Telecinesia supranormal

N�O ADIANTOU � Ficara claro que os racionalistas no seu apriorismo contra os milagres, e os modernistas de ent�o � e de hoje �, deslumbrados pela fama de muitos racionalistas, merecidamente alcan�ada nos seus ramos espec�ficos da ci�ncia, "ignoravam" o conceito de imutabilidade (e transcend�ncia, santidade�) de Deus.

Mas o pior � que, pelo seu preconceito e deslumbramento, n�o analisaram fatos, que tachavam de imposs�veis.

Pareceria, pelos argumentos apresentados, que tamb�m nesta segunda fase da pol�mica s� faltava proclamar a vit�ria dos tradicionalistas, defensores do milagre.

Mas n�o foi e n�o � assim, at� hoje. Precisamente porque o intuito dos racionalistas n�o era a busca da verdade, sen�o um preconceituoso naturalismo e animadverS. contra a religi�o dominante: o catolicismo. Os racionalistas passaram ent�o a uma terceira fase. A principal. Sua caracter�stica. Encastelaram-se no que eles mesmos consideravam seu reduto inexpugn�vel e pr�prio: a ci�ncia de observa��o.

Sabiam que entre os racionalistas haveria muito mais cientistas de observa��o que entre os te�logos tradicionalistas. Por outra parte, apoiando-se na ci�ncia de observa��o acreditavam que encontrariam, e com efeito encontraram, a simpatia espont�nea de muitos cientistas em outras especialidades, mas sem conhecimentos de parapsicologia em geral ou de estudo dos milagres em particular. E entre os simpatizantes � quem o diria! � logo foram e cada dia mais contando-se te�logos, modernistas, irrefletidamente deslumbrados pela "ci�ncia de observa��o".

O CASTELO DOS RACIONALISTAS � Segundo o racionalismo "cient�fico", as for�as da natureza n�o podem deixar de agir. O efeito estaria determinado pelas leis imut�veis da natureza. Determinismo absoluto.

1) Para uns poucos racionalistas, o determinismo absoluto, a imutabilidade das leis da natureza, se fundamenta na pr�pria imutabilidade divina, que antes frisavam da parte de Deus � que n�o as modificaria � e agora da parte da pr�pria natureza assim constitu�da por Deus.

2) A maioria dos racionalistas, por�m, nesta terceira etapa, prescindiam de Deus, frisavam unicamente a ci�ncia de observa��o. Partiam do pressuposto de que em tudo h� leis fixas, imut�veis, determinismo absoluto, e � ci�ncia corresponde encontrar essas leis. O milagre, diziam, � imposs�vel por ir contra o determinismo absoluto, e por isso mesmo contra a ci�ncia.

� o que nos cabe agora analisar.

A BOMBA DOS TRADICIONALISTAS � Mas abramos, primeiro, um par�ntese. Os tradicionalistas objetaram com toda raz�o, obje��o radical por excel�ncia, que o ataque dos racionalistas "cient�ficos" n�o se ap�ia nos fatos! N�o �, por conseguinte, cient�fico. N�o se lhes pode conceder nenhum valor. Porque as teorias n�o podem negar os fatos, � do estudo dos fatos que h� que tirar as teorias.

A obje��o � fundamental. � uma bomba arrasadora. Pe�o aos meus prezados leitores que tenham esta obje��o fundamental sempre presente durante a exposi��o a seguir. Do contr�rio nem seria conveniente aludir a tantas tolices e elucubra��es meramente no ar, dos racionalistas, pois poderiam arrastar a grave erro algum leitor desprevenido, como arrastaram aos desprevenidos te�logos modernistas.

DISPARAM CONTRA OUTRO ALVO � Antes de continuar, abramos outro par�ntese. Observar� o leitor que os racionalistas, pretensamente em defesa da ci�ncia, falam que se existissem milagres "n�o poder�amos estar certos de nada", "toda certeza natural ficaria abalada", e outras muitas express�es an�logas, como veremos logo mais.

Disparam na realidade contra supostas interven��es sobrenaturais feitas a bel-prazer, mais ou menos constantes, em qualquer ambiente, sem altos motivos superiores que justifiquem uma extraordin�ria e excepcional interven��o etc.

Ora, os tradicionalistas atribuem o milagre unicamente ao Ser Infinito em discri��o, santidade, bondade, sabedoria etc. Assim todos esses ataques na realidade atingem outro alvo: dem�nios, esp�ritos de mortos, exus, orix�s, gnomos, fadas, ondinas�

Os ataques dos racionalistas "cient�ficos", apesar de serem meramente te�ricos, sem fundamento nos fatos, t�m nessa ordem te�rica muita for�a s� quando aplicados ao alvo contra o qual na realidade disparam, pois apoiados no senso comum. Nada valem contra o milagre divino. Intencionalmente pretendem confundir os observadores do debate. Isto suposto fechemos o par�ntese, mas tenhamo-lo sempre em conta.

Fechados os par�nteses, ou�amos diretamente alguns dos mais significativos l�deres que se encastelaram no "reduto inexpugn�vel" (?) do racionalismo "cient�fico" (?).

Nova sarta de disparates

S�CULO XVII � Em 1670 escrevia Spinoza, agora pretensamente em defesa da ci�ncia de observa��o: "Se pud�ssemos conceber que as nossas no��es (cient�ficas) est�o sujeitas a ser modificadas por uma pot�ncia, seja qual for, duvidar�amos da verdade (das afirma��es da ci�ncia) e n�o poder�amos estar certos de nada"1.

S�CULO XVIII � Em 1794 Emmanuel Kant "filosofa" no ar e erra completamente o alvo, repetindo quase as mesmas palavras, j� citadas, de Spinoza. Kant pretendia refor�ar ainda mais o ambiente racionalista: "A certeza do milagre faria perder a confian�a em tudo (?) aquilo que passava por seguramente conhecido (?). Num mundo encantado (?) privado das leis da experi�ncia (?), a raz�o n�o oferece mais nenhuma utilidade. N�o se conhece mais (?) que nossa ignor�ncia (exato, se fosse real o alvo contra o qual na realidade eles disparam). Talvez se produzam por milagre, inclusive no �mbito moral, mudan�as (?) dos quais ningu�m poder� dizer (?) se devem ser atribu�dos a si mesmo ou a uma outra causa impenetr�vel"2.

* Tamb�m no s�culo XVIII o pe. Malebranche p�e na boca de Jesus Cristo estas palavras, na realidade contradit�rias: "N�o imagines que meu Pai, por vontades particulares, determina todas minhas vontades (�) e as dos santos. Eu, como homem, recebi todo poder no C�u e sobre a Terra, e portanto Eu tenho a liberdade de escolher os materiais que me S. pr�prios e de executar como me agradar a obra que Deus me confiou".

"Mas a ordem imut�vel � minha regra e minha lei inviol�vel (?). Eu posso tudo (?), mas n�o posso nada (?) querer que lhe seja contr�rio (� ordem imut�vel da natureza!). Deus quer a ordem imut�vel e necess�ria (?) de uma vontade imut�vel e necess�ria. Assim tudo aquilo que n�s (o pr�prio Jesus Cristo e a intercesS. dos santos) fazemos de milagroso, Deus o executa em conseq��ncia das leis gerais (?) que estabeleceu e que S. desconhecidas por ti"3.

S�CULO XIX � E o compilador das obras de Malebranche, Jules Simon, retoricamente se perguntava e respondia a si mesmo: "Sobre o que repousa a ci�ncia? Sobre a regularidade das leis da natureza. Quais S. suas conquistas di�rias? A demonstra��o de uma nova lei e de uma nova analogia entre as leis j� conhecidas. Se n�o soub�ssemos de antem�o que a natureza n�o procede ao acaso, n�o pensar�amos em raciocinar e em fazer experimentos. Como poder�amos dirigir nosso caminhar, medir nossos progressos, fixar nossos conhecimentos? (�) Ora, se a ci�ncia manifesta que a unidade, a imutabilidade e a harmonia dominam completamente o mundo, como � que se poderia introduzir uma vontade caprichosa (repitamos: os tradicionalistas n�o se referem a esp�ritos de mortos, exus, dem�nios etc.), movimentos desordenados (?), derroga��es (� outra for�a!) cont�nuas (S. interven��es extraordin�rias!) das leis? Se fossem admitidas tais hip�teses, sucumbiria tudo o que sabemos de Deus e tudo o que sabemos do mundo" (Sempre errando o alvo)4.

* O te�logo protestante alem�o Adolf von Harnack, eminente historiador do cristianismo, estraga toda sua volumosa obra, que seria de grande valor hist�rico se n�o estivesse claramente impregnada do preconceito racionalista.

Tem a honestidade de reconhecer e o m�rito de provar que os ataques dos racionalistas � historicidade dos evangelhos n�o t�m fundamento: "Na cr�tica das fontes do cristianismo estamos sem d�vida dando marcha � r� (apesar de que os modernistas parece que n�o se interaram) e voltando � Tradi��o"5.

Contra os racionalistas reconhece e com muito m�rito apresenta provas incontest�veis da antiguidade da Tradi��o em que se fundamentam os evangelhos de S. Marcos e S. Lucas6.

Mas por puro preconceito acrescenta com os racionalistas e modernistas: "Isto, por�m, n�o os torna mais dignos de cr�dito (?). O elemento milagroso que neles abunda tira-lhes toda sua autoridade" (?!). Pelo mesmo motivo admira em S. Lucas sua "credulidade colossal" (?!).

Simplesmente por isso, porque mencionam milagres. E o milagre por "decreto" racionalista "cient�fico" e modernista � imposs�vel: "Est� fora de d�vida (?) que tudo (?) o que acontece no espa�o e no tempo est� sujeito �s leis universais do movimento e, portanto, os milagres, considerados infra��es (?) da ordem natural, n�o podem existir"7.

* O ex-seminarista e anticlerical Ernest Renan afirma na sua obra filos�fico-racionalista principal (as outras valem mais pelo �timo estilo liter�rio que pelo med�ocre conte�do): "Se existir uma for�a mut�vel (� que fala de esp�ritos de mortos etc?) que pode modificar (?) a seu bel-prazer (?) as leis do universo, ser� v�o todo c�lculo" (? ��)

"Se se dissesse a um meteorologista: �Aten��o, voc� trata das leis naturais, mas elas n�o existem (?), � uma divindade ben�vola ou zangada (fala de exus, orix�s, esp�ritos-guias etc?) a que produz os fen�menos que voc� acredita serem naturais�; a meteorologia n�o teria mais raz�o de ser. Se se dissesse a um m�dico: �Voc� trata das causas das doen�as ou da morte, mas � Deus (excepcionalmente!) que golpeia (?), cura, mata�(?); o fisi�logo responderia: �Suspendo minhas pesquisas, dirigi-vos ao taumaturgo�" (Como se estivess�mos falando de esp�ritos�)8.

E em outro livro, magn�fico em muitos aspectos, pena que estragado pelas nega��es aprior�sticas dos milagres: "Estas nega��es n�o S. em n�s o resultado da exegese (� claro que n�o: S. meramente supura��es dos preconceitos�) S� por admitir-se a exist�ncia do sobrenatural (eis o verdadeiro "trauma" dos racionalistas), fica-se fora da ci�ncia" (?!)9.

E ainda em outra obra chega ao c�mulo do dogmatismo aprior�stico quando afirma: "Uma regra absoluta (!?) da cr�tica (sem estudar a realidade? Por decreto? � preconceito demais!) � n�o dar lugar nos relatos hist�ricos �s circunst�ncias milagrosas"10.

* Bertholot, apesar da sua forma��o n�o excursionar fora da qu�mica, n�o acha que seja indigno do ministro da Educa��o da Fran�a sair-se com esta tirada: "Pelos conhecimentos das leis f�sicas, a ci�ncia ap�s dois s�culos (de racionalismo) revirou (?) as no��es (j� vimos que nem defini��o "conhecem") de milagre e do sobrenatural" (!!)11.

* E com a mesma tranq�ilidade, sobre tais aprior�sticos pressupostos, L. B�chner melodramaticamente converte o milagre na mais espantosa trag�dia: "Como seria poss�vel que a ordem imut�vel (?) com que se movem as coisas viesse talvez a ser turvada, sem que se produzisse uma diviS. irrepar�vel? Sem que se abrisse no universo um abismo irrejunt�vel? Sem que n�s e tudo fic�ssemos abandonados a um doloroso arb�trio? Sem que toda a ci�ncia se tornasse uma brincadeira infantil?"12.

* Um dos pioneiros da parapsicologia, embora �s vezes bastante desorientado, e grande naturalista, Russel Wallace aplica ao s�culo XIX sobre a expanS. do pensamento racionalista o que o historiador Lecky dizia do s�culo XVIII: "Lecky na sua obra sobre o �Racionalismo�13 mostra que as grandes descobertas f�sicas recentes induziram (plena extrapola��o) a maioria das pessoas cultas ao firme convencimento (anticient�fico) de que o universo est� governado por leis amplas e imut�veis, sob as quais todos (?) os fen�menos podem chegar a classificar-se, e �s quais nenhum fen�meno da natureza pode jamais ser contr�rio (?). Por conseguinte, se consideramos o milagre uma viola��o (?) de tais leis, cumpre admitir (anticientificamente) que a ci�ncia (?) moderna n�o sabe onde coloc�-lo"14.

* Quase as mesmas palavras de Spinoza, j� citadas, repetir� o irland�s Tyndall no fim do s�culo XIX: "Toda certeza natural ficaria abalada pela possibilidade do milagre (?); n�o seriam mais dignas de cr�dito as conclus�es que se fundam sobre a perpetuidade das leis da natureza" (?)15.

[continua]

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   Fernando De Matos:
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 Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal�
            
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