Mais fatos supranormais análogos

NA PRÓPRIA LOURDES O que mais surpreendeu ao dr. Alexis Carrel foi a cicatrização instantânea das chagas tuberculosas na pele, das cavernas pulmonares e do peritônio inflamado. Tanto que durante as suas férias do Instituto Rockefeller, todos os anos, de 1903 até 1909, ia a Lourdes com a finalidade específica de estudar os milagres de cicatrização instantânea.

Como em todos os gêneros de milagres, também S. muitos os milagres de cicatrização. Antigos e modernos. Uns reforçam os outros — ”efeito bumerangue” — em todos os seus aspectos: historicidade, supranormalidade, significado ou sinal etc.

Já vimos: foi fácil ao dr. Boissarie. Citou curas de cicatrização instantânea precisamente de peritonite tuberculosa aguda. Uma, realizada no ano anterior na mesma data do caso de Baily, e outra na peregrinação precisamente de Lyon, como a que estava sendo acompanhada na qualidade de médico por Alexis Carrel.

TRÊS FÍSTULAS — Com referência a uma dessas viagens de pesquisa do dr. Carrel, temos um interessante testemunho da dra. Joanne Bon: “Eu preparava minha tese de medicina sobre as curas de Lourdes, e não sei como, apesar da sua notoriedade, Carrel fez amizade com a pequena estudante que eu era então. Eu lhe perguntei sobre seus estudos sobre chagas (… Carrel respondeu:) ‘Desejaria ter fotografias de uma chaga antes e depois da cura’. No dia seguinte, quando cheguei ao seu consultório, encontrei todos excitados. Acabava de ocorrer. Um doente viera de manhã dizendo que  tinha três fístulas (abertura estreita indevida por onde escoam líquidos para fora do corpo) na articulação coxo-femoral, e que uma delas lhe parecia cicatrizada (milagrosamente, invocando N. Sra. de Lourdes). Então Boissarie, vendo que entrava Carrel, aconselhou que fotografasse as outras duas fístulas, porque podia acontecer que cicatrizassem elas também” (o experiente médico sabia que a delicada bondade de Deus não faz as curas incompletas).

“Carrel fez entrar o doente na pequena sala para exames, e se dispunha a tirar uma foto, quando sob seus olhos as duas fístulas juntaram imediatamente. Após o meio-dia Carrel fez para mim o seguinte relato do fato: ele tinha visto com seus próprios olhos como as duas chagas foram empalidecendo, como a depresS. de cada uma foi se enchendo como se tivesse havido um deslizamento das partes sadias ao redor caindo para o centro”6. Carrel não teve tempo de fotografar, como queria, antes e depois da cura: a cura veio de surpresa e foi rápida demais.

“TENHO DE ESTAR ALUCINADO!” — M. D. era estudante de medicina, mas teve de suspender seus estudos alcançado por uma peritonite tuberculosa com fístula intestinal. Foi operado (laparotomia) em 19 de março de 1904, mas logo depois surgiram complicações. No fim do mês de maio os médicos constatam hipertrofia do fígado e do baço, e uma grave fístula intestinal pela qual saíam continuamente materiais fecais. Foi desenganado: não poderia resistir por muito tempo a tão grave doença.

Praticamente forçado por amigos e parentes, foi levado numa peregrinação a Lourdes. Sem acreditar. A tal ponto que não aceitou ser levado à gruta, nem à piscina, nem à procisS.. Não saiu do hospital.

Mas em 1º de setembro, durante a procisS. em que parentes e amigos participavam orando por ele, percebe que alguma coisa está acontecendo. Com seus conhecimentos de medicina sabe que está curado. “Mas não pode ser! Tenho de estar alucinado.”

Depois, em segredo, conta-o só à mãe, que ficou radiante de alegria e agradecimento a Nossa Senhora. “Mas tenho de estar alucinado!”, e não ousa dizê-lo a mais ninguém. Exige sair do hospital e vai a um hotel. Lá examina a si mesmo cuidadosamente. Nada de atrofia perceptível por fora, e a fístula claramente está cicatrizada, em todo caso onde está o material fecal que deveria estar perdendo continuamente? Comeu, bebeu. E dormiu perfeitamente. Como não conseguia desde os inícios da doença.

“Mas não pode ser! Estamos no século XX! Em todas as pessoas cultas há triunfado plenamente o racionalismo. Milagres S. impossíveis. Minha doença é mortal a breve prazo. Seria grotesco que um estudante de medicina, doente de peritonite tuberculosa com grave fístula intestinal, se apresentasse ao diretor da peregrinação, e pior ainda ao Bureau des Constatations Médicales acreditando numa cura instantânea”…

Era como martelar em ferro frio.

Dez dias mais tarde M. D. empreende uma viagem pela Bélgica e pela Holanda: “Tenho de estar alucinado! Não posso estar curado. A qualquer momento vou cair morto. Mas como é possível que tenha forças para viajar perfeitamente? Tenho de estar sonhando”…

Uma e outra vez deita-se e acomoda sua perturbada mente nos lençóis silenciosos da noite conselheira. A névoa da dúvida foi-se desvanecendo pelos raios solares da evidência dos fatos. Por fim, contra todas as teorias racionalistas aceita o fato da cura milagrosa, e apresenta-se aos médicos que antes o desenganaram7 

MARIE-LOUISE MOUCHEL — De Yvetot. Por complicações após uma operação de apendicite, chegou a surgir uma ferida aberta supurante. Inúteis três anos de tratamento. Desenganada. Seu médico diagnostica: “A cicatriz da inciS. abdominal ficara distendida e esfacelada, ocasionando perda de substância. Tamanho de uma peça de dez francos (uns três centímetros) em redondo e de um centímetro de profundidade. Apesar de toda classe de purgantes e laxantes cotidianos, a doente não conseguia evacuar senão uma vez por mês, à custa de dores terríveis”.

Foi levada à Lourdes. E não aconteceu absolutamente nada. Voltou para Yvetot. Aquela noite Marie-Louise deitou muito agradecida a Nossa Senhora porque, já que não adquirira a saúde do corpo, espiritualmente sentia-se muito conformada com a doença que Deus permitia e que ela oferecia pela salvação do mundo, cooperando com os sofrimentos de Jesus Cristo.

E na manhã seguinte, quando acorda, verifica assombrada que a ferida está absolutamente fechada e perfeitamente cicatrizada. Chama o médico, que verifica detalhe por detalhe, surpreendido e cada vez mais emocionado com o que está vendo com seus próprios olhos e apalpando com suas próprias mãos, na paciente que ele tratou durante três anos: “Eu certifico que todos os sintomas desapareceram de um dia para outro, após a viagem a Lourdes. Yvetot, em 5 de agosto de 1904”8.

FORA DE LOURDES — Já falamos, no capítulo 4, do Santuário de Oostakker, Bélgica: A Gruta das Três Fontes, ou O Santuário das Três Grutas, uma das quais é dedicada a Nossa Senhora de Lourdes. Foi lá onde por intercesS. de Nossa Senhora e em confirmação do dogma da Imaculada Conceição realizou-se o milagre da cura instantânea da perna quebrada e gangrenada de Pierre De Rudder. Nesse magnífico milagre — todo milagre é magnífico em si mesmo — há também o aspecto que agora estamos apresentando, a cicatrização instantânea das chagas purulentas e fétidas. De tantos milagres naquele santuário, acrescento agora mais um de cicatrização:

OUTRAS TRÊS FÍSTULAS DE UMA VEZ — Em 1942 a sra. D. I., então com 54 anos, numa queda quebrara a rótula do joelho esquerdo. Numa policlínica lhe extraíram um abscesso pré-rotular. E o tempo ia passando e não sarava. Sobreveio uma fístula, resistente a todo tratamento do seu médico.

O dr. Tonelli enviou sua cliente ao hospital de Santo Giovanni. Diagnóstico do hospital: osteomielite da tuberosidade anterior da tíbia direita. Cirurgicamente tiraram-lhe um pedaço do osso doente. Após muitos esforços, por fim os médicos tiveram de devolvê-la para sua casa. Agora está com anquilose (rigidez) do joelho e com três fístulas, rebeldes a todo tratamento.

Em maio de 1947, além do joelho anquilosado, a perna toda estava edematosa (inchada pelo excesso de líquido sob a pele), e das três fístulas corria secreção purulenta tão abundante que empapava as bandagens apesar de trocadas todos os dias.

No dia 8 de junho de 1947, após trocar as bandagens preparando-se para dormir, a sra. D.I. colocou sobre elas um saquinho de terra da gruta de Lourdes em Oostakker.

Na manhã seguinte, sem suspeitar de nada, estranhou ver suas bandagens completamente secas. Passa o tempo… Agora a estranheza começa a converter-se em assombro e… um sentimento indescritível. Manda chamar o médico. O dr. Tonelli certifica: “Eu revi a doente e a encontrei perfeitamente curada. As fístulas desapareceram, no seu lugar somente existe uma depresS., coberta por uma pele de todo ponto normal. A rigidez do joelho desapareceu. Não se encontra nenhum sinal de inflamação. O funcionamento do membro é normal. A cura, especialmente em razão da sua rapidez e da sua perfeição, é milagrosa”.

A rigorosa e meticulosa comisS. médica da Gruta das Três Fontes interrogou repetidas vezes numerosas testemunhas sobre o que haviam visto no dia anterior à cura e na manhã seguinte, confirmando o evidente milagre9.

NA NOVENA A S. JOANA D’ARC — Saindo de Lourdes na França ou de Lourdes na Bélgica, podemos percorrer a história e o mundo. Encontraremos numerosos milagres de todas as classes. E de cicatrização instantânea, do que agora se trata. Por exemplo:

Marie Antoine Mirandelle desde l908 começou a sofrer forte dor no calcanhar esquerdo. Já em janeiro de 1910 a dor, insuportável ao mínimo contato, desembocara numa ferida com um centímetro de diâmetro e profunda até o osso. O dr. Halma-Grand, cirurgião no hospital de Orleans diagnosticara: osteíte tuberculosa com fístula, no calcanhar.

Começaram uma novena pedindo o milagre e prometendo apresentá-lo como confirmação de santidade para a canonização da então recente beata (em 19 de abril de 1909) Joana D’Arc.

No penúltimo dia da novena, todos constataram como a chaga tuberculosa e a fístula iam se fechando. No dia seguinte de manhã a cicatrização estava completa, a pele absolutamente normal. A sra. Mirandelle, que na véspera não podia encostar o calcanhar no chão sem gritar por dilacerante dor, a partir daquela manhã caminhou sempre normalmente10.

ESPADA NO PEITO — Palavras textuais da Sagrada Congregação de Ritos a respeito de um dos milagres para a beatifição em 1679 (a canonização foi em 1726) de Santo Afonso Turíbio, missionário no Peru: “Juan de Godoy, atravessado por uma espada inimiga, e jogado inumanamente na rua, ao contato com a cruz pectoral que (o santo arcebispo de Lima) usou em vida, revitalizou-se instantaneamente sem feridas e forte” 11.

CABEÇA QUEBRADA — Na causa de beatificação, em 1707, de Santo André Avelino (canonizado em 1712) verificou-se e foi aprovada como manifesto milagre, entre outros, “a cura de uma profunda ferida (à espada) na cabeça de Juan Bautista Corizo, ficando no mesmo instante sem nenhum sinal de cicatriz”. “Profunda ferida na cabeça”: Não se trata só de cura do couro cabeludo, senão também do cérebro e do osso do crânio. E tudo isso “no mesmo instante sem nenhum sinal de cicatriz”!12.

Uma profunda ferida na cabeça é de extrema gravidade. Especialmente na medicina da época, sem os recursos técnicos modernos. O dr. Jaime Berenger Carpense, provavelmente o melhor especialista da época, afirmava que entre tantos feridos a espada nas guerras, tinha conhecimento só de seis pessoas que sobreviveram à perda de notável quantidade de massa encefálica. Mas dessas seis pessoas quatro ficaram apopléticas e morreram em poucos meses. Os outros dois sobreviveram até dois anos, mas haviam ficado hemiplégicos13. Pode haver — precisavam vários autores da época e inclusive desde Hipócrates — sobrevivência quando a leS. é superficial e muito escassa a perda de massa cerebral. Mesmo nestes casos mínimos, a cicatrização nunca pode ser instantânea. Só por milagre. Nada menos que Bento XIV concorda com esses autores que cita14.

[continua]
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