro, uma e outra vez negou-se a invocar os deuses do Império romano, apesar das sucessivas ameaças de ser lançado às feras e de ser jogado na fogueira. Então o arauto anunciou à multidão: "Policarpo confessou que é cristão". Estrepitosa reação da multidão, pagãos e judeus gritando: "lança aos leões o destruidor de nossos deuses". O encarregado dos espetáculos, Filipe, respondeu à multidão que estava terminada a época e já não havia lá mais feras. Pediram então que S. Policarpo fosse lançado à fogueira. Quando a pilha ficou pronta, disse o santo aos algozes que pretendiam pregá-lo no poste no meio da pilha de lenha: "Quem me dá força para desafiar as ameaças de morte dar-me-á também força para não fugir da própria morte". Quando perante a multidão sádica por fim se ateou o fogo, uma grande chama se levantou… e todos viram o prodígio: "Em torno do mártir, o fogo se estendeu como abóbada, como vela de navio inflada pelo vento (…) Os pagãos, percebendo que o corpo não podia ser alcançado pelas chamas, ordenaram a um dos guardas que lhe enfiasse a espada no peito. Jorrou copioso o sangue (…), e o fogo se apagou"59 * No ano 305, não tinha Santa Inês mais de 15 anos, talvez 12 ou 13, quando alcançou o martírio. O filho do prefeito de Roma apaixonou-se perdidamente pela adolescente Inês, que rejeitou todos os presentes e promessas porque já tinha dado todo o seu coração a Alguém muito mais nobre. O jovem, desesperado, caiu doente. Conhecedor do motivo, o prefeito, Sinfrônio, redobrou os presentes e promessas, sendo tudo igualmente rejeitado pelo mesmo motivo. Intrigado, o prefeito mandou indagar Quem era o amado de Santa Inês. Por fim chamou ao seu tribunal a jovenzinha e seus pais. Tudo inútil. Não podendo ameaçar os pais por serem nobres, apresentou contra a jovem a acusação do proibido cristianismo. Santa Inês recusou os nove intentos do prefeito de obrigá-la a oferecer sacrifícios a Vesta, deusa das virgens perpétuas na religião greco-romana. — "Ou com as virgens da deusa Vesta, ou com as prostitutas da cidade", sentenciou Sinfrônio. — "Meu Senhor Jesus Cristo é poderoso para livrar-me da sujeira com que me ameaças", respondeu firme a santa. Com efeito, condenada a ficar num centro de prostituição, durante todos os dias que lá ficou a santa esteve circundada por uma luz esplendorosa que a protegia, e ninguém se atreveu a aproximar-se. Entrementes, o filho do prefeito morreu. A santa rezou a Deus e revitalizou o jovem. O prefeito Sinfrônio, com toda sua família, converteu-se ao cristianismo. E em conseqüência abandonou o cargo, deixando-o ao vice-prefeito. O novo prefeito, Aspásio, logo mandou lançar à fogueira a "feiticeira" cristã, no anfiteatro chamado Forum Baorium… Mas "alguma coisa" afastava as chamas de um lado e de outro, de tal modo que era impossível atingirem a santa apesar dos esforços dos algozes. Mas os algozes sim eram atingidos quando se aproximavam demais. Por fim, e repentinamente, "alguma coisa" apagou o fogo. A multidão clamou furiosamente contra a "feiticeira" cristã. Por ordem de Aspásio, que não sabia como de outro modo acalmar a turba, Santa Inês morreu decapitada ao fio da espada60. * Século VI. O jovem monge S. Bento de Campanie, perto de Roma, morava solitário numa rústica cabana. Os godos, para agradar o rei Tótila,atearam fogo com a intenção de queimar o jovem monge. Tudo ardeu ao redor até o justo limite da cabana. Mas nem uma faísca nem chamusco alcançou a própria cabana, que era de madeira e palha. Dentro, S. Bento continuou tranqüilamente em oração. Exasperados, os godos agarraram o jovem santo e lançaram-no num forno de pão, aquecido ao máximo, que havia perto. No dia seguinte verificaram que o pão havia virado carvão, tão grande havia sido o fogo, mas "alguma coisa" havia rodeado e protegido o lugar onde estava o santo, porque não só ele mas também as roupas estavam indenes e fresquinhas61. MADEIRAS, CORTINAS, LENÇÓIS… — Século XI. A imperatriz Santa Cunegunda, esposa do imperador de Alemanha Henrique II, estava aquela noite especialmente cansada, e adormeceu no seu leito durante a leitura que lhe fazia uma dama de companhia. Mas a leitora também adormeceu, e o candil caiu… Quando a imperatriz e sua leitora acordaram, o fogo rapidissimamente havia se estendido por toda a habitação. As chamas devoravam tudo. Ambas as senhoras sentaram-se no leito. Tudo ardia ao redor. As chamas continuamente atingiam as cortinas, abertas, do baldaquim do leito, os cobertores, os lençóis, as próprias roupas da dama e da imperatriz. Mas as chamas não conseguiam atingir nada dentro do baldaquim, e imediatamente fugiam, como se um cerco invisível protegesse a santa e sua companheira. Aí dentro, nada ardia nem se queimava nem se manchava. A fumaça, que densa ocupava toda a habitação, quando penetrava no "cerco" sobre o leito, imediatamente era expulsa para fora. Foram longos minutos de pânico e surpresa da dama de companhia. E minutos de tranqüila observação pela imperatriz. Depois, Santa Cunegunda fez o sinal-da-cruz e todo o fogo instantaneamente se extinguiu. Ficaram as marcas todas ao redor, como sinais do terrível que teria sido não fossem os méritos e íntima união de Santa Cunegunda com Deus…62. * Século XIX. No dia 28 de janeiro de 1850 o fogo acabou com praticamente toda a vila de Sainte-Etienne. Alcançou também e reduziu a escombros e cinzas o chalé que o bispo mons. Depéry havia restaurado. O fogo consumiu completamente tudo ao redor do quarto da irmã Benedita. Inclusive ficou sem o telhado geral, do chalé, mas "alguma coisa" rodeou e protegeu o teto do quarto, as paredes de madeira, a cama, os móveis e tudo o mais da alcova, no seus exatos limites. Dentro daquele "cerco protetor" tudo ficou completamente intacto! Nem a fumaça penetrou. A santa tranqüilamente continuou em oração. Com muito cuidado, pedacinho a pedacinho, como relíquias, foi recolhido tudo da alcova de irmã Benedicta, e utilizado num novo chalé. Santa Benedita foi canonizada em 1884.63[continua] -
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Fernando De Matos: ICQ#26750912 [EMAIL PROTECTED] [EMAIL PROTECTED] Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal® http://www.terravista.pt/Mussulo/1287/ [EMAIL PROTECTED] ******************************************************************* |
