Os fatos supranormais

MARIE BAILLY: "� MORTE" O calor naquela tarde do fim de maio (de 1903) era insuport�vel. O jovem m�dico Luis Lerrac (pseud�nimo do autor, o pr�prio dr. Alexis Carrel, invertendo o sobrenome) celebrava a oportunidade que se lhe apresentou de ocupar o posto de m�dico da peregrina��o de Lyon a Lourdes, pois assim poderia verificar, talvez, alguma das "extravagantes" curas que se publicavam.

"Como o vag�o onde estavam amassados os doentes n�o tinha corredor, Lerrac e o padre P. desceram na primeira esta��o e subiram depois num vag�o de terceira classe. Estava no compartimento uma jovem, muito doente havia mais de oito meses. Chamava-se Maria Ferrand (pseud�nimo de Marie Bailly). Alguns dias antes, o cirurgi�o do Hospital Saint Joseph recusara-se a oper�-la porque seu estado geral era demasiado grave. A doente fizera quest�o de ir a Lourdes. O rdo. p. disse a Lerrac":

� "Foi-me recomendada particularmente, e lhe seria muito grato se quisesse ocupar-se dela � e acrescentou � Est� t�o d�bil que temo uma desgra�a" (�)

"A jovem estava estendida, o rosto exangue, contra�do, os l�bios roxos".

� "Sofro tanto � disse �, mas estou satisfeita de vir. As freiras n�o queriam me deixar" (�)

O dr. Alexis Carrel disse depois ao rdo. p.:

� "Est� muito errado que sua doente haja vindo. Quando um doente morrer na viagem, que vamos fazer?" (�)

(No dia seguinte) "A enfermeira, que havia velado sua doente durante toda a noite, ficou apavorada por um colapso de Maria Ferrand. E fez chamar Lerrac �s pressas no apartamento onde deveria ficar ap�s a �ltima esta��o. Maria Ferrand, meio nua, estava estendida sobre seu colch�o, com o rosto esverdeado, mas j� havia recuperado a consci�ncia (�) �N�o poderei mais chegar a Lourdes� � gemia angustiada".

Mal, mas chegou a Lourdes. O dr. Alexis Carrel anotou no seu relat�rio sobre os mais graves doentes que acompanhou na longa viagem: "Uma jovem, Maria Ferrand, junto � qual me h�o chamado umas dez vezes, � a que est� em mais imediato perigo de vida (�) Esta desgra�ada tem uma peritonite (inflama��o da membrana serosa que reveste as cavidades abdominal e p�lvica) tuberculosa em �ltimo estado. Todos seus parentes (os pais e irm�os) morreram de tuberculose. A mocinha tem chagas tuberculosas (na pele), cavernas pulmonares, e h� alguns meses peritonite, diagnosticada pelo seu m�dico e por Bromilloux, o conhecid�ssimo cirurgi�o de Bordeaux. Agora est� em estado lastimoso, tive que p�r-lhe inje��es de cafe�na (estimulante card�aco). Temo que morra nas minhas m�os".

Conversando com um m�dico, dr. A., o dr. Carrel d� uma de esot�rico, mas desafia:

� "Admite-se que a manifesta��o da vontade comum de muitos milhares de pessoas desprende um fluido, uma for�a, que se sente quando se est� em meio da multid�o(�) Mas tal influ�ncia �, sem d�vida alguma, insuficiente quando se trata de uma afec��o puramente org�nica (�) Se esta doente sarar, seria verdadeiramente um milagre. Eu acreditaria em tudo e me faria frade!".

� "Cuidado � rebateu A., sorrindo. � Aqui em Lourdes todas as leis S. derrubadas" (j� sabemos que n�o � violar a lei; trata-se da interven��o de Outra For�a)(�)

� "� o sino do rel�gio! Preciso voltar. Devo examinar �s duas e meia Maria Ferrand (�), que continua piorando. Se a devolvermos viva a Bordeaux, j� ser� um pequeno milagre. Venha v�-la comigo".

Dirigem-se ao hospital. Junto a Marie Bailly "estavam a superiora do hospital e uma jovem com a divisa branca das enfermeiras da peregrina��o, a srta. De O., que imediatamente, com o belo rosto ansioso, volta-se para o m�dico que se aproximou":

� "Doutor, esper�vamo-lo com impaci�ncia. O estado desta nossa doente agravou-se mais ainda. N�o sei mais o que fazer. N�o consegue falar. Creio que est� muito mal". Carrel examinou atentamente a doente. "Estava estendida, supina, inerte. O rosto p�lido, acabado, l�nguido, sobre o travesseiro. Os bra�os esquel�ticos estavam sem vida. A respira��o era r�pida e penosa".

� "Como vai?" � pergunta Carrel em voz baixa. "Os olhos emba�ados, cercados de olheiras l�vidas, voltaram-se para ele, os l�bios gris�ceos se mexem deixando passar uma resposta inaud�vel". O m�dico toma-lhe o pulso: "Batia uma corrida louca, cento e cinq�enta pulsa��es por minuto. Com intermit�ncias. O cora��o estava para ceder".

� "Traga-me a seringa de Pravaz (intramuscular) � pede Carrel � enfermeira. � Por-lhe-emos uma inje��o de cafe�na. � Retiradas as cobertas, a enfermeira afasta os chuma�os que mantinham sobre o ventre da doente a bolsa do gelo. Aparece o corpo descarnado de Maria Ferrand, com as costelas relevadas sob a pele, o ventre inchado. A tumefa��o era quase uniforme, mas um pouco mais volumosa � esquerda. Devagar Lerrac passou l� as m�os e as fez deslizar sobre a superf�cie lustrosa exercendo uma ligeira presS.. O ventre mostrava-se tenso de mat�ria s�lida, e em meio, sob o umbigo, uma parte mais flex�vel estava cheia de l�quido: a forma cl�ssica da peritonite tuberculosa".

Ap�s haver aplicado uma inje��o de cafe�na nas n�degas descarnadas de Marie Bailly, o dr. Carrel "tocou as pernas, que junto aos joelhos estavam inchadas; tocou as m�os e o nariz, que nessa manh� (muito quente) estavam gelados; e observou ao redor das orelhas e as unhas, que estavam com uma colora��o oliv�cea" (cian�tica � o nome t�cnico: sintoma de insuficiente oxigena��o pulmonar e de insufici�ncia card�aca para a circula��o do sangue).

"Ent�o aproximou-se de A., que permanecera afastado, um tanto impressionado por aquele espet�culo de doen�a e sofrimento: ��, como te disse, uma peritonite tuberculosa em �ltimo estado. O l�quido est� quase totalmente estendido. Advertem-se duros os lados do nariz. O pai e a m�e desta jovenzinha morreram ambos de tuberculose. � idade de quinze anos ela come�ou a cuspir sangue. Aos dezoito foi v�tima de pleurite tuberculosa, e lhe foram extra�dos do lado esquerdo dois litros e meio de l�quido. Depois, cavernas pulmonares. Enfim, h� oito meses est� afetada por peritonite tuberculosa, como se pode constatar facilmente. Est� no �ltimo limite da caquexia (consum��o ou fraqueza extrema). O cora��o est� enlouquecido. Observa que magreza, que cor no rosto, nos dedos. Morrer� logo. Talvez resista alguns dias, mas est� acabada".

Quando o dr. Carrel se dispunha a sair, a srta. De O. lhe perguntou:

� "Doutor, podemos lev�-la � piscina?" (do Santu�rio de Lourdes, para pedir a cura). Carrel "olhou para ela estupefato":

� "E se morrer pelo caminho, que fareis?"

� "Disse-me que quer absolutamente ser submergida na piscina. Para isso veio de Bordeux".

Entrou ent�o o dr. J., m�dico de uma cidade vizinha de Bordeux, acompanhado de alguns enfermeiros. Carrel "imediatamente se aproximou dele e lhe deu o seu parecer sobre a inoportunidade de transportar a doente � piscina. Levantaram-se de novo as cobertas, o chuma�o, o gelo. J. se inclinou sobre Maria Ferrand, pousou seus dedos sobre o ventre, amareladas as articula��es nervosas, bateu com o martelinho, auscultou-a, e ap�s alguns instantes falou em voz baixa":

� "� a agonia. Pode morrer diante da gruta".

� "Veja bem, senhorita � repetiu Carrel �, seria imprudente levar uma doente como esta � piscina. Mas aqui eu n�o posso nem autorizar nem proibir nada".

� "Esta jovem � disse a superiora � n�o tem nada a perder. Que morra agora ou daqui a alguns dias n�o importa grande coisa. Seria crueldade recusar-lhe a �ltima vontade, de ser levada � gruta. Mas duvido que tenha condi��es de chegar l� Em minutos a transportaremos". Carrel se conformou:

� "Est� bem, vou tamb�m eu � piscina. Se entrar em coma, fa�am me chamar". E saiu com os doutores J. e A.

� "Esta mo�a morrer� logo" � repetia o dr. J., ao que Carrel retrucou:

� "Venha conosco � piscina, acompanhemo-la. Est�o tentando o imposs�vel (?) prod�gio da ressurrei��o (revitaliza��o � o termo exato em parapsicologia) de uma morta". E o at� ent�o "liberal" dr. Alexis Carrel permitiu-se acrescentar num misto de bastante ceticismo e pouca esperan�a: "Talvez assistamos a este prod�gio! Estou curioso de ver a impresS. da multid�o" perante a esquel�tica doente. "Mormente se ocorresse o milagre!" E na orelha do dr. A., sussurrando: "Se ela sarar, at� eu acreditarei nos milagres!"

MARIE BAILLY VAI � PISCINA � Era ao redor das duas da tarde. Seguido do dr. J., o dr. Carrel se dirige para o pequeno edif�cio das piscinas. Entrou e se sentou num banco, do lado de fora do recinto da piscina para as senhoras.

Pouco depois chegam o dr. A. e outro senhor trazendo uma padiola. Nela, Marie Bailly "jazia supina, fraca sob a coberta marrom que se avolumava sobre o ventre. A respira��o era r�pida e breve. Sobre aquele rosto cadav�rico, a srta. De O. mantinha aberta uma sombrinha branca. O espet�culo, t�o comum num hospital, l�, � luz do dia que revelava todo detalhe, suscitava uma impresS. dolorosa".

Antes de entrar, a padiola foi por um instante pousada em terra. "A doente parecia haver perdido a consci�ncia." Carrel tomou-lhe o pulso. "Ainda batia. Desordenadamente. O rosto estava terroso. Uma mosca verde pousou sob uma narina (a doente n�o reagiu). A srta. De O. espantou-a com um len�o."

Carrel "preparou sobre o banco a seringa de Pravaz e a garrafa de �ter. E esperou enquanto a doente era conduzida ao recinto da piscina. Ficou pensando: Como � dif�cil determinar o porvir de um doente! Esta menina est� acabada. Mas eu n�o posso saber se morrer� nesta mesma hora ou em tr�s ou quatro dias�". E com sorriso malicioso, o reflexo autom�tico do "liberalismo" ambiental em que sempre viveu: "Se morresse na piscina, seria curioso ver a impresS. que causaria aos peregrinos; porque a mim pareceria a fal�ncia do milagre". Soaram as duas no rel�gio da Bas�lica. Seu pensamento se concentrava em Marie Bailly, "de quem conhecia a hist�ria, a vida de tuberculosa. Trasladada de hospital em hospital. Passando da pleurite � peritonite tuberculosa. Estar� logo morta sem haver conhecido na vida o encanto da primavera e do amor. Embora fosse menos desgra�ada do que pareceria, porque acreditava em Cristo, que era sua esperan�a e seu �nico pensamento (�) E a doce Virgem, que protege e tem compaix�o de todos os sofrimentos, que imagem de suavidade! Como eu quereria acreditar, como todos estes desgra�ados (�) Quando n�o mais se fazem observa��es (porque de antem�o j� se nega a pr�pria possibilidade de tais fatos), aparece o homem abandonado ao arb�trio das teorias e dos impulsos. Neste momento pensou em algo que seria muito racional: se esta jovenzinha sarar, coisa que parece absurda, eu poderia crer. Se a encontrasse verdadeiramente viva � sa�da da piscina".

A� VEM ELA! � Chegou de volta o carrinho de Marie Bailly. Carrel precipitou-se ao seu encontro. E� nada havia modificado nas suas condi��es! Ainda o mesmo rosto p�lido, o corpo gr�cil, o ventre enorme. (Unicamente) n�o havia piorado sensivelmente.

� "Somente lhe passaram um pouco de �gua no ventre � disse a Srta. De O. � As freiras n�o permitiram a imerS.. Agora a levamos perante a gruta de Massabielle".

� "Encontrar-nos-emos em uns minutos � disparou Carrel. � As condi��es dela est�o estacion�rias. Poder�o sempre chamar-me se elas se agravarem".

AOS P�S DA VIRGEM � "Era por volta de duas e meia. Sob o promont�rio de Massabielle, a gruta resplandecia com a chama de mil c�rios (�) Aos p�s da (imagem da) Virgem, um grande espa�o quadrado asfaltado est� reservado aos doentes, que se encontram assim no lugar de honra, pert�ssimo da gruta. Enfermeiros da Senhora da Sa�de estavam de guarda � entrada, para impedir quedas ou aglomera��es da multid�o e facilitar o movimento das padiolas e dos carrinhos".

"Num extremo do espa�o reservado, na primeira fileira, ao abrigo do recinto, uma padiola estava sendo pousada em terra; ao lado Lerrac reconheceu a figurinha delicada da srta. De O. Avan�ou ent�o, com M., em dire��o � gruta e conseguiu meter-se diante do recinto e ter viS. livre sobre todos os doentes e peregrinos".

Os dois m�dicos apoiaram-se na baixa balaustrada, ao lado de Marie Bailly. "Ela estava inerte sobre a padiola, o peito a solavancos pela respira��o r�pida. Parecia em agonia (�) Com simplicidade, a srta. De O. se ajoelhou: seu perfil era elegante, os longos c�lios lhe sombreavam delicadamente o rosto. Rezava fervorosamente, sem d�vida suplicando o prod�gio".

[continua]

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   Fernando De Matos:
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